A "Operação Água Turva", deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (GECOC) do Ministério Público, prendeu várias pessoas em Bonito nesta terça-feira (7), incluindo Luciane Cintia Pazette, diretora do departamento de licitações do município e esposa do vereador em exercício Pedro Aparecido Rosário (PSDB), conhecido como 'Pedrinho da Marambaia'. A ação, que investiga a atuação de uma suposta organização criminosa.
A prisão de Pazette foi confirmada por meio de um ofício do próprio GECOC, que solicitou à Delegacia de Polícia Civil a apresentação dela e de outros dois presos, Edilberto Cruz Gonçalves, secretário de finanças e administração, e Carlos Henrique Sanches Corrêa, para serem interrogados na 1ª Promotoria de Justiça de Bonito nesta tarde.
Em outra frente da mesma operação, Luiz Fernando Xavier Duarte também foi preso em flagrante por posse ilegal de uma pistola calibre .380, encontrada durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em sua residência. Ele foi solto no mesmo dia após pagar uma fiança de R$ 2 mil, mas segue como investigado.
A reportagem tentou contato com o gabinete do vereador Pedro Aparecido Rosário para um posicionamento, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
Vereador homenageou esposa por "transparência" 8 dias antes de prisão pelo GECOC
O vereador Pedro Aparecido Rosário (PSDB), o 'Pedrinho da Marambaia', foi o autor de uma Moção de Parabenização para a equipe de Licitações da prefeitura, que incluía sua própria esposa, Luciane Cintia Pazette. O documento, que elogiava o grupo por sua "legalidade, transparência e eficiência", foi protocolado na Câmara Municipal em 29 de setembro.
Apenas oito dias depois, em 7 de outubro, Pazette foi presa na "Operação Água Turva", conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (GECOC).
A prisão de Luciane, junto a outros suspeitos, faz parte de uma investigação sobre a atuação de uma organização criminosa na cidade.
Moção da polêmica
Na Moção nº 35/2025, o vereador Pedro Rosário descreve o setor de Licitações como o "coração pulsante da administração pública" e exalta os servidores por garantirem "a legalidade, a transparência e a eficiência na aquisição de bens e serviços essenciais para a população".
O texto continua, afirmando que "a dedicação, o profissionalismo e o rigor técnico demonstrados na condução dos trabalhos servem como exemplo e inspiração". Na lista de servidores homenageados no departamento de "Execução", o primeiro nome que aparece é o de Luciane Cintia Pazette.
A moção foi apresentada ao plenário em 29 de setembro de 2025, dias antes da operação do GECOC ser deflagrada, tornando o elogio público em um ato de profunda ironia diante das acusações que pesam agora sobre sua esposa.


