Desdobramentos do caso envolvendo a pequena Ayla Emanuelly Pereira de Souza, criança de menos de um mês sequestrada em Campo Grande, mostram que um dos suspeitos preso, inicialmente identificado como Weliton Aparecido Lopes trata-se, na verdade, de Alex Melo de Abreu, que possuía mandado de prisão e uma pena de 19 anos a cumprir por homicídio cometido no Estado do Amazonas.
Essa investigação contou com apoio operacional das delegacias especializadas de repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros (GARRAS), aos Furtos e Roubos de Veículos (DEFURV) e da Delegacia Regional de Ponta Porã, equipes que integraram as diligências e deflagração da chamada Operação Ayla.
Como bem acompanha o Correio do Estado, Ayla foi resgata no domingo (10), em Pedro Juan Caballero (PJC), cidade gêmea fronteiriça no Paraguai por divisa seca com o município sul-mato-grossense de Ponta Porã. A pequena foi encontrada em uma residência localizada no cruzamento das ruas batizadas de Alejo García e Coronel Martínez, que fica no bairro chamado Virgen de Caacupé.
Conforme repassado pelo chefe do Comando Conjunto de PJC, comissário adjunto Claudio Cañiza, através do portal paraguaio ABC Color, os indivíduos acusados pelo sequestro de Ayla foram localizados após intenso trabalho de inteligência telemática.
Em outras palavras, houve um rastreamento dos sinais telefônicos em trabalho conjunto da Polícia Civil, Comando Bipartite e do Departamento Antissequestro, como aponta a Polícia Nacional do país vizinho.
Abordado, o masculino apresentou inicialmente uma identidade com o nome de "Weliton Aparecido Lopes dos Santos", entretanto, os agentes logo identificaram que o indivíduo na verdade tratava-se de Alex Melo de Abreu.
O dito Alex Melo de Abreu possuiria em seu desfavor um mandado em aberto, além de uma pena de 19 anos a cumprir por homicídio. Esse crime teria sido cometido a mais de 2,7 mil quilômetros de distância da Capital do Mato Grosso do Sul.
Há cerca de quatro anos, em 25 de fevereiro de 2022, no município amazonense de Apuí, Alex teria atropelado uma adolescente identificada como Mikaelly Vitória Silveira Ramos, de 16 anos. Dirigindo um Gol G5, o impacto foi tão grande que chegou a arremessar o corpo da vítima do outro lado da rua.
Após causar o acidente e fugir sem prestar socorro, Alex teria abandonado o carro em outro bairro, veículo este localizado com engradados de cerveja no interior.
O indivíduo que inclusive se passava falsamente à época por policial militar afastado das funções "para atrair mulheres", como bem revelado pelo portal Apuí On Line na data do crime, época em que já possuía mais de uma dezena de passagens por crimes como:
- embriaguez ao volante
- estelionato;
- furtos;
- lesão corporal no contexto da Lei Maria da Penha,
Preso ontem (09) em PJC junto de Suzilaine da Graça Costa após entrarem clandestinamente no Paraguai através de Ponta Porã, o casal foi posteriormente pelas autoridades paraguaias e deportado de volta para o Brasil.
Relembre
Toda essa situação de sequestro de uma bebê com menos de um mês de vida começou a ser contada a partir da ótica de um caso de cárcere, envolvendo uma adolescente, que seria a mãe de Ayla, e sua irmã, de 17 e 13 anos respectivamente.
Em entrevista ao Correio do Estado, a madrinha da bebê chegou a contar que a adolescente conheceu uma mulher em um grupo de doações no WhatsApp. Segundo ela, a suspeita inicialmente doou roupas para a criança e, dias depois, ofereceu um ensaio fotográfico. Como o encontro não aconteceu, a mulher teria feito uma proposta de trabalho para a jovem.
Ela cita que essa adolescente teria aceitado cuidar de um bebê de seis meses pelo valor de R$100, recebendo autorização para levar a própria filha. Ela foi até o endereço acompanhada de Ayla e da irmã, de 13 anos, que iria ajudar a mãe da bebê durante o trabalho.
Ainda conforme a madrinha, ao chegarem ao imóvel, as duas adolescentes foram surpreendidas por pessoas que as renderam.
"Eles abordaram elas, amarraram elas e trancaram uma no banheiro e a outra em um quarto com a neném. Elas ficaram lá até por volta de uma da manhã, quando foram soltas em um terreno baldio, nas proximidades da Avenida Guaicurus", afirmou.
Após serem libertadas, as adolescentes caminharam de volta para casa. Desde então, a bebê não foi mais encontrada. A família informou que tentou localizar o imóvel onde elas haviam sido levadas, mas não conseguiu encontrá-lo. O celular da mãe também não foi devolvido.
A Polícia Militar informou que realizou o primeiro atendimento da ocorrência, mas que o caso está sob responsabilidade da Polícia Civil. A corporação informou ainda que, até o momento, a ocorrência não é tratada oficialmente como sequestro, e que as circunstâncias ainda estão sendo apuradas.
"A equipe da PM fez o primeiro atendimento e, como elas não recordavam direito das informações, todas foram levadas para a delegacia. As diligências seguem com a equipe da Polícia Civil", informou.
Ainda ontem (08), um suposto envolvido chegou a ser preso e ouvido. Localizado em ação conjunta dos agentes da Depca com membros da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestro (Garras), esse indivíduo seria o proprietário da casa emprestada para esconder a criança.
Amber Alert
Longe dos braços da genitora desde a última quinta-feira (06), na busca por Ayla Mato Grosso do Sul chegou a usar pela primeira vez o alerta na plataforma "Amber Alert Brasil", programa estabelecido nos Estados Unidos e adotado nacionalmente pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Através do programa, as autoridades podem ativar um comunicado especial encaminhado para as plataformas da Meta, que passa a publicar o alerta em um raio de até 160 quilômetros do local de onde o fato foi registrado.
"As informações foram compartilhadas nas redes sociais, incluindo Facebook e Instagram, ampliando o alcance do alerta e mobilizando a sociedade", cita a Polícia Civil do Mato Grosso do Sul em nota.
Na manhã desta segunda-feira (10) as equipes da Depca estavam no município de Ponta Porã para ouvir os envolvidos.
Além da prisão do casal no Paraguai, um outro suposto envolvido chegou a ser preso e ouvido ainda no sábado (08), indivíduo esse que seria o proprietário da casa emprestada para esconder a criança. Esse homem, até a manhã desta segunda-feira (10) ainda permanecia detido sob o poder das autoridades.
As forças de segurança indicam que a investigação segue em curso para tentar esclarecer toda a dinâmica de como Ayla foi tirada da mãe e qual o trajeto após o sequestro, bem como identificação da possível participação de demais integrantes na organização e execução do crime.

