Cidades

BURITI

Em Brasília, Azambuja tenta destravar negociação de área ocupada por indígenas

O governo federal continua oferecendo R$ 80 milhões pelas terras em Sidrolândia

DA REDAÇÃO

29/01/2015 - 08h30
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Para tentar “melhorar” a proposta de indenização do governo federal aos proprietários da área Buriti, ocupada por indígenas, em Sidrolândia (MS) – com negociação parada há cerca de quatro meses –, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) se reúne hoje (29) com o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, às 12h, em Brasília. Este mês, a União apresentou uma nova minuta do acordo. Este encontro é importante porque os produtores rurais se sentem “com a corda no pescoço” para aceitar a proposta que prevê o pagamento de cerca de R$ 80 milhões em precatórios – título do governo – para resgatar  em 2016 ou 2017, além de terem de abrir mão de recorrer à Justiça no futuro para receber possíveis prejuízos.

“Estamos resistindo dentro dos limites condicionados pelas normas que eles (governo federal) nos impõe”, enfatizou Ricardo Bacha, um dos proprietários de terra na área, completando que “estão nos forçando a um acordo pelo cansaço. Isso não é acordo, é imposição”. O produtor rural disse que o acordo é prejudicial aos proprietários porque o valor de avaliação apresentado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) é de R$ 80 milhões, enquanto perícia feita pelos donos da terra avaliou em R$ 152 milhões, e pediram à União a indenização entre R$130 milhões e R$150 milhões.

Também existe a exigência da União para que os fazendeiros abram mão de recorrer à Justiça no futuro, possibilitando apenas que aceitem uma nova perícia – desta vez feita pelo poder judiciário –, na qual o valor pode ser revisto. Mas, segundo Bacha, não há garantia de que o valor fique próximo do que estão pedindo.O presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), Chico Maia, disse que o Ministro da Justiça na Mesa de Negociação do Fórum para Demarcação de Terras Indígenas, no ano passado, explicou que a indenização dos produtores só poderia ocorrer no valor estipulado pelo Incra, por isso o impasse continua.

Depois de setembro não houve nova reunião pública dos integrantes da Mesa de Negociação. De acordo com o Ministério da Justiça, este colegiado continua em funcionamento, e a data da próxima reunião será marcada pelo próprio Ministro, que participa do processo. Também em Brasília, às 14h30min, Reinaldo Azambuja realiza audiência com a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu.

A reportagem, do correspondente em Brasília Clodoaldo Silva, está na edição de hoje do jornal Correio do Estado.

 

falta de chuvas

Estudo aponta que Rio Paraguai tende a enfrentar outro ano crítico em 26

Projeção de boletim divulgado quarta-feira pelo Serviço Geológico do Brasil diz que nível pode ficar 17 centímetros abaixo de zero daqui a seis meses

27/02/2026 12h49

Em 2023 o nível em Ladário chegou a superar a marca de quatro metros, nível em que começa a transbordar

Em 2023 o nível em Ladário chegou a superar a marca de quatro metros, nível em que começa a transbordar

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Por conta de precipitação 16% abaixo da média histórica na bacia do Rio Paraguai ao longo dos cinco primeiros meses da chamada estação das chuvas, um estudo do Seviço Geológico do Brasil estima que no segundo semestre de 2026 o nível do rio pode voltar a ficar abaixo de zero na régua de Ladário, que serve de referência desde 1900. 

O estudo, divulgado na última quarta-feira (25), aponta que no mais pessimista dos cenários, o nível esteja em 17 centímetros abaixo de zero já no final de agosto. Porém, assim como ocorre normalmente, a queda tende a ocorrer até meados de outubro e por conta disso existe possibilidade de o cenário ser parecido ao de 2024, quando foir registrado o mais baixo nível de história, 69 centímetros abaixo de zero.

Os analistas levaram em consideração 15 cenários semelhantes ao atual registrados nos últimos 125 anos e fizeram duas projeções de um possível nível do rio ao final de seis meses (24 de agosto).

No dia 25 de fevereiro o nível estava em 1,12 metro em Ladário. Na melhor das comparações, feita com o ano de 1928, na mesma época, o rio estava em situação parecida ao de agora e seis meses depois estava em 81 centímetros . Este é o melhor dos cenários, já que naquele ano ocorreram chuvas tardias.

Porém, se a comparação for com um cenário severo, como ocorreu em 1964, o estudo aponta que a tendência é de que o nível volte a ficar abaixo de zero (-17) no final de agosto. Naquele ano, no final de setembro, a mínima foi de 61 centímetros abaixo de zero. Essa marca somente foi superada em 2024, quando atingiu 69 centímetros abaixo de zero.

O boletim divulgado na quarta-feira também revela que, além de chuvas 16% abaixo da média em toda a bacia do Rio Paraguai, na estação de Ladário foram registrados apenas 551 milímetros desde o começo de setembro. 

A média histórica de Ladário é de 946 milímetros por ano hidrológico, que vai de setembro a abril. E este baixo volume de chuvas está fazendo com que o rio esteja bem abaixo do normal. A média para esta época é de 2,16 metros. Agora, está mais de um metro abaixo da média.

