Cidades

NO PANTANAL

Cidades tentam destravar R$ 111 milhões para regiões portuárias

Governo federal quer concessão da hidrovia do Rio Paraguai; projeto abre brecha para obras de melhorias em portos de Corumbá, Ladário e Porto Murinho

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Em Mato Grosso do Sul, os municípios que estão às margens do Rio Paraguai e conectados diretamente com a hidrovia vão entrar em 2025 com uma possibilidade de obter recursos para a realização de obras estacionadas em suas áreas portuárias avaliadas em cerca de R$ 111 milhões.

Corumbá e Ladário, por exemplo, não conseguiram tirar do papel projetos que criariam uma melhor infraestrutura em seus portos – e essa situação vem se arrastando há mais de uma década. Já em Porto Murtinho, que vive o boom da Rota Bioceânica, a cidade tenta melhorar a estrutura em cerca de 7 km de canais.

No total, esses três municípios têm na gaveta projetos avaliados em cerca de R$ 111 milhões, mas que não conseguiram avançar para a modernização da região portuária.

A janela que pode abrir espaço para que as prefeituras dessas cidades pantaneiras tentem garantir recursos milionários foi aberta ontem, em Brasília (DF), no Ministério de Portos e Aeroportos, com o lançamento de uma consulta pública para a primeira concessão da hidrovia do Rio Paraguai.

De 26/12/2024 a 23/2/2025, está aberto o período para envio de contribuições, subsídios e sugestões para a modelagem e os documentos da concessão. Por conta da proposta ampla do projeto, as prefeituras podem conseguir viabilizar recursos para reativar diferentes propostas que vão favorecer o atendimento na hidrovia.

Corumbá é a cidade com o maior projeto. A prefeitura da Cidade Branca chegou a tentar, em 2022, que R$ 87.561.306,91 fossem obtidos no governo federal, recursos esses oriundos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Houve naquela época a aprovação para que R$ 83.183.241,54 fossem liberados, mas em formato de empréstimo, valor que financiaria uma remodelação e requalificação portuária dentro de uma proposta de distrito turístico, projeto paralisado desde 2011. 

O trâmite passou para o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, mas as ações de 943,29 m² de construção – com área de convívio para pescadores, capela e estação de transbordo de carga – não avançaram. Mais uma vez, foi adormecida a possibilidade de mudança na infraestrutura portuária.

Em Ladário, a remodelação envolve a construção de um parque linear de 700 metros de extensão, com espaço para eventos culturais e área dedicada à atracação de embarcações, além de uma passarela sobre o rio e chafariz. O custo previsto da obra em 2022 era de R$ 19.989.315,01, mas as execuções das intervenções acabaram não ocorrendo desde então.

Para Porto Murtinho, as intervenções pretendidas são a canalização de áreas da cidade em cerca de 7 km de extensão, uma obra que pode ter um custo de R$ 8 milhões e que pode entrar na relação de propostas envolvidas para otimizar a Hidrovia Paraguai-Paraná.

OUTROS INVESTIMENTOS

As atenções voltadas para o Rio Paraguai, direcionadas pelo governo federal, podem gerar diversos investimentos para os próximos quatro anos.

“É um marco na história da infraestrutura hidroviária brasileira. Estamos falando do maior projeto de infraestrutura em desenvolvimento regional na América do Sul, que é a hidrovia do Rio Paraguai”, defendeu o diretor-geral da Agência Nacional dos Transportes Aquaviários (Antaq), Eduardo Nery. 

“Ele [o projeto] combina desenvolvimento sustentável e eficiência logística, oferecendo ganhos significativos para toda a cadeia produtora da região, além do desenvolvimento das empresas de navegação”, complementou.

A hidrovia em si consiste um trecho entre Corumbá e a Foz do Rio Apa, em Porto Murtinho, além do leito do Canal Tamengo, que faz a ligação entre Brasil e Bolívia via Corumbá. Esses trechos totalizam 600 km em extensão.

O atual prefeito de Porto Murtinho e que foi reeleito para o próximo mandato, Nelson Cintra Ribeiro, pontuou que há muitos holofotes para as cidades pantaneiras e que projetos de grande repercussão devem contribuir para viabilizar recursos.

“Com a Rota Bioceânica – e nós estamos no portal da rota –, estamos trabalhando para organizar a cidade em várias frentes. A possibilidade de incluir obras ligadas ao Rio Paraguai envolve a gente canalizar trechos que hoje são um problema no município”, declarou.

