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ESPANHA-PREFEITO

Disputa política faz prefeito de cidade espanhola trabalhar de graça

Disputa política faz prefeito de cidade espanhola trabalhar de graça

Folha Press

19/08/2015 - 12h04
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Espartinas, no sudoeste espanhol, é um pequeno povoado como outros tantos no país. Exceto pelo fato de que seu novo prefeito, encurralado por disputas políticas, não recebeu um tostão durante os dois últimos meses. José María Fernández, 35, eleito em maio neste município de 15 mil habitantes pelo partido Ciudadanos, teve de retornar a seu trabalho anterior de desenvolvimento de web. Até a semana passada, quando foi visitado pela reportagem, ele cumpria sua função na prefeitura apenas às quinta-feiras, das 8h às 15h.

A situação deve ser regularizada nestes próximos dias, depois que Fernández conseguiu contornar a oposição e estabelecer um acordo. Para além do curioso de que houvesse um "prefeito-voluntário", a história de Espartinas dá conta dos recentes tremores na política espanhola, enquanto o país tenta adaptar-se ao surgimento de novos atores e ao aparente declínio do bipartidarismo.

Espartinas foi governada por 32 anos pelo PP (Partido Popular), de direita. Mais do que isso, a cidade era território de uma mesma família, e o cargo passou de mãe para filho depois da morte de María Regla Jiménez, em 2003. A fortaleza política do PP ali, cercado por municípios onde governava o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), fez com que Espartinas fosse apelidada de "Gália" -como no gibi francês "Asterix" os gauleses estão encurralados pelos romanos.

É um dos locais com maior renda per capita da Espanha. Mas o enredo espanhol ganhou novos protagonistas nas eleições municipais de maio. Depois de menos de um ano de campanha, o partido Ciudadanos (centro-direita) conquistou a prefeitura e irritou os tradicionais governantes e opositores ali. "Eles se incomodaram porque um partido incipiente chegou ao poder em pouco tempo, e assumiram posições que não eram construtivas", diz Fernández à reportagem em seu gabinete.

Fernández havia recorrido, em sua campanha, a críticas contra o salário do prefeito anterior e a situação dos cofres públicos. Quando ele apresentou, em 10 de julho, sua proposta de orçamento, ela foi bloqueada pelo PP e pelo PSOE. Ficou, assim, sem receber salário.

A pressão exercida pelo PP era uma modalidade de chantagem. À reportagem Javier Jiménez, representante do partido nesse município, afirmou que condicionava a aprovação do salário de Fernández a duas atitudes. Em primeiro lugar, que o novo prefeito fosse a público e afirmasse que, apesar de suas críticas ao PP, também ele ia "viver de política".

Além disso, que desmentisse suas afirmações de que há um rombo nas contas de Espartinas. Fernández recusou-se a ambos os pedidos. O PSOE, por sua vez, bloqueava o salário de Fernández para conseguir, depois de 32 anos de oposição, finalmente fazer parte do governo. Em 12 de agosto, o partido conseguiu entrar em acordo com o prefeito e deve, agora, dividir as responsabilidades na prefeitura.

"É claro que a vitória do Ciudadanos nos surpreendeu", afirma Ignacio Rubio, representante do PSOE em Espartinas. "Mas eles colheram os frutos da oposição que fizemos por 32 anos." Fernández receberá o equivalente a R$ 15 mil por mês, mas não há salário retroativo, e os últimos 60 dias na função de prefeito terão sido "trabalho voluntário".

O PP e o PSOE descreveram a gestão do Ciudadanos em Espartinas como inexperiente, em sua insistência em governar sem aliados mesmo sem ter recebido a maioria absoluta no pleito. Fernández não é, de fato, político. Casado e com três filhos, ele mudou-se para essa cidade há dois anos, fugindo dos altos custos de vida em Sevilha. E só decidiu concorrer à prefeitura porque estava desgostoso com a gestão do então prefeito do PP. É seu primeiro cargo público.

"Nunca estive filiado nem militei. Mas, quando cheguei a Espartinas, vi que havia um descontentamento generalizado. Não havia monitores no ensino infantil, na escola dos meus filhos, e o PP dizia que faltava verba. Enquanto isso, o prefeito anterior fazia obras-fantasma."

A inexperiência, nesse caso, parece ter contado a favor. Não apenas em Espartinas mas também ao redor do país, espanhóis têm-se demonstrado exaustos de uma política tradicional marcada pela corrupção e pelos resultados insatisfatórios. Em Madri, foi eleita em maio a prefeita Manuela Carmena, representando uma união de partidos que inclui o esquerdista Podemos, um das novas forças políticas no país. Em Barcelona, a vencedora foi Ada Colau, que também faz parte de uma lista apoiada pelo Podemos.

