Partindo do princípio de que são nas cidades que reside a população do País, não importando suas dimensões territoriais nem habitacionais, são nas cidades que os seres humanos vêm ao mundo, que aprendem a ler e a escrever, que crescem, constituem famílias, se estabelecem, criando condições econômicas que permitem o surgimento de empresas que geram empregos e rendas e, como consequência, de impostos que mantêm a máquina pública em funcionamento.
De uma forma geral, todas as cidades têm suas fontes de receitas, umas pujantes, outras nem tanto, mas que estão continuamente procurando soluções para seus crescimentos econômicos, enquanto outras estão estagnadas pela omissão de seus habitantes, prevalecendo a lei dos mais espertos, em que grupos familiares como verdadeiras castas exercem os Poderes Executivo e Judiciário.
Mesmo não tendo receita própria para fazer rolar a máquina pública, vivem exclusivamente das verbas do Fundo de Participação dos Municípios, que são utilizadas para o pagamento de salários dos prefeitos, dos vereadores e de seus assessores.
Sem dúvida nenhuma, há uma cultura enraizada nos milhares de municípios brasileiros, cuja população desconhece o significado de esperança: ali nascem, crescem e morrem, fazendo com que a vida seja uma sucessão de melancolia e desencanto, sempre à espera das eleições chegarem para ganharem algum agrado, para votarem nos espertos, que se utilizam da inocência e da pobreza humana para se manterem no poder.
Não vislumbram uma oportunidade para a vida melhorar, uma verdade nua e crua que podemos constatar e que, infelizmente, é de difícil solução.
As movimentações políticas partidárias já estão a todo vapor. Os eleitores mais atentos das capitais, como sempre, terão à sua disposição um mural com centenas de candidatos de todos os matizes, e a maioria absoluta dos senhores edis com mandatos procuram as sonhadas reeleições, pois já criaram raízes, têm bons salários, benesses, mordomias e status de autoridades.
Mesmo nos grandes conglomerados urbanos, a população de famílias carentes é cada vez mais crescente, um ambiente ideal para os políticos destituídos de pudor agirem na calada da noite para conseguirem o convencimento dessa parte do eleitorado, para neles votarem.
Existem candidatos registrados nos cartórios eleitorais sem nenhuma chance de vitória, mas estão ali. Prestem atenção, a verba partidária oficial está cada vez mais gorda, e isso incentiva os aventureiros a colocarem seus nomes à disposição dos partidos para completarem o número de candidaturas.
É claro que alguma recompensa virá, e como estamos assistindo, se alguma maracutaia for descoberta, logo ali adiante contará com a anistia do Congresso Nacional.
Política é algo que deveria ser ministrada nos bancos escolares, mas com todo cuidado, pois os ministrantes deveriam ter formação adequada para tal fim. Caso contrário, jamais veremos um sistema democrático funcionando com lisura. Para termos uma pátria livre e justa, capaz de erradicar a fome e a pobreza.