Atônitos, vemos e ouvimos pela mídia diariamente o tom arrogante dos políticos ao abrirem uma “guerrinha” contra o governo. Outro dia, a TV mostrou o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, com o peito estufado dizendo que se quiser seu apoio Bolsonaro “terá de se dirigir diretamente a ele presidente do Congresso Nacional”. Dias após, esse mesmo político intimou o ministro da Justiça, Sergio Moro, a comparecer até ele a fim de lhe prestar explicações sobre o pacote de medidas de segurança pública remetido ao Congresso Nacional, para mudanças na lei penal.
Lamento dizer, mas sinto na alma grande repúdio contra essas “gaiolas de ouro” intituladas pomposamente “casas de lei” – um rótulo a justificar a presença da corrupção em nosso país. Já ultrapassei oito décadas e meia de existência neste mundo de Deus, razão por que posso prestar testemunho fiel de dois períodos político-administrativos no Brasil, cada qual com suas nuances singulares. Nasci nesta cidade bela, no lendário Bairro Amambaí, o que muito me orgulha. O mundo ainda se ressentia da 1ª Guerra Mundial, e a França, vencedora, mandou para o Brasil uma comissão de engenheiros militares sob o comando do famoso general Gamelin, a qual construiu os quartéis do Exército em todo o território nacional. Campo Grande foi abençoada com grande desenvolvimento socioeconômico com a construção dos quartéis no referido bairro.
No Brasil, dominavam a economia os senhores feudais, denominados “coronéis”, que nada mais eram do que ricos proprietários de latifúndios, onde grande quantidade de escravos produziam a totalidade dos alimentos e bens do consumo. Após a Lei Áurea, nesses latifúndios, passaram a trabalhar empregados assalariados, notadamente imigrantes italianos, que substituíram o braço escravo. Como no Brasil não existia um Exército regular face a pobreza do governo, este resolveu nomear no posto de coronel os latifundiários, com a incumbência de manter e adestrar para a guerra seus escravos e, após estes, seus empregados remunerados, situação fática que perdurou até 1930, quando assumiu o governo o intrépido gaúcho Getúlio Vargas.
Getúlio modificou o Brasil radicalmente. Impôs uma severa ditadura e expulsou os políticos, fazendo o País crescer cem anos em quinze, e a economia deixou de ser ruralista. Muitos benefícios sociais foram introduzidos na marra, como a Lei Trabalhista e empreendimentos de importância vital, como Petrobras, Volta Redonda, direito de voto à mulher e muitos outros grandes benefícios sociais. Também enfrentou e venceu a sanguinolenta Intentona Comunista de 1935. Após o fim da 2ª Guerra Mundial, num golpe de estado, Getúlio foi deposto, passando o País a ser governado pelos políticos civis, os quais louvavam a “democracia” para justificação de seus atos imorais. A partir de então, corrupção e anarquia tomaram conta do Brasil!
Chegando a uma situação de grande ameaça às instituições nacionais, diante da implantação de uma ditadura comunista nos moldes cubanos, os militares, ouvindo o clamor do povo brasileiro, tomaram conta do poder durante vinte anos seguidos, quando surgiram no País grandes empreendimentos socioeconômicos: industrialização e ampliação da agropecuária. O País viveu duas décadas de moralização do governo e da coisa pública. Todavia, os próprios militares resolveram entregar de mão beijada o governo aos políticos civis, atendendo aos apelos das “Diretas já”. A partir de então o Brasil, envolveu-se na mais negra desmoralização político-administrativa, com sórdida corrupção perpetrada pelos governos de direita e de esquerda, que excluíram o País da senda do progresso e da paz social. Tal situação culminou com o impeachment da presidente comunista Dilma Rousseff.
Indignado pelo procedimento imoral e antipatriótico dos políticos civis, o povo brasileiro trouxe de volta os militares ao poder – razão da empáfia acometida ao presidente do Congresso Nacional, cuja arrogância revela sua mesquinha posição diante da esperança que o mito Capitão Bolsonaro representa para o Brasil.