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É falso que governo tenha criado "Ceia para Todos" em parceria com a Seara; conteúdo leva a golpe

O vídeo usa elementos visuais de emissoras de TV distintas para passar um efeito de verdade, o que não se sustenta

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É falso que o governo federal tenha criado o programa “Ceia para Todos”, em parceria com a Seara; vídeo usa trecho de reportagem do Jornal da Globo sobre repatriação de brasileiros vindos de Israel e forja imagens e elementos visuais da Globo e da CNN para dar aparência de notícia ao conteúdo inventado; a voz do repórter foi manipulada com uso de inteligência artificial.

Conteúdo investigadoVídeo que supostamente noticia a criação de um programa do governo federal chamado “Ceia para Todos”. O programa promoveria descontos de até 90% na compra de produtos para a ceia de Natal em parceria com a Seara.

Onde foi publicado: Facebook.

Conclusão do Comprova: É falso que o governo federal tenha criado um programa chamado “Ceia para Todos” em parceria com a Seara, oferecendo desconto de até 90% na compra de produtos da ceia de Natal. O vídeo usa de forma fraudulenta um trecho do Jornal da Globo de 11 de outubro de 2023, sobre a repatriação de brasileiros que estavam em Israel, e faz uma montagem com imagens de outras reportagens em supermercados.

A voz do repórter também foi alterada com o uso de inteligência artificial. Uma análise feita por um perito consultado pelo Comprova aponta que apenas nos primeiros quatro segundos o áudio é da reportagem original, enquanto o restante foi produzido por meio de softwares de inteligência artificial utilizando a voz do repórter, o que fica evidente por meio de emendas encontradas ao longo do áudio.

Além disso, o vídeo usa elementos visuais de emissoras de TV distintas para passar um efeito de verdade, o que não se sustenta. O vídeo, por exemplo, começa com uma transmissão do Jornal da Globo, apresentado pela jornalista Renata Lo Prete, mas tem um cabeçalho da emissora concorrente CNN.

Ao indicar que as pessoas cliquem em um link para saber mais sobre o assunto e inserir o CPF para saber se está apto a participar, o conteúdo ainda leva o público a cair em golpes.

Falso, para o Comprova, é o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma falsidade.

Alcance da publicação: O Comprova investiga os conteúdos suspeitos com maior alcance nas redes sociais. Até 6 de novembro, o vídeo compartilhado no Facebook tinha 26 mil visualizações, 236 curtidas e 187 comentários.

Como verificamos: O primeiro passo foi pesquisar se existe algum programa do governo federal oferecendo ceia de Natal ou desconto em produtos da ceia. Para isso, o Comprova fez uma busca no Google e questionou a Secretaria de Comunicação da Presidência da República. Também foi procurada a marca Seara, citada no vídeo como uma suposta parceira do governo federal no programa.

Em seguida, foi feita uma busca reversa de imagens na tentativa de localizar a edição do Jornal da Globo que teve um trecho utilizado no vídeo e apontar sobre qual assunto a reportagem falava.

Por fim, foi consultado o professor de Engenharia de Informação da Universidade Federal do ABC (UFABC) Mario Gazziro, que analisou o vídeo e, por meio de um software, identificou emendas no áudio que comprovam que apenas os quatro primeiros segundos fazem parte da reportagem original, enquanto no restante a voz do repórter foi forjada com uso de ferramentas de inteligência artificial.

Não existe programa “Ceia para Todos”

De acordo com o governo federal, não existe um programa chamado “Ceia para Todos”, nem uma convocação para que as pessoas se cadastrem para comprar produtos com desconto. Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República disse que conteúdos assim têm se espalhado, geralmente associados a nomes de marcas, mas são falsos.

“É muito difícil uma ação do Governo Federal estar vinculada a marcas, quanto mais a uma única. Dentro desse detalhe, é preciso notar que uma única empresa dificilmente daria conta de uma demanda para o Brasil inteiro, um país de dimensões continentais”, diz a nota.

