Cidades

ENFERMAGEM

Conselho 'abre guerra' aos cursos de enfermagem de má qualidade

Presidente do Cofen também declarou ser contra cursos à distância

THIAGO GOMES

17/02/2017 - 15h29
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O combate aos cursos de formação de má qualidade, tanto os superiores para enfermeiros, quanto os médios, para técnicos e auxiliares, é a grande guerra a ser travada pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) neste ano. Pelo menos é o que assegurou, hoje, em Campo Grande, o presidente do colegiado, Manoel Carlos Neri da Silva.

Segundo ele, “esta será uma batalha sem trégua”, pois não há como admitir cursos de má qualidade como os que têm proliferado no Brasil. Nesse contexto, há também campanha aberta contra os cursos à distância de enfermagem, modalidade que tem crescido nos últimos anos. Hoje são pelo menos 36 cursos dessa natureza.

Manoel Neri lembrou que na última quinta-feira, representante do Cofen, acompanhada do deputado Orlando Silva (PCdoB/SP), esteve com o ministro da Educação, Mendonça Filho, tratando do tema. O deputado é autor do projeto de lei que proíbe a graduação de enfermeiros e formação de técnicos de enfermagem por ensino a distância.

O Conselho Federal apresentou dados sobre a oferta de cursos presenciais e não presenciais, reforçando o posicionamento a favor do ensino presencial e de qualidade. Ao destacar o absurdo de um curso de enfermagem EaD, o presidente ressaltou que é uma atividade que exige conhecimentos teórico-práticos e habilidades que precisam ser desenvolvidas em contato com pacientes.

Levantamento realizado pelos conselhos regionais constatou condições precárias na oferta de cursos não-presenciais, como a falta de laboratórios, biblioteca ou condições mínimas de apoio. A maioria dos polos não oferece sequer condições para a prática de estágio supervisionado.

EM CAMPO GRANDE

Durante a semana, Manoel Neri e outros conselheiros federais estiveram reunidos em Campo Grande, na 486ª Reunião Ordinária de Plenário (ROP) do Cofen. Durante o encontro foram discutidos assuntos a respeito de temáticas relacionadas ao exercício profissional da Enfermagem, revisão e discussão de legislações do exercício profissional  e questões administrativas do Sistema Cofen/Conselhos Regionais.

Na ROP também foram discutidas com todos os conselheiros do Plenário as principais demandas relacionadas à formação do profissional de enfermagem, políticas públicas da área de saúde, especialmente, relacionadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Anualmente, o Cofen realiza quatro reuniões descentralizadas, fora de Brasília, para aproximação com os colegiados regionais.

frio

Mato Grosso do Sul registra menor temperatura do ano

Iguatemi bateu os 2 na manhã desta segunda-feira (11)

11/05/2026 08h35

Casaco, luva, touca, cachecol e calça fazem parte do look do campo-grandense neste frio

Casaco, luva, touca, cachecol e calça fazem parte do look do campo-grandense neste frio MARCELO VICTOR

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Mato Grosso do Sul registrou a menor temperatura do ano na manhã desta segunda-feira (11). A 41 dias do inverno, o frio já chegou com tudo em Mato Grosso do Sul.

O Estado registrou várias temperaturas de apenas um dígito, às 5 horas desta segunda-feira (11), em dezenas de municípios. 

Iguatemi bateu recorde de frio e registrou os 2 nas primeiras horas do dia.

Esta é a primeira onda de frio de 2026, que deve durar cinco dias, de sexta-feira (8) a quarta-feira (13).

Veja as temperaturas registradas às 5 horas desta segunda-feira (11):

Casaco, luva, touca, cachecol e calça fazem parte do look do campo-grandense neste frio*Fonte: Cemtec

Chuva, ocorrida na sexta-feira (8) e sábado (9), antecedeu a primeira onda de frio do ano, com grande acumulado em alguns municípios. Confira o volume de chuva ocorrido nas últimas 72 horas:

Casaco, luva, touca, cachecol e calça fazem parte do look do campo-grandense neste frio*Fonte: Cemtec

Frente fria atingiu o Estado na sexta-feira (8) e deve se afastar na quarta-feira (13). Sexta (8), sábado (9) e domingo (10) foram de muito frio em Mato Grosso do Sul.

A segunda-feira (11) e terça-feira (12) também devem ser extremamente geladas. Na quarta-feira (13) o tempo começa a esquentar. Na quinta-feira (14) o calor já volta com tudo.

Defesa Civil de Campo Grande também alertou sobre a queda brusca de temperatura, com riscos de hipotermia e morte. Há suspeita de que três pessoas morreram de frio, neste fim de semana, em Mato Grosso do Sul. 

A entidade pede atenção com a população mais vulnerável, como enfermos, moradores de rua, idosos e crianças. Além disso, abrigar animais domésticos dentro de casa nas noites mais frias.

