Cidades

Mato Grosso do Sul

Em carta ao Governo, índios Terena ameaçam retomar "fazenda por fazenda"

Indígenas reafirmam as ações de ocupação de terras e exigem apoio

Jornal Observador

13/12/2014 - 19h00
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Os indígenas Terena, que moram em Mato Grosso do Sul, ameaçam, em carta ao Governo Federal, retomar “fazenda por fazenda” que esteja na terra indígena Taunay / Ipegue, ainda não demarcada oficialmente.

“Não há por parte do governo brasileiro nenhuma intenção de dar prosseguimento à demarcação de terras. É triste o facto de que nosso povo tenha de se organizar para buscar o território através das ações de retomada”, já que existirá “enfrentamento com capangas”, afirmou Lindomar Ferreira, 40 anos, do povo Terena.

Na madrugada do último dia 28, 200 indígenas Terena viram-se envolvidos com seguranças armados numa das fazendas de Mato Grosso do Sul, onde haviam montado um acampamento.

E, é por conta desses confrontos que agora enviam uma carta formal ao governo, reafirmando as ações de ocupação e exigindo apoio.

“Não aceitamos que o governo falte com vontade política para resolver nosso impasse, que passa de geração a geração. Os que não morrem, ficam enfermos”, acrescentou Lindomar Ferreira.

O processo de demarcação de 33 mil hectares da terra indígena Taunay/Ipegue iniciou-se na década de 1980, mas foi suspenso em 2010 pela Justiça, após ações de fazendeiros da região. Em abril deste ano, a decisão judicial foi revogada, e, desde então o povo Terena aguarda a expedição de uma portaria do governo federal que dê continuidade ao processo.

Atualmente, afirmou Lindomar Ferreira, entre seis e sete mil indígenas Terena vivem em três mil hectares de terra, o que é insuficiente para sua subsistência. “O espaço não oferece perspetiva de vida, a terra está cansada e não temos espaço para produzir o nosso próprio alimento. Sempre vivemos da agricultura”, afirmou.

O restante da área reivindicada pelo povo Terena integra atualmente fazendas de criação de animais. Segundo Lindomar, as ocupações são pacíficas e, assim que as famílias chegam se instalam na terra, costumam levar arroz, feijão e açúcar para cultivo, além de lonas para o acampamento, com a esperança de fixar residência. Entretanto, sofrem retaliações de seguranças.

“A gente sabe que, se lutar, corre o risco de morrer. Mas, se ficarmos de braços cruzados, morremos do mesmo jeito”, disse.

Lindomar Ferreira realçou que os indígenas se apoiam em instituições como o Ministério Público e a Fundação Nacional do Índio (Funai) para denunciar a violência e obter proteção. Apesar da disposição para reivindicar as terras, ele reconhece que, em 2015, o panorama não é favorável.

“A perspetiva é a de que a luta seja mais difícil, vemos um Congresso mais conservador e um governo reeleito que retrocedeu na nossa questão. Para o segundo mandato, esperamos que a presidente deixe transparecer uma imagem melhor, de quem já sofreu e lutou contra abusos”, disse o indígena, referindo-se à atuação política de Dilma Rousseff durante a ditadura militar brasileira.

SEGURANÇA

MS se junta a Mato Grosso, Paraná e São Paulo para combater facções criminosas

Estados vão atuar em conjunto na fiscalização das rodovias onde estão os principais pontos para escoamento de drogas

06/05/2026 08h25

Secretário de Segurança Pública falou sobre a importância da cooperação entre as forças policiais

Secretário de Segurança Pública falou sobre a importância da cooperação entre as forças policiais Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Agentes policiais de Mato Grosso do Sul vão trabalhar em conjunto com servidores de Mato Grosso, do Paraná e de São Paulo para combater facções criminosas, especialmente na fiscalização de rodovias que são usadas para o escoamento de drogas.

Durante a abertura da 4ª Conferência de Inteligência Financeira e Recuperação de Ativos (Cirajud 2026), evento que acontece em Campo Grande até amanhã, uma das autoridades presentes foi o delegado Antônio Carlos Videira, titular da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS).

Ao Correio do Estado ele explicou que uma das principais ações para o combate ao tráfico de drogas no Estado é a cooperação conjunta com outras forças policiais, além também da atuação conjunta com países e estados vizinhos.

“Nós temos que atuar sempre integrados, não só as forças de segurança estadual, municipal e federal, como também dos estados e países vizinhos. Essas organizações criminosas disputam espaço, principalmente para a utilização das rodovias de Mato Grosso do Sul para escoamento de cocaína e maconha dos países vizinhos para os grandes centros consumidores, o que também tem gerado muitos homicídios”, pontua.