Só nos próximos cinco anos, o governo federal estima um investimento inicial de R$ 63,8 milhões em obras ligadas ao Rio Paraguai que podem gerar repercussão para as cidades mencionadas. Por conta desse cenário, senadores como Nelsinho Trad (PSD) e Soraya Thronicke (Podemos) estão com atuações em diferentes frentes com os municípios.

Em Corumbá, Soraya esteve reunida com o prefeito eleito Dr. Gabriel (MDB) no início deste mês, a fim de discutir a possibilidade de viabilizar recursos para obras na região portuária da cidade.

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Arte sul-mato-grossense

Tuiuius do aeroporto são revitalizados após 25 anos

Aves que representam as posições de pouso, decolagem e abastecimento das aeronaves serão renovadas pelo seu próprio criador

03/04/2025 12h00

Obras no Monumento Pantanal Sul estão previstas para ficarem prontas em julho

Obras no Monumento Pantanal Sul estão previstas para ficarem prontas em julho Divulgação

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Após 25 anos de história, os três tuiuiús que compõem o Monumento Pantanal Sul, localizado em frente ao Aeroporto Internacional de Campo Grande, estão sendo revitalizados.

Batizadas de Asa Branca, Majestoso e Zé Bicudo, as esculturas são um dos cartões-postais de Campo Grande e simbolizam a conexão entre a aviação e a natureza pantaneira.

A restauração, que está sendo feita pelo próprio criador da obra, o artista plástico Cleir Ávila, é fruto de uma parceria entre a gestora do aeroporto, Aena, e o Sicredi, instituição financeira cooperativa.

Obra pantaneira

As esculturas representam as posições de pouso, decolagem e abastecimento das aeronaves. Essa alusão ao movimento dos aviões foi idealizada como uma homenagem ao Pantanal, reforçando a identidade cultural e natural da região.

Cleir, que também lidera o processo de revitalização atual, expressou sua satisfação com o projeto.

"É uma satisfação imensa ver a obra que a gente fez há 25 anos receber essa atenção. Quando fiz o monumento, pensei em comparar a revoada dos tuiuiús com o movimento das aeronaves. Sou grato à Aena e ao Sicredi por acreditarem na cultura e na arte do nosso Estado", declarou o artista.

Celso Ramos Regis, presidente da Sicredi União MS/TO e Oeste da Bahia, destacou que apoiar a revitalização do monumento é uma forma de valorizar a história e identidade do povo sul-mato-grossense.

"Nosso apoio reergue um monumento representativo para todo o Mato Grosso do Sul. A marca Sicredi se compromete com as comunidades onde atua, promovendo sustentabilidade e cultura. Restaurar os Tuiuiús é preservar nossa fauna e celebrar o trabalho do Cleir, que já deixou sua marca em diversas cidades com obras que exaltam o Pantanal."

A restauração

A restauração está sendo conduzida com materiais reforçados para garantir maior durabilidade às esculturas. Cleir Ávila explicou que aço e concreto estendido estão sendo utilizados para tornar as peças mais resistentes às intempéries.

A previsão é que o trabalho seja concluído até o final de julho deste ano, devolvendo à cidade um dos seus símbolos mais queridos.

O artista

Autodidata com mais de 30 anos de carreira, Cleir Ávila tem uma forte conexão com a fauna e flora do Cerrado e Pantanal. O artista é considerado um dos mais importantes do estado, tendo feito obras artísticas em diversas cidades.

Além dos Tuiuiús do Aeroporto, ele já revitalizou importantes obras em Campo Grande, como os painéis da Arara Azul no Edifício Exceler e da Arara Vermelha no Edifício 26 de Agosto, além da Praça das Araras.

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VALE DA CELULOSE

Gigante da celulose confirma investimento bilionário em Bataguassu

Incialmente a Bracell havia anunciado fábrica em Água Clara, mas agora um executivo da empresa deixou clara a preferência por outra região

03/04/2025 11h10

Manoel Browne, da Bracell, solicitou ajuda da senadora Soraya Thronicke para viabilizar melhorias nas rodovias entre Bataguassu e Aparecida do Taboado

Manoel Browne, da Bracell, solicitou ajuda da senadora Soraya Thronicke para viabilizar melhorias nas rodovias entre Bataguassu e Aparecida do Taboado

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Representantes da empresa de celulose indonésia Bracell deram nesta quarta-feira (2), durante visita ao gabinete da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), novos indícios de que a multinacional engavetou o projeto de construção de uma fábrica em Água Clara e passou a priorizar o município de Bataguassu para o investimento, da ordem de 4,5 bilhões de dólares. 

