Já é comum para quem percorre as rodovias desse país deparar-se de quando em quando com uma ou mais cruzes cravadas à beira da estrada. Para quem as cravou lembra seguramente uma triste e dolorosa história de alguém que encerrou seu viver nesse mundo de maneira trágica.
Para os demais não passará da suposição de algum acidente. Aos poucos ficará tão somente como lembrança e, talvez, como alerta para ter mais cuidado ao trafegar pelas rodovias. Quer queira, quer não, constituirá uma marca triste de uma história dolorosa.
Se para a sociedade essa cruz permanecerá para sempre como lembrança de imprudência e de irresponsabilidade, para quem se diz cristão deverá traduzir-se numa lição sagrada do valor da vida. Está aí para alertar contra os perigos na direção do carro e a necessidade de trafegar com prudência e bom senso.
Essas cruzes à beira do caminho estão aí para lembrar mortes e mortes violentas. Mas houve alguém que aceitou a cruz e fez dela uma fonte de santificação e de salvação. Refiro-me a Jesus Cristo, o Filho de Deus, que veio a esse mundo com a missão de revelar a bondade e a misericórdia do Pai. Veio revelar que o amor tem sua fonte e seu caminho.
Se os que governam o mundo o fazem a partir dos palácios e dos exércitos, esse não. Não nasceu em berço de ouro. Não se alimentou de finos manjares. Jamais teve soldados e exércitos. Jamais vestiu roupas finas e trajes ricos.
Esse homem nasceu e viveu entre pobres e como pobre. Sua morada sempre esteve com os humildes pescadores e com os pobres desvalidos. Seu trono foi a cruz. Sua coroa foi de espinhos. Seu cetro foi a misericórdia. Sua lei foi o amor. Seu alimento foi realizar em tudo e sempre a vontade do Pai. E anunciou que a vontade do Pai era ver todos vivendo como irmãos.
Essa fraternidade seria alimentada e iluminada pelos dons do Espírito Santo, que caminha no mesmo caminho do povo de Deus. Um povo faminto de verdade e sedento de misericórdia. Um povo que recebera do Filho de Deus a instrução necessária para constituir uma nação santa a caminho da perfeição e da vida eterna.
É bom saber que para pertencer a esse povo será necessário abraçar a causa de todos aqueles e aquelas que generosamente a abraçam em favor do bem comum. Foi por isso que o Mestre dos mestres sempre e em tudo pregou o amor, a solidariedade e a partilha fraterna.
Organizou um reino totalmente diferente dos demais reinos. Um reino constituído de seres humanos que aceitassem lavar os pés uns dos outros. Um reino onde, se alguém batesse numa face, deveria oferecer-lhe também a outra. Um reino onde, se alguém pedisse o manto, deveria oferecer também a capa.
Assim esse reino desafiaria as demais organizações humanas. Organizações comumente baseadas em classes sociais, com leis nem sempre justas que provocariam constantes conflitos políticos e econômicos por serem organizações humanas.
Mas o reino de Deus será um reino de amor, de perdão e de paz, será um reino onde todos possam ter voz e vez, garantindo a solidariedade e a partilha de bens.