O dinheiro público é fruto do esforço de todos os brasileiros esparramados nas mais diversas estratificações sociais do País e engorda os caixas dos entes da Federação. Seu manuseio por parte dos governantes resulta em algo sagrado. Precisa ser direcionado para atender aos reclamos básicos da população desprovida de recursos, sobretudo. Mas todos precisam ser beneficiados com a sua boa aplicação.
O tema não precisava desse alinhamento diante da robustez da sua certeza. Mas parece que alguns órgãos e empresas dos entes federados não conseguiram ainda assimilar esse desiderato. Teimam em gastar mal o recurso público. O jantar que seria patrocinado pela Embratur pela bagatela de R$ 290.000,00 foi cancelado. Constava de sua pauta regular de trabalho. Um verdadeiro despropósito.
O nosso turismo não precisa desse festival de sandices. Cada ente federado tem suas estruturas para atrair os turistas em seus rincões. Onde está esse mortal bendito que não gostaria de ser convidado para esse jantar finíssimo regado a bebidas de primeira linha, alimentos saudáveis feitos por especialistas e ainda com a participação de cantor de primeira linhagem da música popular brasileira? Nenhuma recusa resultaria evidenciada. Seria uma noitada inesquecível. Momentos deliciosos, um verdadeiro paraíso de luxo, conforto e bem-estar. Tudo isso sem pagar um único centavo.
Esse quadro medonho que estamos descrevendo mostra a insensatez dos dirigentes daquela empresa no confronto direto com os tempos bicudos de crise que estamos protagonizando. Receberam a recompensa. Foram exonerados das funções para quais haviam sido nomeados. Tinha de ser assim mesmo.
Somos treze milhões de desempregados que clamam todos os dias pela carteira de trabalho assinado. Esses brasileiros querem participar do desenvolvimento nacional com a força do seu trabalho, mas não conseguem. A indústria e o comércio não vencem os desafios diários patrocinados pelos indicadores econômicos que todos os dias conspiram em seu desfavor. Um verdadeiro desafio para vencê-los. Sem esse desempenho, o nosso retrato social fica tisnado. A questão social fica cada vez mais preocupante.
Nesse contexto realista, cresce a importância de valorizar cada centavo do dinheiro público. O volume que seria gasta com frivolidades poderia ser impulsionada para a construção de creches, postos de saúde e outras inúmeras ações sociais. Na área da cultura, em épocas anteriores, o desastre foi bem maior. Só os grandões da música e do teatro recebiam pelas apresentações os generosos pagamentos patrocinados pela Lei Rouanet. Para os pequenos nada.
Nas mãos das nossas mulheres, esses valores expressivos ganhariam outra direção. Elas conhecem bem a importância do dinheiro no âmbito do orçamento doméstico. Nas suas mãos, o dinheiro cresce e aparece. O bom senso é a sua grande avalista.
A regra vale para o gestor público. A rigidez no controle dos gastos públicos evidencia a seriedade do gestor. Mitigar o sofrimento dos seus governados precisa se constituir no grande norte da administração pública. São essas ações que legitimam o exercício e a força da sua autoridade.
Quando se joga para o alto esses recursos, a cobrança é dramática. O ostracismo político é a direção mais provável para o gestor público desonesto. A população precisa fiscalizar. Denunciar, sobretudo. É assim que se exerce a cidadania.