Difícil de enumerar tantas tragédias e tantos problemas graves por que passa a humanidade nos tempos atuais. Desde a fome, a guerra, os acidentes e incidentes geográficos, naturais ou não, o terrorismo, desastres ambientais, a corrupção, as drogas e a violência. É evidente que tudo isso e muito mais de ruim, não é privilégio deste tempo. Contam os historiadores que o homem sempre foi um grande criador e estimulador dos grandes males da Terra e parece mesmo que não consegue evoluir sem fugir a violência, por exemplo. Yuval Noah Harari, doutor em história pela Universidade de Oxford, especializado em história mundial, nos conta em seu livro “Uma breve história da humanidade”, best-seller internacional em sua 32ª edição, que a “violência humana no século XX pode ser igual a do antigo Vale do Danúbio”, conhecido como a “Europa Velha”, onde a civilização poderia ter começado, há milhares de anos. O fato é que o ser humano nos parece que não consegue viver sem violência, respeitado aqui, todo ser humano que se constitui exceção a isso, pois ainda prevalecem as coisas boas e alguma bondade do Homem, e se não fosse isso, nenhum de nós ainda estaríamos aqui.
Um tipo de violência, entre tantas, entretanto, tem causado a todos nós, “os da exceção”, uma indignação cosmopolita, quase insuportável, que é a violência constante e avassaladora contra a mulher nos dias de hoje. Toda violência é revoltante e merece repúdio, mas o tema aqui trata especificamente das barbaridades e crimes que a mulher sofre, muitas vezes apenas pelo fato de ser mulher, o feminicídio. É inadmissível que ainda tenhamos, num tempo de tanta tecnologia, tanta facilidade, tanto desenvolvimento intelectual e material, nas mentes masculinas o desejo de subjugação máxima da mulher à sua vontade e posse absoluta. O irônico, se não fosse trágico, disso tudo, é que se a mulher está sendo morta pelo companheiro, para não “ficar” com mais ninguém, então é porque ela devia ser maravilhosa, insubstituível, grande companheira amorosa, que o assassino imbecil não suportava a ideia de viver sem ela. Mas se a mata, vai viver do mesmo jeito, sem. Estupidez incalculável de uma alma doente. Alguns crimes contra as mulheres não são feminicídios, entretanto, sempre, em quase todos eles, prevalece o extremo grau de covardia e barbárie, justificado por qualquer motivo torpe ou medíocre. Os Governos tem tentado coibir os crimes com diversas medidas. As leis sempre endurecem as penas e são criados mecanismos para proteger a mulher dos crimes diversos e feminicídios, todavia, as estatísticas não param de evidenciar, a cada dia no Brasil, o aumento entristecedor da violência contra a mulher. Então, o que pode ser acrescentado para que esses crimes diminuam? É lógico que toda alternativa razoável das pessoas, autoridades e estudiosos do assunto envolvido no tema, que venha para contribuir com isso é bem vinda, porém, a melhor, a mais eficiente e eficaz atitude, que vai de fato proteger a mulher contra o seu algoz, é a sua escolha na hora de decidir conviver com alguém. Antecipo a qualquer um sentimentalista que talvez possa não entender esse meu argumento, de que também comungo com a ideia de que o amor é inexplicável; que a gente não escolhe por quem se apaixonar, enfim, que as coisas de sentimento entre as pessoas acontecem e tal, etc. Respeito os sentimentos humanos e também creio que às vezes é quase impossível entendê-lo. Contudo, nas atuais circunstancias de nosso tempo, em virtude de tantos crimes praticados contra a mulher, exatamente pelo parceiro a quem ela um dia se deixou levar pela paixão desmedida ou necessidade de convivência, penso que seja a hora dela escolher melhor com quem vai compartilhar sua intimidade. Devemos educar mais decisivamente nossas filhas para essa questão. Apesar de tantas dificuldades ainda que a mulher encontre no mercado de trabalho, tantas discriminações ainda, infelizmente, ela precisa, urgentemente, dizer não, ela própria, a essa violência sem fim, com a repulsa àquele que não lhe inspirar uma vida de paz e amor no seu dia a dia. O amor não é cego. É preciso que quando ela, a mulher, veja a cara, tente ver, também o coração. No mais, todos nós, indistintamente, devemos colaborar para que a violência contra nossas mulheres tenham um fim ou pelo menos, diminua muito.
Artigos e Opinião
ARTIGO
Carlos Lopes dos Santos: "Quem ver a cara e tem que ver coração"
Advogado
Artigo
A vingança da natureza promete ser terrível!
As florestas tropicais, como a Amazônia, as florestas da África Central e as do Sudeste Asiático, desempenham papel fundamental para o equilíbrio climático do planeta
06/11/2026 07h30
Compartilhar
A vingança da natureza promete ser terrível! Foto: Arquivo Correio do Estado
Editorial
Aversão à vigilância da atividade policial
Se não existe procedimento padrão seguro dentro das delegacias, que dirá fora delas
06/11/2026 07h20
Compartilhar
Aversão à vigilância da atividade policial Foto: Arquivo Correio do Estado
EXCLUSIVO PARA ASSINANTES
ASSINANTES