A Engepar parece passar mais tempo refazendo serviço do Reviva e, agora, pretende pedir mais dinheiro pelo serviço mal-executado.
Há nove meses começava em Campo Grande projeto que pretendia dar nova vida à área central, hoje abandonada. O Reviva Campo Grande foi projetado com o objetivo de revitalizar a Rua 14 de Julho em um tempo recorde. Nove meses depois, boa parte da via continua interditada e a empresa vencedora da licitação, a Engepar, parece gastar mais tempo - e recursos - com retrabalho do que avançando com a obra de fato. Imprevistos são comuns e até esperados por quem trabalha na construção civil. A diferença é que, ao contrário da inicativa privada, parece haver pouco cuidado para evitar essas situações que, equivalem a prejuízo para o construtor, ocorram. Raras são as obras públicas que não precisam de mais dinheiro do que se pede inicialmente e o Reviva Campo Grande não vai fugir a essa regra.
Depois de ter de trocar o piso tátil, agora a calçada está tendo que ser refeita e a empresa já prevê pedido de aditivo para dar continuidade ao projeto, como mostra reportagem de hoje do Correio do Estado, provando que o barato sai caro. Quando iniciada a obra, a Engepar havia vencido a licitação por apresentar um preço R$ 9 milhões mais barato que o previsto inicialmente. Agora, a obra corre o risco de ficar mais cara do que o previsto. Quando se trata de obra, não dá para ser malfeita, ou executa o projeto corretamente na primeira vez, ou terá que refazer depois e é o que vai ocorrer. É o dinheiro público indo pelo ralo com desperdício de mão de obra e materiais.
Enquanto isso, comerciantes daquela região - os que resistiram - ainda lutam para manter seus estabelecimentos abertos. E eles pagam duas vezes pela falta de organização dos outros. Mesmo tendo de lidar com ruas interditadas muito além do tempo previsto, com a poeira e, principalmente, com o desaparecimento dos clientes diante do cenário montado da Rua 14 de Julho, os comerciantes não tiveram um incentivo fiscal por parte da Prefeitura de Campo Grande, que costuma ser generosa com a isenção de tributos municipais para algumas empresas, mesmo que estas tragam pouco retorno para o município em termos de geração de emprego e renda. Afinal, quem não se lembra do centro de convenções do Shopping Bosque dos Ipês? Essa resistência por parte dos lojistas, porém, não aguentará o tempo necessário para que a empresa responsável pelo projeto dê conta do serviço. O comércio naquela rua agoniza e a empresa ainda nem concluiu, por definitivo, o trecho da Fernando Correa da Costa. A quadra fica mais parcialmente interditada do que totalmente livre, um refazer sem fim do projeto.
Pelo contrato, a empresa tem direito a até 25% de adititivo da obra. Mas, no caso de refazer, não caberia à empresa arcar com o prejuízo? Seria o que qualquer contratante exigiria, colocando no contrato, que fosse cumprido em um projeto como de construção de uma casa. A situação do Reviva é diferente. O projeto é bem mais complexo do que uma casa, mas a empresa sabia disso ao ingressar na licitação. Senão, deveria ter buscado se informar. O que não se pode é fazer do projeto um saco sem fundo de dinheiro público e do projeto, algo interminável, como é comum ocorrer com obras em todo o País. No Brasil, o tempo corre diferente quando o assunto é obra pública. Por aqui, meses viram anos e anos, décadas. A regra paralela também vale quando o assunto é dinheiro. Enquanto na iniciativa privada, indústrias bilionárias são concluídas com menos recursos do que o previsto. No público, o até R$ 49 milhões parece dizer no mínimo R$ 49 milhões. Chovem aditivos no decorrer da obra, o que mostra total desrespeito com o dinheiro público.