O Comprova procurou a Seara, empresa citada na peça de desinformação, mas não recebeu resposta até a publicação desta checagem. O UOL Confere, porém, verificou o mesmo conteúdo e notou que no site oficial da empresa havia um aviso indicando que não possui parcerias com governos, nem solicita pagamento de PIX para benefícios filantrópicos. O aviso não está mais disponível no site.

Vídeo usa trecho de reportagem sobre repatriação de brasileiros de Israel

Os primeiros segundos do vídeo viral mostram a jornalista Renata Lo Prete, âncora do Jornal da Globo, conversando com o repórter Victor Boyadjian, de Brasília (DF). O conteúdo capta uma primeira frase dita por Victor: “Oi, Renata, boa noite pra você, pra todos! De fato, já tá bem perto”.

Em seguida, há um corte abrupto na fala e a imagem muda para uma cena comum gravada em supermercado, com pessoas comprando produtos usados na ceia de Natal. A narração também muda e a intenção é fazer parecer que o próprio repórter noticia que o prazo para as inscrição no suposto programa está perto do fim.

O vídeo original, contudo, não tem nenhuma relação com um programa “Ceia para Todos”, nem fala sobre compras de Natal. O assunto tratado era a chegada de um segundo voo da Força Aérea Brasileira (FAB) ao Brasil trazendo 214 cidadãos brasileiros repatriados de Israel, logo após o Hamas atacar a capital Tel Aviv, em 7 de outubro.

O que estava “bem perto”, segundo o repórter, não era o fim do prazo para se inscrever no programa, e sim o pouso da segunda aeronave, no Rio de Janeiro. O conteúdo completo pode ser visto na edição do Jornal da Globo de 11 de outubro de 2023, a partir do minuto 16:28.

Voz do repórter foi forjada usando inteligência artificial

Segundo Mario Gazziro, professor da UFABC, a partir do momento em que as imagens de supermercado aparecem no vídeo, a voz usada não é mais a original do repórter, e sim um áudio feito por meio de softwares de inteligência artificial.

A voz do repórter foi treinada nesses programas para que lesse o texto presente na “matéria”. Cada trecho foi emendado com partes de silêncio idênticas o que, segundo o especialista, comprova que se trata de desinformação. Ao todo, foram identificados cinco trechos onde ocorrem as emendas, como mostra a imagem abaixo.

| Imagem mostra trechos onde há emendas no áudio da gravação, o que comprova o uso de inteligência artificial (Material cedido ao Comprova).

“Eles utilizaram os mesmos cinco trechos de silêncio digital, gravado pelo microfone, para emendar as partes do áudio geradas por softwares de IA. Ao contrário do que se pensa, o silêncio digital nunca é a ausência total de informações. Na verdade, o silêncio carrega o chamado ruído de conforto e através dessas emendas podemos constatar tecnicamente que se trata de conteúdo fake”, diz.

O perito salienta que a escolha pelo repórter se deu justamente pela grande quantidade de material disponível, o que facilitaria o treinamento dos softwares para a reprodução do áudio.

“Não seria possível, por exemplo, reproduzir a voz de uma pessoa que não tenha tanto material público disponível para a realização do treinamento”, explica.

Um caso semelhante ocorreu recentemente com o ministro da Justiça e Segurança Pública Flávio Dino, como mostrou o Estadão Verifica. No áudio, o ministro supostamente dizia que seu objetivo era “arruinar a economia”. Porém, uma análise apontou que o áudio também foi gerado por ferramentas de deepfake, que usa técnicas de inteligência artificial.

Conteúdo leva a golpe

Na legenda do vídeo publicado no Facebook, a autora do conteúdo pede que as pessoas cliquem em “Saiba mais” para saber se estão aptas a receber o benefício. Uma vez na página, as pessoas são levadas a clicar em um segundo link para “verificar se o seu CPF cumpre os requisitos para o programa”. O governo federal alerta para o risco de que as pessoas caiam em golpes como este.

“Os usuários podem, por exemplo, ser colocados diante de cadastros que vão capturar dados como telefone celular e CPF. Outra armadilha são as taxas fictícias que os autores desses golpes cobram dos usuários desprevenidos”, diz nota publicada no site do governo.

