Somados, os valores do Reviva Campo Grande e do Profisco 2 se aproximam dos US$ 100 milhões. O Banco Interamericano tem sido fundamental para ações do governo e prefeitura.
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) tem exercido um papel fundamental para as duas principais administrações públicas de Mato Grosso do Sul: o governo do Estado e a prefeitura de Campo Grande. Antes de qualquer outra coisa, é importante lembrar que a instiuição, ao financiar projetos como o Reviva Campo Grande e agora, mais recentemente, o Profisco 2, cumpre o seu papel de fomentar o desenvolvimento econômico e social e de promover a integração comercial em todas as Américas.
São dois projetos gigantescos e de valores semelhantes, financiados com recursos da instituição internacional, cuja sede está localizada em Washington, nos Estados Unidos. Somados, os valores do Reviva e do Profisco 2 se aproximam dos US$ 100 milhões (R$ 417 milhões, na cotação oficial de ontem). No caso do empréstimo que financia as obras no Centro de Campo Grande, os resultados já começam a aparecer: a primeira grande obra desta iniciativa, a revitalização da Rua 14 de Julho, aproxima-se do fim e outros projetos, como a revisão do Plano de Mobilidade Urbana da cidade, terão início no ano que vem.
No caso dos recursos emprestados ao governo do Estado para modernizar não somente a gestão tributária (leia reportagem nesta edição), é mais difícil para o cidadão acompanhar a aplicação dos recursos. Vale lembrar que o Profisco 2 também tem o objetivo de melhorar os sistemas de controle de gastos e a estrutura contábil das secretarias de Fazenda e Administração, além da Agência Estadual de Previdência.
A contratação do empréstimo para modernizar o sistema tributário e a gestão de gastos de Mato Grosso do Sul ocorre, por ironia do destino, num momento em que o governo enfrenta dificuldades para arrecadar dinheiro com impostos, sobretudo com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A redução da importação de gás boliviano pela Petrobras reduziu as receitas, e a liberação do mercado de gás natural para o próximo ano gera dúvidas para a administração estadual – pelo menos no curto prazo.
Em uma época em que falta dinheiro para se investir nos governos e prefeituras e que a folha salarial dos servidores consome uma parte significativa da arrecadação, a ajuda do BID é essencial. Não fosse o banco, o Centro de Campo Grande não seria transformado, e agora, não fosse o mesmo banco, o governo não teria aproximadamente R$ 212 milhões para, justamente, fazer mais dinheiro, seja economizando, seja arrecadando mais.
O Banco Interamericano de Desenvolvimento já fez o papel dele, ao emprestar recursos para prefeitura da Capital e governo. Agora começa um segundo estágio, em que as autoridades responsáveis pela fiscalização dos recursos – e todos os cidadãos – ficarão atentos ao destino dado a este dinheiro emprestado.