Em 2023 o nível em Ladário chegou a superar a marca de quatro metros, nível em que começa a transbordarBOLETIM SGB DO DIA 25 DE FEVEREIRO

No ano passado, no dia 25 de fevereiro o rio já estava em 1,5 metro, já que chuvas intensas foram registradas já no final de 2024 nas regiões sul de Mato Grosso e norte de Mato Grosso do Sul. Em 2024, porém, o nível aida estava em 81 centímetros no dia 25 de fevereiro. 

Mesmo assim, o máximo que o rio atingiu  no ano passado foi de apenas 3,31 metros. Para efeito de comparação, em 2018,ano da última cheia do Pantanal, o pico chegou 5,35 metros na régua de Ladário. 

E, apesar de não ter sido registrada cheia em 2025, o ano foi marcado pelo recorde no transporte pelo hidrovia pelo Rio Paraguai. Dados da Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq) revelam que o volume chegou a 9,45 milhões de toneladas. 

O volume foi 185% maior que no ano anterior, quando foram 3,3 milhões de toneladas. Somente de minérios foram 8,76 milhões de toneladas, maior volume já registrado na história.  


 

Campo Grande

Prefeitura promete R$ 45 milhões para obras de recapeamento

Com o processo de licitação em fase final, a expectativa é que os contratos sejam assinados em abril

27/02/2026 12h22

Crédito: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Prefeitura Municipal de Campo Grande informou nesta sexta-feira (27) que receberá investimento de R$ 45 milhões para recapeamento nas sete regiões urbanas da cidade.

Segundo a administração municipal, a licitação está em fase final e a expectativa é de que a assinatura dos contratos ocorra em abril.

“Acreditamos que até o fim de abril estaremos com todos os contratos assinados, podendo ser renovados anualmente por até dez anos”, explicou o secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, Marcelo Miglioli.

O modelo seguirá o formato utilizado no serviço de tapa-buracos, com divisão em lotes. As empresas contratadas irão executar o recapeamento conforme o planejamento repassado pela Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep).

O recurso está disponível, e o município também trabalha para ampliar os investimentos junto ao Governo do Estado, além de manter conversas com as bancadas federal e estadual.

“Estamos garantindo mais investimentos para melhorar a mobilidade urbana e a qualidade de vida da população de Campo Grande. Vamos atender as sete regiões da cidade. Esse trabalho é resultado de planejamento e responsabilidade com os recursos públicos. Nosso compromisso é cuidar da cidade inteira, com planejamento e respeito ao cidadão”, garantiu a prefeita Adriane Lopes.

Tapa-buracos

Como acompanhou o Correio do Estado, que conversou com um especialista, os R$ 197 milhões gastos com o serviço de tapa-buracos nos últimos quatro anos poderiam ter sido usados para realizar o recapeamento de 200 a 300 quilômetros de vias durante esse período.

De acordo com o portal de Transparência da Prefeitura de Campo Grande, existem sete contratos ativos que realizam o tapa-buraco, cada um responsável por uma região da cidade (Anhanduizinho, Bandeira, Centro, Imbirussu, Lagoa, Prosa e Segredo).

A grande maioria dos contratos foi assinada entre julho e agosto de 2022, com exceção dos contratos das regiões Bandeira e Lagoa, que foram celebrados no mês passado.

Todos têm duração de um ano, com possibilidade de prorrogação por mais cinco anos, e estão sob responsabilidade de duas empresas: Construtora Rial e RR Barros Serviços e Construções.

Durante esses quatros anos, os contratos já consumiram, pelo menos, R$ 197.340.972,61, contando o valor original e os aditivos. Contudo, para muitos campo-grandenses, o serviço não resolve o real problema das vias da cidade, já que tem caráter paliativo e emergencial, não sendo uma solução no longo prazo.

Ao Correio do Estado, a engenheira civil Rocheli Carnaval explica que o recapeamento asfáltico pode ser uma solução melhor que o tapa-buraco, mas a escolha depende de outros fatores e, geralmente, as chuvas influenciam muito nessa decisão – inclusive, este fevereiro já é o mais chuvoso da década.

“As fortes precipitações aceleram a deterioração do pavimento asfáltico, principalmente quando a água se infiltra em camadas superiores, reduzindo a coesão dos materiais e intensificando a formação de buracos, deformações e trincas”, explica Rocheli.

“O que não quer dizer que as chuvas são as causadoras dos danos nos pavimentos, elas apenas deixam à mostra o estado precário de uso e conservação deles. Nesse contexto, é fundamental que a escolha entre serviços de tapa-buracos e recapeamento asfáltico seja rigorosamente orientada por critérios técnicos e pelo princípio de eficiência no uso dos recursos públicos”, completa a especialista.

A engenheira reforça que há trechos da Capital que precisam de outra solução além do tapa-buraco, visto que o serviço “não corrige as causas profundas do problema, gerando necessidade de frequentes intervenções e, sob a ótica do custo ao longo do tempo, pode resultar em dispêndios superiores aos de uma reabilitação estruturada”.

Ela também cita que, em média, o montante de quase R$ 200 milhões poderia render entre 200 km e 300 km de recapeamento.

“Pode ser que isso não seja suficiente para resolver todos os problemas, porém, é um investimento que faz com que você tenha uma vida útil muito maior”, pontua.

** Colaborou Felipe Machado

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