O governo recomenda que, em caso de dúvidas sobre políticas públicas, as pessoas consultem o site Gov.br.

O que diz o responsável pela publicação: A autora da publicação foi procurada através de mensagem direta no Facebook, mas não respondeu até a publicação desta checagem.

O que podemos aprender com esta verificação: O uso de inteligência artificial tem se popularizado entre os desinformadores. Neste caso, além de utilizar a técnica para forjar a voz do repórter, a publicação também usa logos de emissoras distintas e parte do trecho de uma publicação original.

Em situações como essa, é importante que a pessoa desconfie do formato da notícia e identifique possíveis elementos que tragam controvérsias. Também é importante pesquisar em canais oficiais sobre a veracidade da informação.

Por que investigamos: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas e eleições no âmbito federal e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: O suposto programa “Ceia para Todos” já foi checado em novembro pela equipe do Uol Confere, que mostrou que os anúncios são falsos.

Além disso, o Comprova já investigou outros conteúdos onde houve adulteração nas imagens e áudios nas publicações, como por exemplo: Vídeo distorce voz de Lula para alimentar teoria conspiratória; e Vídeo de mulher com rosto de Lula e delegado parecido com Bolsonaro é uma sátira.

INTERIOR

PM atira pelas costas de suspeito de triplo homicídio e câmera flagra execução

Polícia Militar tomou conhecimento e afastou agentes que teriam atirado pelas costas de Wellington dos Santos Vieira, o "Bola"

02/04/2026 13h00

Sem divulgar a identidade dos agentes até o momento, a PMMS destacou que os policiais envolvidos foram afastados

Sem divulgar a identidade dos agentes até o momento, a PMMS destacou que os policiais envolvidos foram afastados Reprodução

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Após circularem pelas redes sociais imagens de circuito interno, mostrando que um dos suspeitos pelo crime de triplo homicídio registrado em Anastácio teria sido executado com um tiro pelas costas, a Polícia Militar do Mato Grosso do Sul determinou o afastamento dos agentes envolvidos. 

Esse caso começou após duas pessoas serem encontradas mortas dentro da própria casa, sendo que a própria filha do casal, de 26 anos, foi presa sob a suspeita de que teria encomendado a morte dos pais: Maria Clair Luzni, de 46 anos, e Vilson Fernandes Cabral, de 50 anos. 

Wellington dos Santos Vieira, um dos indivíduos que teria sido contratado para executar o crime, foi morto na madrugada da última terça-feira (31) e imagens de câmeras de segurança desmentem a versão inicialmente apresentada pelos policiais. 

Conforme consta no boletim de ocorrência, Wellington, conhecido como "Bola", teria atacado um dos policiais com uma faca, que por sua vez teriam efetuado disparos em resposta para preservarem a própria vida.

No entanto, através do vídeo nota-se que "Bola" aparece correndo antes de receber tiros nas costas, caindo imediatamente no chão em seguida. Confira: 

Sem divulgar a identidade dos agentes até o momento, a Polícia Militar do Mato Grosso do Sul emitiu uma nota pública à imprensa, destacando que os policiais envolvidos foram afastados, dizendo que "eventuais excessos não refletem o padrão de atuação" da força de segurança nos 79 municípios sul-mato-grossenses. 

Com isso, por meio da Corregedoria-Geral e do trabalho do 7° Batalhão de Polícia Militar, os agentes suspeitos pela morte de "Bola" foram afastados das funções, sendo instaurado ainda um procedimento administrativo para apuração e responsabilização das condutas.

Segue abaixo, na íntegra, a nota divulgada através da PMMS: 

"A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS) informa que tomou conhecimento de vídeo, na cidade de Anastácio/MS, envolvendo policiais militares em atuação operacional, e enfatiza que eventuais excessos não refletem o padrão de atuação dos nossos homens e mulheres, que trabalham diuturnamente em todos os 79 municípios do estado, buscando sempre garantir a segurança da população sul-mato-grossense.

Ressaltamos que a Instituição não coaduna com desvios de conduta ou procedimentos que extrapolem os limites operacionais estabelecidos em nossas doutrinas e diretrizes.

