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Venildo Trevisan: "Celebramos a esperança"

Frei

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Já estamos acompanhando vários tipos de propaganda de Natal, seja nas ruas, seja nas lojas, seja nas redes sociais. Já surgem campanhas facilitando as compras. Tudo porque o Natal se aproxima. Não se fala do aspecto religioso e espiritual dessa festa. O comercial torna-se mais importante do que o espiritual.

Mesmo assim, no íntimo de cada ser humano há uma anseio que precisa encontrar um espaço para se manifestar. É um anseio de paz entre os povos que andam demasiadamente divididos e necessitam de algo que diminua a agressividade e restabeleça o respeito e o perdão. 

Esse anseio inquieta e perturba as mentes de quem, apesar de a violência ameaçar a paz, ainda é forte e desperta atitudes de confiança em Deus, que se revelou ao mundo por meio de Jesus Cristo. Mas esta revelação não está sendo suficiente para eliminar essas agressividades.

E as dúvidas continuam perturbando principalmente quem lê e medita as passagens bíblicas desse tempo que chama a atenção a respeito de catástrofes e de castigos que estariam por vir.  E isso poderá causar impactos a respeito da fé e da confiança que será preciso depositar nas mãos de nosso Deus.

São maneiras de encarar os acontecimentos. Guerras existem e sempre existirão. Violência existe e sempre existirá. Assim a fome, as doenças e as injustiças também sempre existiram e continuarão existindo.

Não é para nos consolar e nem nos acomodar. O alerta continua. É hora de abrir os olhos para a realidade desafiadora de nossa fé e de nossa disposição em criar melhor ambiente,

É hora de não pensar apenas em festas, em viagens e em  presentes. É preciso aproveitar esse tempo em que o coração se torna mais sensível e as mãos mais generosas para resgatar a dignidade de tantos seres humanos desumanizados.

Estamos num tempo em que nosso pensar se volta para o bem, nosso agir se mostra mais solidário, e nosso conviver se torna mais fraterno. Esse conviver provoca em muitos casos um verdadeiro e profundo milagre. Faz com que, pessoas que não se relacionavam, voltem a se relacionar a partir de um perdão e de um novo modo de conviver. São os milagres do reencontro social e espiritual.

Para quem se sentir impulsionado pela fé descobrirá um segredo que deverá ser partilhado e cultivado no amor e na esperança. Celebrará com alegria a vida pessoal irradiando otimismo, paz e solidariedade. Não haverá de temer dificuldades, pois estará abastecido de paciência e de perseverança.

Tudo o que lhe acontecer pelo caminho será motivo de exercitar o espírito de luta, a coragem e o amor-próprio. Amará a si mesmo e aos demais como Deus ama. Acreditará em si e nos demais como Deus acredita. Confiará em si e nos demais como Deus confia. Perdoará a si e aos demais como Deus perdoa. E salvará a si e aos demais como Deus salva.

E esse tempo chamado Advento será um tempo de reflexão sobre os motivos que movem a fé no Deus vivo e verdadeiro. Não seremos dependentes de propagandas. Seremos autores de nossa realidade e de nossa esperança.

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