Estamos em meio a tanta violência, a tanta miséria e a tanto sofrimento que chegamos a perguntar: para onde está caminhando a humanidade? Há momentos e há circunstâncias em que pouco ou nada valem os títulos, a posição social e outros valores. Isso acontece quando somos feitos reféns de assaltantes ou de ladrões. A própria vida se torna prisioneira a caminho da morte.
Não falta quem, diante desses desastres, os queira aplicar como demonstração clara de que estaríamos caminhando para um triste fim do mundo. Muitos já teriam marcado até o dia e a hora, mas até agora nada aconteceu. Muitas velas são vendidas para enfrentar a escuridão dos três dias e três noites. Mas também, até agora, nada aconteceu.
Ainda existem certos aventureiros dizendo-se iluminados por Deus que, baseados nas Escrituras Sagradas, interpretam ao pé da letra aquilo que os textos apocalípticos anunciam, não como o fim do mundo, mas como a destruição de Jerusalém, que de fato aconteceu nos anos 70 depois de Cristo.
De acordo com o Evangelista Lucas, algumas pessoas comentavam sobre o Templo, enfeitado com pedras bonitas e outras coisas dadas em promessas. Então Jesus, vendo isso, disse: “Vocês estão admirando essas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído” (Lc. 21, 5-6). Realmente aconteceu.
O povo começou a olhar, muito apreensivo. Buscava explicações sem, no entanto, entender o que estaria por acontecer. De fato, o povo estava sofrendo muito. Não tinha alimentação, não dispunha de recursos para a saúde e para a educação. Os poderosos viviam em seus palácios, distantes do sofrimento desse povo.
A situação política estava insegura. A economia, em ritmo de falência. A religião, dividida. E o povo, um grande rebanho sem o seu pastor. E se interrogava angustiado, pois tudo favorecia os poderosos e sacrificava os pobres. Não poderia continuar assim. Havia a necessidade de um novo Templo, de um novo povo e de uma nova religião.
Precisava que acontecesse o fim do mundo. Não o mundo planeta, mas o mundo do mal, o mundo do ódio, o mundo da discriminação e da corrupção dos costumes. Precisava destruir o mundo da mentira, da falsa religião, dos governantes corruptos. Esse fim do mundo era urgente.
E surja um novo mundo! Esse é o sonho de todos. Especialmente, é o sonho daqueles e daquelas que se encontram crucificados pelo desemprego, pela falta de moradia e pelas doenças. Precisamos de um novo céu e de uma nova terra, onde todos possam viver como irmãos, solidários uns com os outros.
Precisamos de um mundo novo, onde os presídios sejam abolidos e se transformem em escolas, onde se cultive a fraternidade e a solidariedade, onde se construa a dignidade e a espiritualidade, baseadas nos princípios morais e éticos, onde a única lei seja: Amar o próximo como a si mesmo.
Se a humanidade compreendesse esse mandamento saberia para onde está caminhando, pois o caminho será harmonioso e solidário, será reto e iluminado, pela luz da benção do próprio Deus. Saberá caminhar ao encontro do Deus da sabedoria e da graça.