Assim que tomou conhecimento, a PMMS por intermédio do 7º BPM e de sua Corregedoria-Geral, já identificou os militares envolvidos, que foram prontamente afastados de suas funções, e instaurou o procedimento administrativo cabível para apuração dos fatos e responsabilização das condutas, com posterior aplicação das sanções consideradas cabíveis.

A Polícia Militar permanece à disposição da sociedade, reafirmando que ações individuais não podem refletir no respaldo do trabalho cotidiano realizado pela nossa tropa". 

Relembre

Em depoimento à Polícia Civil de Anastácio, Maria de Fátima Luzini, de 26 anos, confessou que foi a mandante do assassinato do casal, porém, afirmou aos agentes que o plano inicial era apenas dar um "susto" na mãe e no pai. 

Toda essa situação teria saído do controle, resultando na execução a facadas dos dois, crime que aconteceu ainda na quinta-feira (26 de março), com os corpos localizados apenas após 48 horas. 

Logo no dia seguinte, David Vareiro Machado foi encontrado morto, sendo esse um dos principais suspeitos de ter participado da execução do casal.

Conforme repassado pela delegada Tatiana Zyngier, a morte de David estaria diretamente associada a um desacordo comercial entre ele e os mandantes do assassinato, mais especificamente "uma briga por valores em razão de um serviço prestado", o crime contra o casal. 

Investigação mais detalhada concluiu que Wendebrson Haly Matos da Silva, companheiro de Maria de Fátima, matou David depois de "desentendimentos comerciais". 

Semelhante ao crime que assolou a família  von Richthofen, quando Manfred e Marísia foram mortos a pauladas pelas mãos dos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, se confirmadas as acusações contra Maria de Fátima e Wendebrson Haly, eles devem responder por homicídio qualificado e serem penalizados com reclusão de 12 a 30 anos, conforme o Código Penal.
**(Colaborou Felipe Machado)
 

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Educação

Pé-de-Meia reduz abandono escolar em 55% em dois anos em MS

Com 64 mil estudantes beneficiados, o programa evitou a evasão escolar e reduziu em 49% as reprovações

02/04/2026 12h54

Crédito: Antonio Cruz / Agência Brasil

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Em 2026, o Programa Pé-de-Meia completa dois anos desde sua criação. Nesse período, colaborou para que a evasão escolar no ensino médio caísse 55% em Mato Grosso do Sul.

No total, 64.393 estudantes sul-mato-grossenses têm sido beneficiados desde a implementação do incentivo, o que corresponde a 45% do total de alunos das redes públicas no Estado.

A política de investimento do Governo Federal tem auxiliado jovens a permanecer na escola.

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Educação, em 2022, a taxa de abandono escolar era de 5,1%. Em 2024, caiu para 2,3%.

Outro resultado importante foi o recuo na taxa de reprovação em 49% no mesmo período. Já o atraso escolar (distorção idade-série) apresentou queda de 25% entre 2022 e 2025.

Investimento

O programa contemplou 5,6 milhões de estudantes em todo o país, com investimento de R$ 18,6 bilhões, resultando na diminuição da taxa de abandono escolar em quase metade (43%).

Como incentivo para continuar na escola, estudantes do ensino médio recebem R$ 200 por mês, desde que mantenham a frequência escolar, além de R$ 1 mil por ano concluído com aprovação.

Cabe ressaltar que as parcelas mensais podem ser utilizadas imediatamente, contribuindo para despesas dos estudantes. Já o valor anual de R$ 1 mil é depositado em uma conta poupança e só pode ser sacado após a conclusão do ensino médio.

Além disso, o participante que realiza o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) recebe uma parcela extra no ano de conclusão.

Quem pode participar?

O programa é voltado a estudantes de famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), com renda de até meio salário mínimo por pessoa.

Do total de beneficiários em Mato Grosso do Sul, desde o início do programa, 52,7% são meninas e 58,7% são negros (pretos e pardos).

Nos dois anos, 4.658 estudantes indígenas receberam o incentivo no Estado.
 

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