"O bipartidarismo era uma alternância cômoda, em que os partidos se alternavam pelo que de ruim o outro havia feito, e não devido ao seu bom trabalho. Agora isso acabou", afirma Fernández.

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"Mais louco do Brasil" recebe ultimato para combater megaerosão

Justiça impôs multa diária de R$ 100 mil caso o prefeito de Ivinhema e a Agesul não tomarem providências para combater erosão

20/12/2025 19h30

Água de dois bairros sem drenagem provou erosão de 3,8 quilômetros na margem de rodovia na saída de Ivinhema para Angélica

Água de dois bairros sem drenagem provou erosão de 3,8 quilômetros na margem de rodovia na saída de Ivinhema para Angélica Ivinotícias

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Apesar de uma gigantesca erosão estar ameaçando destruir uma rodovia estadual, a MS-141, que está sob a responsabilidade do Governo do Estado, o prefeito Juliano Ferro, que se autodenomina "o mais louco do Brasil, também recebeu um ultimato da Justiça para que tome providências para tentar acabar com o problema. 

Segundo denúncia do Ministério Público acatada pela Justiça, a erosão ocorre porque falta drenagem no conjunto habitacional Salvador de Souza Lima e no Residencial Solar do Vale. A água destes dois bairros acabar descendo pela margem da MS-141, na saída de Ivinhema para Angélica, e provoca a erosão que se estende por cerca de 3,8 quilômetros.

E, por conta do risco de acidentes e por causa do grande volume de terra que foi arrastado para propriedades rurais vizinhas, a Justiça determinou multa diária de R$ 100 mil para a prefeitura, a Agesul (resposponsável pela manutenção da rodovia) e ao Governo do Estado caso não adotem medidas imediatas para conter a erosão. 

Mesmo com liminar anteriormente deferida, as fortes chuvas das últimas semanas agravaram o cenário e ao longo da última semana a promotoria realizar novas diligências no local e voltou à Justiça para exigir a imposição da multa, no que foi atendida..

Durante as vistorias, foram identificadas valas com cerca de 10 metros de largura e até dois metros de profundidade às margens da rodovia, além da exposição de tubulações de esgoto, que ficaram vulneráveis a rompimentos. 

De acordo com a promotoria, a situação representa risco concreto e iminente de acidentes de grandes proporções, inclusive com possibilidade de vítimas fatais, em um trecho por onde trafegam diariamente ônibus, veículos leves e caminhões pesados.

Diante dos novos fatos, o Promotor de Justiça Allan Thiago Barbosa Arakaki peticionou nos autos destacando a piora do quadro e a ameaça à segurança viária, à saúde pública e ao meio ambiente.

Ao analisar os documentos e fotografias apresentados pelo MPMS, o juiz Rodrigo Barbosa Sanches acolheu os pedidos e determinou que os requeridos iniciem, em até cinco dias, ações emergenciais para conter o escoamento das águas pluviais, realizem a manutenção dos sistemas de drenagem e apresentem, em até 60 dias, relatório técnico com as providências adotadas e os resultados obtidos.

Além da atuação judicial, o MPMS também dialogou com proprietários rurais afetados pelos danos, esclarecendo que prejuízos patrimoniais individuais poderão ser objeto de reparação específica.

Por conta desta terra e de outras erosões, o Córrego Piravevê, que desemboca no Rio Ivinhema e separa os municípios de Angélica e Ivinhema, praticamente desapareceu. O leito foi completamente tomado pela terra e a promotoria também já recorreu à Justiça para tentar obrigar a prefeitura e o Governo do Estado a fazerem a recuperação.

O Correio do Estado procurou o prefeito Juliano Ferro em busca de informações para saber se alguma providência já foi adotada nos dois bairros que dão origem à erosão, mas ele não deu retorno. 

 

 

atraso nas chuvas

Nível do Rio Paraguai começa a subir e traz alento à mineração

Nos últimos 12 dias subiu 24 centímetros na régua de Ladário, mas ainda está longe de alcançar o nível ideal para o transporte de minérios

20/12/2025 18h30

Parte dos embarques de minérios é feita próximo da área urbana de Ladário, mas o volume maior ocorre em Porto Esperança

Parte dos embarques de minérios é feita próximo da área urbana de Ladário, mas o volume maior ocorre em Porto Esperança

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Depois de chegar a 3,31 metros na régua de Ladário no dia 16 de julho, o nível do Rio Paraguai estava baixando ininterruptamente até o dia 8 de dezembro, quando atingiu a mínima de apenas 24 centímetros. Depois disso, começou a subir, mas tardiamente. No ano passado ele começou a subir quase dois meses mais cedo.