De acordo com nota distribuída pela assessoria da senadora, os representantes da Bracell, Manoel Browne e Guilherme Farhat, estiveram em seu gabinete nesta quarta-feira para solicitar “apoio para melhorias na BR-158, que será impactada pelo aumento do tráfego de caminhões com a instalação de uma nova fábrica de celulose em Bataguassu”.

Caso realmente se instale em Bataguassu, a Bracell terá de despachar sua produção por cerca de 270 quilômetros até Aparecida do Taboado, passando por cidades como Brasilândia, Três Lagoas e Selvíria para chegar à ferrovia pela qual é possível levar a celulose até o porto de Santos

Conforme Manoel Browne, que é executivo da Bracell, depois que a fábrica estiver funcionando, haverá um acréscimo de cerca de 80 mil caminhões por ano, ou mais de 200 por dia, na rodovia estadual 395 e na BR-158, que margeiam o Rio Paraná

E, para suportar este fluxo, os representantes da empresa cobraram a recuperação da pista, inclusão de acostamentos e construção de terceiras faixas nos trechos de aclive.

Outras rodovias da região, como a BR-267 e a MS-040, que também serão impactadas com a nova indústria, já fazem parte de um pacote de privatização que está sendo conduzido pelo Governo do Estado e, conforme a previsão, já receberão uma série de investimentos. 

FIM DA INDEFINIÇÃO

Em novembro de 2024, o comando da Bracell, do grupo asiático Royal Golden Eagle (RGE), participou do Fórum Empresarial Brasil-Indonésia, no Rio de Janeiro, evento paralelo ao G20, e anunciou a pretensão de instalar uma fábrica e produzir 2,8 milhões de toneladas de celulose por ano em Água Clara.

A unidade, conforme aquele anúncio, seria a 15 quilômetros do perímetro urbano, às margens do Rio Verde, e deveria gerar cerca de 10 mil empregos durante as obras e 3 mil na fase de operação. 

Até estudos de impacto ambiental começaram a ser realizados para Água Clara. Mas, semanas depois, os indonésios também solicitaram outro termo de referência para uma possível fábrica a ser instalada em Bataguassu, possivelmente às margens do Rio Pardo, que naquela região desemboca no lago da hidrelétrica de Porto Primavera. 

Porém, até agora a empresa não se manifestou oficialmente sobre o local em que será feito o investimento da ordem de R$ 25 bilhões. Mas, na visita ao gabinete da senadora os representantes da empresa acabaram deixando claro que engavetaram o projeto de Água Clara e estão priorizando Bataguassu, região onde a Bracell já tem quase cem mil hectares de plantação de eucalipto. 


“Esse será um dos maiores investimentos da história do estado, totalizando US$ 4,5 bilhões. Durante as obras, devemos empregar entre 7 mil e 12 mil trabalhadores, e, com a operação da fábrica, serão 7 mil empregos permanentes – 3 mil na indústria e 4 mil na área florestal”, afirmou  Manoel Browne.

VALE DA CELULOSE

Se a fábrica em Bataguassu realmente sair do papel, será quinta indústria de celulose em Mato Grosso do Sul, que já tem quase dois milhões de hectares ocupados por plantações de eucaliptos. 

A primeira, da Suzano, entrou em operação em 2009, em Três Lagoas. Posteriormente ela teve sua capacidade de produção duplicada.

Em 2012 foi ativada a Eldorado Celulose, na mesma cidade. Existe a promessa de duplicar sua capacidade também, mas a disputa entre os acionistas brasileiros e indonésios está atravancando a duplicação. 

A terceira fábrica entrou em operação em meados do ano passado, em Ribas do Rio Pardo, onde a Suzano investiu R$ 22 bilhões e instalou a maior fábrica em linha única do mundo, com capacidade para 2,55 milhões de toneladas por ano. 

A quarta unidade está sendo edificada em Inocência e no próximo dia 11 será lançada oficialmente a pedra fundamental da Arauco, que já fez toda a parte da terraplanagem.

O investimento é da ordem de 4,6 bilhões de dólares e a previsão é produzir 3,5 milhões de toneladas, tornando-se assim a maior do mundo em circuito único. 

Praticamente toda a produção é destinada à exportação, pelo porto de Santos. E é exatamente por isso que os representantes da Bracell cobram melhoria nas rodovia que ligam Bataguassu à ferrovia que passa em Aparecida do Taboado. 

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