Abrigo da prefeitura, localizado no Parque Ayrton Senna, está montado e recebe moradores de rua, pessoas em situação de vulnerabilidade social e animais nas noites mais frias.

ONDA DE FRIO

Onda de frio é um evento climático caracterizado por uma queda significativa na temperatura do ar, que permanece abaixo de um determinado limiar por vários dias consecutivos.

Também é caracterizada pelo arrefecimento do ar, com rápida queda de temperatura em um período de 24 horas. Esse fenômeno pode causar geada, e em alguns locais, até neve.

Normalmente, está associada à irrupção de ar muito frio causada pelo deslocamento de uma massa de ar polar ou de alta latitude para latitudes mais baixas.

RECOMENDAÇÕES

De acordo com o Inmet, o ser humano deve tomar cuidados indispensáveis durante o frio. Confira:

  • Se agasalhe
  • Beba água
  • Evite tomar banhos muito quentes, mas sim mornos
  • Continue usando protetor solar
  • Evite ambientes pouco ventilados
  • Hidrate a pele
  • Cuide da alimentação
  • Não se exponha ao tempo
  • Proteja extremidades como mãos, pés e cabeça, porque perdem calor rapidamente
  • Evite permanecer com roupas úmidas
  • Mantenha-se hidratado mesmo sem sentir muita sede
  • Prefira alimentos quentes e nutritivos
  • Use hidratante corporal e protetor labial

 

Clandestinos

Tráfico de pessoas a partir de Corumbá entra na mira de investigação da Abin

Principais alvos são bolivianos que, segundo a apuração da agência, são aliciados para trabalhar em confecções de São Paulo

11/05/2026 08h08

Fronteira com a Bolívia concentra muitas investigações sobre entrada irregular de migrantes

Fronteira com a Bolívia concentra muitas investigações sobre entrada irregular de migrantes Foto: Rodolfo César

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A Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que tem escritório em Campo Grande, confirmou que mapeou e está apurando formas de combate ao tráfico de pessoas a partir de Corumbá.

O órgão federal reconheceu que grupos especializados têm atuado de forma consistente em Mato Grosso do Sul para promover o aliciamento de bolivianos para trabalharem em fábricas clandestinas de confecção em São Paulo. 

A rota envolvendo diferentes destinos na Bolívia, cruzando a fronteira para o Brasil por Corumbá e indo para São Paulo a partir de ônibus clandestinos, foi classificada como uma das mais antigas do País.

Esse detalhamento envolve um dossiê inédito, de 80 páginas, que foi elaborado pela Abin e definido como “Contrabando de Migrantes no Brasil: uma análise de inteligência”. Além da agência, a ONU Migração – Organização Internacional para as Migrações no Brasil (OIM) – e a Casa Civil do governo federal ajudaram a produzir o documento. 

“A discussão do documento somará as políticas públicas voltadas para o combate ao contrabando de imigrantes e provocará debates importantes”, afirmou a diretora de Promoção dos Direitos Humanos no Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), Cândida Souza.

O Correio do Estado produz reportagens que abordam a situação, principalmente, desde 2022.
A rota identificada a partir de Corumbá tem um agravante que envolve uma diversidade de crimes relacionados com a atuação de organizações criminosas que vêm se especializando no território. 

“Os crimes suspeitos de transcorrerem nessa área abrangem contrabando de migrantes, tráfico internacional de pessoas e trabalho em condições análogas à escravidão, sendo complexa a diferenciação desses tipos penais nos processos de persecução”, definiu o relatório.

Nessa rede de aliciadores estão envolvidos brasileiros e bolivianos. Recentemente, possivelmente por conta da rentabilidade que os crimes acabam gerando para as organizações criminosas, outras nacionalidades também passaram a se envolver no esquema. 

Em geral, há sempre uma promessa de oportunidades, com anúncios divulgados por falsos empregadores. 

Quando os bolivianos aceitam a proposta e entram no Brasil, seus documentos acabam retidos ilegalmente, dificultando medidas de intervenção de autoridades e gerando medo nos estrangeiros.

“A maioria dos bolivianos aliciados são adultos, economicamente vulneráveis, de ambos os sexos, que conhecem a proposta de viagem via redes sociais, rádios on-line e nas rodoviárias das cidades bolivianas de Puerto Suárez e Puerto Quijarro, fronteiriças com Corumbá. No destino, uma parcela desse contingente ocupa vagas na indústria têxtil, por vezes em situação análoga à escravidão”, reconheceu a Abin.

O superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, Carlos Henrique Cotta D’Ângelo, afirmou que, além de bolivianos, paraguaios também têm sido vítimas desse tipo de tráfico a partir do Estado.