Diante disso, Videira confirmou que uma atuação em conjunto com as forças de Mato Grosso, do Paraná e de São Paulo está prestes a “sair do forno”, com o objetivo de fiscalizar justamente estas rodovias que acabam sendo trechos essenciais para as facções conseguirem transportar os ilícitos.

Também em conversa com a reportagem, o delegado Carlos Henrique Cotta D’Ângelo, titular da Superintendência Regional da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, afirmou que é impensável fazer um enfrentamento ao crime organizado sem a ajuda de outras forças de segurança, principalmente pelo Estado fazer fronteira com Paraguai e Bolívia, o que reforça a necessidade de cooperação na região.

“A grande quantidade de drogas que entram no território nacional são provenientes do estrangeiro. Nós temos o Paraguai como a fonte de maconha para o Brasil e temos Bolívia e Peru como os maiores produtores de cocaína. Então, a posição geográfica de Mato Grosso do Sul que enfrenta a realidade de dois países, Bolívia e Paraguai, é sem dúvida nenhuma um agravante para a questão do tráfico internacional de drogas e que tem chamado muito a atenção das autoridades daqui”, analisa.

“Hoje a Polícia Federal já se faz presente em mais de 30 países em todo o globo e um foco muito grande para aqueles países vizinhos, justamente os países fronteiriços. Nós temos fortes laços com Paraguai e Bolívia, onde policiais brasileiros estão nesses dois países e também policiais paraguaios e bolivianos estão conosco aqui no Brasil junto com a PF para fazer esse intercâmbio de informações e essa cooperação que é importantíssima”, completa.

Vale destacar que, somente este ano, as forças de segurança sul-mato-grossenses já apreenderam 3,5 toneladas de cocaína e mais de 170 toneladas de maconha.

No ano passado, o Estado deixou de ser o campeão brasileiro de apreensões de drogas, posição que tinha desde o início da década, ficando atrás do Paraná, que também faz fronteira com o Paraguai.

EVENTO

Desde ontem, Campo Grande está sediando a 4ª Conferência de Inteligência Financeira e Recuperação de Ativos, que vai até amanhã. Durante as 72h de evento, serão debatidas ações de cooperação entre as forças visando o combate ao crime organizado no Brasil.

Na abertura oficial, subiram à mesa para discursar: Antônio Carlos Videira (Sejusp-MS); Getúlio Monteiro de Castro Teixeira (Coordenador-Geral de Operações Integradas e Combate ao Crime Organizado); Romão Avila Milhan Júnior (Procurador-Geral de Justiça do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul); Dennis Cali (Diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da Polícia Federal – Dicor/PF); desembargador Dorival Renato Pavan (presidente do TJMS); e Jean Marcos Ferreira (Tribunal Regional Federal da 3ª Região).

Durante os discursos, a maioria das autoridades destacou a questão de Mato Grosso do Sul ser um dos estados que mais apreende drogas e agora estar sediando um evento desta importância para o meio da segurança pública e jurídica.

Ao final da cerimônia, as autoridades que subiram à mesa receberam uma homenagem da PF pela atuação contra o crime organizado.

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POLÍCIA

Agiota dominicano cobrava 500% de juros e ameaçava família dos devedores em Dourados

A Polícia Civil realizou a prisão do homem de 44 anos, pelo crime de extorsão e usura

06/05/2026 08h20

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Na tarde de ontem (5), a 2ª Delegacia de Dourados prendeu em flagrante um homem de 44 anos, natural da República Dominicana, suspeito da prática de extorsão e crime de agiotagem.

Segundo as vítimas, elas contraíram empréstimos de pequenos valores com o dominicano, e, em poucos meses, os juros ultrapassaram 500% do valor inicial, tornando a dívida impagável. A partir disso, passaram a receber graves ameaças.

Ainda de acordo com os relatos das vítimas, o autor as ameaçava com fotos dos filhos menores, afirmando que sabia onde estudavam e os lugares que frequentavam. Além disso, também dizia possuir arma e mencionava que outros estrangeiros trabalhavam com ele para cobrar as dívidas.

De acordo com a Polícia Civil, nos últimos meses, diversas denúncias semelhantes foram registradas em Dourados, envolvendo a prática de agiotagem com ameaças, especialmente com a participação de estrangeiros imigrantes.

Diante da gravidade dos fatos, o delegado responsável pelo caso determinou a realização de buscas para identificar e localizar o autor. Os policiais civis conseguiram encontrá-lo, sendo realizada a prisão em flagrante pelos crimes de extorsão e usura. Durante a abordagem, foi apreendido o aparelho celular utilizado nas ameaças.

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