E, apesar de até agora as chuvas terem sido escassas na região norte de Mato Grosso do Sul e no sul de Mato Grosso, o nível do rio está melhorando nos últimos 12 dias e neste sábado amanheceu  em 54 centímetros. O nível ainda está longe do necessário, mas já traz alívio para o setor de transporte de minérios, que está praticamente parado faz dois meses. 

Nos dez primeiros meses do ano foram escoados, segundo dados da Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq), 7,6 milhões de toneldas de minérios pela hidrovias, batendo todos os recordes de movimentação. Incluindo grãos e outros produtos, o volume transportado pelo Rio Paraguai chega a 8,2 milhões de toneladas em dez meses de 2025.

Em 2023, que até então era o melhor ano do setor, o volume de minérios havia chegado a 5,6 milhões de toneladas nos dez primeiros meses do ano. Naquele ano, porém, havia muito mais água no rio e o pico da cheia chegou a 4,24 metros. Depois que ultrapassa os quatro metros em Ladário o rio começa a transbordar e a alagar a planície pantaneira.

No ano passado, quando atingiu seu pior nível da história, com 69 centímetros abaixo de zero na régua de Ladário, as chuvas fortes chegaram mais cedo e o Rio Paraguai começou a subir já a partir do dia 17 de outubro. 

Por conta disso, no dia 20 de dezembro já estava em 94 centímetros, o que é 40 centímetros acima do nível em que amanheceu neste sábado (20). Estas chuvas logo no início da temporada, em setembro do ano passado, foram fundamentais para que o transporte de minérios fosse retomado logo no começo de 2025.

O cenário, porém, será diferente no começo de 2026. Sem as dragagens que estão previstas no projeto de concessão da hidrovia, o nível ideal para o transporte é acima de 1,5 metro. Porém, as barcaças ainda descem pela hidrovia, com volume menor, até que o rio tenha em torno de um metro na régua de Ladário. 

E, como até agora os rios subiram pouco na região sul de Mato Grosso, a pespectiva é de que o nível em Ladário só chegue a 1,5 metro depois de janeiro, atrapalhando o transporte de minérios no primeiro mês do ano. Em janeiro de 2025, por exemplo, foram despachadas 521 mil toneladas de produtos. No final do mês o rio já estava em 1,34 metro. 

O nível se manteve acima de um metro até o dia 20 de outubro deste ano. No dia primeiro daquele mês ainda estava em 1,79 metro, mas recuou rapidamente e no final do mês estava em apenas 66 centímetros. Mesmo assim, segundo a Antaq, ainda foram despachadas 678 mil toneladas de minérios, o que equivale ao volome de cerca de 14 mil carretas bi-trem somente em outubro. 

TRIBUTÁRIOS IMPORTANTES

Embora os rios Miranda e Aquidauana desemboquem no Rio Paraguai abaixo da régua de Ladário, a água destes dois tributários é fundamental para melhorar a navegabilidade. E, esta semana foi a primeira vez que ambos superaram a marca dos quatro metros, segundo dados do Imasul. 

Na sexta-feira (19), em Aquidauana, o rio com o mesmo nome da cidade alcançou 4,56 metros, o que ainda é 1,5 metro abaixo do nível de alerta. Somente quando supera os 7,3 metros é que entre em situação de emergência. Ou seja, já se passaram quase quatro meses do período de chuvas e o Aquidauana não encheu nenhuma vez. 

Situação parecida ocorreu com o Miranda. Após as chuvas do começo da última semana, ele chegou a 4,48 metros na régua instalada próximo à cidade de Miranda. Ele também só entra em situação de emergência depois que ultrapassa os 7 metros, o que não aconteceu nenhuma vez na atual temporada de chuvas. 

O Rio Coxim, por sua vez, chegou a entrar em nível de alerta ao longo da última semana, ultrapassando os quatro metros. Mas, depois de alcançar 4,16 metros começou a baixar. Somente depois que ultrapassa os cinco metros é que se considera que ele encheu. 

O Rio Piquiri, na divisa com Mato Grosso, que entra em situação de emergência somente depois que ultrapassa os 5,8 metros, estava em apenas 2,12 metros nesta sexta-feira, apesar das chuvas que atingiram a região ao longo da semana. 


 

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