“Não só a Bolívia tem se revelado uma fonte de mão de obra irregular, de mão de obra similar à escrava para o Brasil, como também o país vizinho, Paraguai, na utilização no plantio de determinadas culturas, também na fabricação de cigarros. Os bolivianos em regra vão para a indústria têxtil nos grandes centros como São Paulo, Rio e Minas Gerais. Já fizemos várias operações nesse sentido e também nessa área revela-se importantíssima a cooperação e interagência. Não há como a Polícia Federal atuar sozinha. Então, o Ministério do Trabalho tem sido grande parceiro na identificação dessas organizações e na inibição desse que é um crime terrível e uma grande mazela social também”, declarou D’Ângelo ao Correio do Estado.

DESVIAR FISCALIZAÇÃO

O primeiro passo que os chamados coiotes, que são os atravessadores, executem para garantir a ilegalidade dos migrantes é atravessar a fronteira Bolívia-Brasil sem realizar o registro de saída do país de origem. 

Tanto em território boliviano, como no Posto Esdras, é possível transitar livremente sem apresentar documentação por conta dos acordos que existem entre os países e que buscam incentivar o fluxo de cidadãos fronteiriços. 

Os criminosos utilizam essa condição para justificar às vítimas que o registro de saída do país não é necessário.

“Para ingresso no território brasileiro, os migrantes utilizam tanto a passagem oficial no Posto Esdras, que é o Ponto de Migração Terrestre em Corumbá, onde se encontra a aduana e se operacionaliza o controle migratório, quanto caminhos alternativos – as chamadas cabriteiras. Assim, cruzam a fronteira em direção ao Brasil a pé, em veículos organizados pelos coiotes (vans conhecidas como vagonetas) ou contratam taxistas e motoristas de aplicativo. Por vezes, migrantes venezuelanos também utilizam essas vans e táxis para a entrada irregular”, identificou a agência de inteligência.

Até mesmo um trajeto passando por área sob administração do Exército Brasileiro é utilizado pelos coiotes e acaba feito a pé.

Esse caminho corta um pequeno riacho, quase seco atualmente, e é conhecido como “Trilha do Gaúcho”. 

Além de migrantes ilegais, essa trilha serve também para contrabando de diferentes produtos. Por ela, as pessoas passam nas adjacências de postos da Receita Federal e da Polícia Federal.

Depois que estão no Brasil, o trajeto até São Paulo é feito por ônibus, alguns deles clandestinos. Dois dos postos policiais dos quais os criminosos não conseguem desviar ficam na ponte Poeta Manoel de Barros, que fica no Rio Paraguai, e no Guaicurus (município de Miranda), ambos da Polícia Rodoviária Federal.

Contudo, os veículos acabam fazendo trajetos alternativos passando por Maracaju, Rio Brilhante e Nova Alvorada do Sul para chegarem a São Paulo.

A estrada-parque, MS-228, rota alternativa da BR-262, é outro trajeto usado pelos ônibus clandestinos.

ATRAVESSADORES

Para garantir que os migrantes possam cruzar a fronteira, os atravessadores cobram a partir de R$ 50 por pessoa para percorrerem até 25 quilômetros em uma região conhecida como El Carmen de la Frontera até chegar à zona urbana de Corumbá.
J

á com relação à retenção de documentos, os criminosos cobram valores como R$ 150 para que os migrantes consigam acessar os próprios pertences, quando há retenção de malas e outros objetos pessoais.

As passagens clandestinas que são feitas até São Paulo custam entre R$ 200 e R$ 500 por pessoa. 

“Atualmente, estima-se que entre oito e dez ônibus clandestinos por dia realizam a rota em ambos os sentidos (Corumbá-São Paulo). Algumas empresas realizam o chamado ‘circuito fechado’, quando a lista de passageiros dos trechos de ida e volta é a mesma e existe um período de permanência específico no destino. Na prática, no entanto, essas empresas acabam realizando o circuito aberto de forma irregular, além de utilizar autorização de transporte como forma de propaganda para cooptar passageiros”, detalhou o relatório.

Todo esse esquema também envolve a atuação de olheiros para vigiar possível fiscalização em cabriteiras e no Posto Esdras. 

“A análise de Inteligência contribui para a relevância do debate e tomada de decisões, sendo uma iniciativa corajosa e responsável. Nenhuma instituição é capaz de atuar sozinha. Entendemos que se trata de um crime transacional complexo que ameaça a soberania dos Estados. A rede de criminosos traz danos físicos, psicológicos e sociais, e em se tratando de mulheres e meninas, há também violência sexual e de gênero”, reconheceu a chefe de programas da OIM no Brasil, Michelle Barron.

* Saiba

Somente entre os dias 20 janeiro e 23 de fevereiro, a Polícia Federal em Corumbá conseguiu identificar sete pessoas envolvidas na promoção de migração ilegal de bolivianos com destino a São Paulo. Nessas ações, cerca de 100 pessoas foram identificadas como migrantes ilegais.

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