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REIVINDICAÇÃO DE DIREITO

No dia da Consciência Negra, Carrefour de Campo Grande tem protestos por morte violenta

Asfixiado, caso do brasileiro é idêntico ao de George Floyd, americano que alçou movimento Vidas Negras Importam
20/11/2020 17:55 - Brenda Machado, Rodrigo Almeida


Representantes de diferentes movimentos se reuniram, na tarde desta sexta-feira, 20 de novembro, no estacionamento do supermercado Carrefour, para protestar contra mais um ato racista que levou à morte de um homem negro.

Quase 24 horas depois do assassinato de João Alberto Silveira Freitas, protestos irromperam em todo o país. Em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Campo Grande.

Na Capital, o local escolhido foi o estacionamento do Shopping Campo Grande, em frente a única unidade da Rede na cidade.

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O protesto foi encabeçado pelo Grupo de Trabalhos e  Estudos Zumbis (TEZ), pelo Fórum Permanente das Entidades do Movimento Negro MS e pelo Coletivo de Mulheres Negras Raimunda Luzia de Brito.

Os participantes começaram a chegar por volta das 16h. Ao longo da manifestação, representantes gritavam o famoso bordão "Vidas Negras Importam", que ficou conhecido nas redes sociais como o movimento Black Lives Matter, na tradução para o inglês.

 
Manifestantes e alguns representantes gritando famoso Black Lives Matter - Brenda Machado
 

Professores, artístias e ativistas permaneceram de pé, cada um na sua vez, falando sobre a importância de dar visibilidade para a causa negra. Cartazes foram colocados no chão para representar os corpos de pretos mortos vítimas do racismo.

A professora da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e presidente do Grupo TEZ, Bartolina Catanante, disse, durante seu discurso, que, infelizmente, o racismo é uma realidade que já dura mais de 300 anos.

"Véspera do dia da consciência negra, dia em que deveríamos celebrar, e nós estamos aqui, mais um vez indignados com a violência contra vidas, vidas humanas, vidas negras. Todas elas têm um nome, uma família e uma história, não são quaisquer umas.", frisou.

 
Romilda Pizani, representante do Fórum Permanente das Entidades do Movimento Negro MS - Brenda Machado
 

Para garantir que o protesto pacífico não saísse do controle, seguranças do Carrefour ficaram vigiando e delimitando o perímetro permitido para as manifestações.

Clientes curiosos observavam a movimentação durante o entra e sai da loja. Alguns pararam para acompanhar.

Entenda

O caso ocorreu na loja de Passo D’Areia no Rio Grande do Sul, nesta quinta, depois de uma confusão entre João Alberto de Freitas, 40 anos, e uma funcionária. 

Ele foi convidado a se retirar do interior da loja, pelos seguranças e, ao chegar no lado de fora da unidade, as agressões começaram.

O rapaz acabou sufocado até a morte, como mostrou o laudo do IML divulgado nesta sexta.

Giovani Gaspar da Silva, de 24 anos, que também é policial militar, e Magno Braz Borges, de 30 anos, foram presos em flagrante.

Ainda de acordo com Bartolina, uma das organizadoras do ato, casos como esse trazem uma indignação muito grande. “Homens negros até 25 anos estão sendo dizimados”, comenta.

Ela afirma que há vários fatores que corroboram com isso entre eles a falta de capacitação das forças de vigilância, racismo estrutural e a posição a que os negros foram submetidos há mais de 200 anos. “A mídia, a imprensa, as lentes estão mais atentas a uma violência que agora é divulgada, mas não é de 2020. Vivemos isso em 2019, 2018, há uns 300 anos”, relata.

O movimento Vidas Negras Importam, depois da morte do americano George Floyd, por uma situação idêntica à de João Alberto, alçou o debate a patamares nunca antes vistos, e é considerado pela professora importantíssimo, mas não suficiente. “É nossa hora de tomar as rédeas da narrativa e aproveitar que a violência hoje é mostrada, e mudar isso. Esse pensamento antirracista faz a gente sair de casa”, relata a professora.

Segundo o advogado José Camargo, “no Brasil não se percebe o racismo. Quem vai para os Estados Unidos acha que lá é diferente, mas não é”. Ele afirma que isso é inerente ao ser humano. “Quem fala que não é racista, é mentira. Temos que aprender a conviver com as diferenças e as diferenças”.

 
 

Felpuda


Figurinha cuja eleição estava sub judice trabalha intensamente para ter a votação legalizada. Isso acontecendo, garante uma das cadeiras de vereador. Assim, quem hoje foi proclamado eleito vai para a fila da suplência.

Caso isso ocorra, a figurinha que corre o risco não deverá ficar desamparada, pois deixou secretaria municipal para disputar as eleições e poderá ter a cadeira de volta em 2021. Agora, resta esperar para ver onde vai parar.