O brasileiro não quer saber se o gestor de estradas, aeroportos, e outros bens e serviço é público ou privado. Ele quer que as coisas funcionem. Simplesmente.
No Brasil, o poder público já demonstrou que não é capaz de administrar as obras que ele mesmo faz. Basta viajar pelas estradas do país para perceber a diferença da gestão pública e da gestão privada no setor de infraestrutura. As rodovias e os terminais aeroportuários e rodoviários estão aí para servirem de vitrine para este comparativo.
Na última década, dezenas de terminais aeroportuários que eram administrados pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) foram concedidos à iniciativa privada. Alguns anos depois, o que se viu foi mais conforto e funcionalidade para o passageiro em terminais mais modernos. O “caos aéreo” virou coisa do passado.
Nas estradas, vidas estão sendo poupadas, e o escoamento de produtos por elas, tem se tornado mais eficiente. Temos um exemplo em Mato Grosso do Sul. Em que pese todas as pendências da CCR MSVia com a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) por não ter cumprido como deveria o contrato de concessão da BR-163, não se pode negar que transitar pela rodovia tornou-se mais seguro desde que a iniciativa privada assumiu sua gestão. O caminho que outrora foi conhecido como “Rodovia da Morte”, pode não estar totalmente duplicado, mas tem assistência médica, um grupo que circula 24 horas por seus mais de 800 quilômetros para retirar animais e objetos da pista, além de um acompanhamento permanente, que não permite que a rodovia tenha buracos.
Neste ano, como mostraremos em reportagem publicada nesta edição, o governo do Estado entregará a gestão da MS-306 para a iniciativa privada, e poderá lançar mais editais de concessão. Quem circula pela rodovia, que tem um tráfego pesado, sabe que a transformação será grande.
Também é sábia a decisão do governo em entregar a gestão de algumas estradas a concessionários. Em primeiro lugar, porque certamente sobrarão mais recursos para a manutenção de outras rodovias estaduais, em segundo, porque o governo atende um anseio do cidadão, que hoje prefere pagar pedágio para ter mais conforto e segurança.
É importante o poder público reconhecer que não tem estrutura para administrar as rodovias. Os esforços devem ser redirecionados a outras áreas, que precisam mais da atenção dos governantes.
O brasileiro, que nas últimas décadas teve de se adaptar a rodovias em péssimo estado, com a falta de segurança e com o excesso de burocracia, não tem tanta preocupação em saber se o serviço é público ou privado. Ele quer que as coisas funcionem. É disso que precisamos no Brasil: que o país funcione.