Sabemos o quanto é maravilhoso ver os irmãos querendo bem uns aos outros. Admiramos quando entre eles existe respeito, carinho, incentivo. Louvamos onde existir harmonia e entendimento, onde existir contentamento por aquilo que cada qual consegue realizar. Não haverá ciúmes, somente comemoração e alegria.
Sabemos que enquanto houver respeito pelas diferenças, reconhecimento das capacidades e comunhão de ideais, tudo estará garantindo bem-estar e progresso. E os irmãos saberão honrar os irmãos. Os pais saberão reconhecer a boa vontade dos filhos. E os filhos saberão reconhecer a bondade e a sabedoria dos pais.
O ideal de uma família estaria em saber cada qual ocupar dignamente o seu lugar, desempenhar com competência sua tarefa mantendo a união e a paz entre todos. Assim cada qual estará contribuindo com sua parcela para a harmonia e o bem-estar entre todos.
Mas nem sempre é assim. Poderá acontecer que alguém queira aventurar um modo de viver que poderá destoar com convívio harmonioso e familiar. E isso mudará muita coisa. Certamente surgirão transtornos inesperados e difíceis. Os pais perguntarão a si mesmos em que teriam errado, em que teriam falhado.
Surge a inquietude. Surge um mal-estar nada prazeroso na convivência familiar até então alegre e participativa. Haverá uma busca angustiante de razões e de motivos que tenham levado a filha, ou o filho a tomar tal decisão, ou a empreender tal aventura. Principalmente quando isso acontecer em famílias aparentemente bem estruturadas não será fácil contornar e aceitar.
O Mestre dos mestres, atento aos acontecimentos, indica um caminho, ou uma maneira de encarar situações desse gênero. Mostra que às vezes será recomendável deixar que o sujeito satisfaça sua curiosidade, realize sua aventura, “bata a cabeça na parede”, “caia de cara no chão”, para aprender a lição.
E os pais permaneçam em seu lugar com paciência e prudência. Deverão aguardar a oportunidade de agir quando do seu retorno. Deverão respeitar o passado e renovar o carinho, o respeito e a alegria. Não poderá haver cobranças, muito menos castigos.
É hora de lembrar a história do filho pródigo. Lembrar o pai que, desde que o filho se ausentara de casa, permaneceu na expectativa e na esperança de vê-lo de volta e celebrar novamente a alegria de uma família reconstituída e feliz. Ainda hoje o mundo se encontra ferido por tantos jovens que, influenciados pelas redes sociais, caem na tentação de aventurar suas vidas no mundo das drogas, do alcoolismo e da prostituição. São muitos esses jovens que perderam o ânimo, perderam a esperança e se deixaram seduzir pela ilusão de algo diferente, algo que os isole dos sentimentos e da fé.
Perderam o caminho de Deus. Perderam o caminho da esperança. Perderam o caminho da família. Talvez estejam padecendo a angustia daquele filho que, depois de tudo perder, restou-lhe uma esperança: buscar novamente o pai e confessar: “Pai, pequei contra o céu e contra ti não me considere teu filho. Trata-me como mísero trabalhador.