Cidades

MATO GROSSO DO SUL

Estado corta aposentadoria de PM 24 anos após escândalo no DOF

Tenente tem envolvimento no caso de policiais do Departamento de Operações de Fronteiras que facilitavam passagem de carros roubados e furtados no Brasil para venda no Paraguai e Bolívia

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Através do Diário Oficial do Estado, o Governo do Mato Grosso do Sul tornou público o corte da aposentadoria, bem como a remoção das possíveis medalhas e prêmios que Amarildo Garcia Hernandes possa ter conquistado por seus serviços enquanto policial militar, isso porque, há mais de duas décadas, esse era um dos nomes envolvidos no escândalo do Departamento de Operações de Fronteira (DOF). 

Conforme descrito na página 128 do Diário Oficial, além da perda de posto e patente, o Estado declara a exclusão de Amarildo das fileiras da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, que chegou atingir patente como segundo-tenente no quadro oficial. Confira: 

Relembre

Amarildo e outros 11 policiais passaram a ser investigados após a Polícia Militar Florestal do Estado atender duas ocorrências, em 9 de março de 2000, envolvendo camionetas no município de Rio Negro - distante cerca de 153 km ao norte da Capital -, sendo um veículo abandonado na estrada Transpantaneira e outra que estava atolada. 

Justamente ao prestar socorro aos ocupantes do carro atolado, que tinha placas frias de Campo Grande, começou a se desenrolar a teia do esquema que envolvia até mesmo os militares do Departamento de Operações de Fronteira (DOF). 

Quanto à sua participação específica no esquema, segundo consta em apelação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), as infrações ao Código Penal dos episódios de delito de Amarildo foram tipificados, inicialmente, da seguinte forma: 

  • Extorsão mediante sequestro| 10 anos de reclusão
  • Receptação| 1 ano e 8 meses de reclusão + multa

Com isso, o concurso material, ou seja, os distintos crimes praticados - conforme documento de 09 de dezembro de 2002 - somava uma pena total de 11 anos e 8 meses de reclusão mais o pagamento de 20 dias de multa. 

Conforme o TJ, pela extorsão mediante sequestro a prisão deveria ser cumprida integralmente em regime fechado, já que é classificada como crime hediondo segundo texto da Lei 8.072/90.

Braço forte, mão amiga

Apesar da condenação em Justiça Comum, de Amarildo e outros 11, cerca de dois anos depois, por meio de um recurso da defesa, o Supremo Tribunal Federal (STF) apontou pelo cancelamento do julgamento sob o argumento de que esses policiais deveriam ser julgados na Auditoria Militar. 

Entre os envolvidos estão o coronel Sebastião Otímio Garcia Silva, que chefiava o DOF à época; o então 1º sargento, Amarildo Garcia Hernandes, e também os seguintes militares: 

  • o subcomandante major Marmo Marcelino Vieira Arruda, 
  • o cabo Manoel João de Figueiredo e os soldados 
  • Sd. Carlos Aberto de Souza, 
  • Sd. Carlos Alberto Siqueira, 
  • Sd. Paulo Siqueira Barbosa,
  • Sd. Maurício Marques Niveiros (o Xuxa), 
  • Sd. Juvêncio Alves de Carvalho, 
  • Sd. Oziel Marques da Silva, 
  • Sd. Pedro Crizologo Santa e 
  • Sd. Marcos Leite.

Passadas 17 horas de julgamento realizado no Fórum de Campo Grande, ainda em novembro de 2004, as penas totais dos 12 envolvidos, segundo a Justiça Militar, somavam 77 anos de reclusão, ressaltando na sentença a preocupação em não deixar o escândalo manchasse a imagem da PM do Estado.

Porém, lançado o olhar sobre a sentença específica de Amarildo, nota-se que sua pena caiu para 11 anos e seis meses de reclusão, gerada pelos crimes de extorsão mediante sequestro. 
 

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Dança das cadeiras

Com mudança de última hora, Heitor Freire assume presidência da Santa Casa nesta quarta-feira

Imbróglio derruba a nomeação de Luiz Alberto Hiroki Kanamura, nome que seria oficializado como o novo presidente da instituição

22/09/2026 17h15

Foto: Divulgação

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Membro do Conselho de Administração da Santa Casa, Heitor Rodrigues Freire será nomeado o novo presidente da Santa Casa de Campo Grande nesta quarta-feira (23), imbróglio que em 24h derruba a nomeação de Luiz Alberto Hiroki Kanamura, nome que seria oficializado como o novo presidente da instituição.  

O novo mandatário retorna à presidência, cargo que deixou em janeiro de 2023 justamente para dar lugar à Alir Terra, presa no último dia 11, apontada como uma das líderes do esquema que apura desvios de quase R$ 5 milhões do hospital. 

Apesar da mudança interna, a cerimônia de oficialização dos novos gestores do hospital segue mantida. Conforme apurado pelo Correio do Estado, Luiz Kanamura seguirá como superintendente de Gestão Médico-Hospitalar, contudo será subordinado à Heitor Freire, que assumirá a presidência do hospital. 

"O cargo de presidente não possui remuneração, como ele [Heitor Freire] é um associado, assumirá a presidência. Com isso Kanamura será mantido como o superintendente-geral e será subordinado à presidência", declarou uma pessoa de dentro do hospital. 

Vice-presidente da instituição, Heitor Miguel Scheibeler ocupava a linha de frente de administração após a deflagração da Operação Antidotum no último dia 11, ação para investigar supostas fraudes milionárias em contratos da entidade. 

Presidente da Santa Casa de Campo Grande desde janeiro de 2023, Alir Terra Lima e outra cinco pessoas foram presas durante a operação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). 

Além dela, foram presos: Rinaldo Hakme Romano (Diretor financeiro do hospital); Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa (Diretor financeiro adjunto); Alessandro Dias Junqueira (Diretor administrativo); 
Monique Gregório de Oliveira (Supervisora do setor de prontuário) e Maurício Aparecido Benites (empresário investigado no esquema). 

No curso da investigação também foram identificadas irregularidades em contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde – empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande – com diversas empresas do mesmo grupo econômico, Duarte & Cruz.

Essas empresas, cujo proprietário, Paulo Duarte da Cruz, tinha ligações com a diretoria da Santa Casa, estavam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, encontrava-se desocupado.

Conforme o MPMS, somente no ano de 2025, a operadora pagou aproximadamente R$ 9,6 milhões para essas empresas, e gerou um prejuízo, no mínimo, segundo apurado até o momento, de R$ 3,5 milhões à entidade.
 

Atualizado às 17h40 para acréscimo de informações 

 

Passagem Secreta

Geladeira escondia passagem secreta para desmanche de motos em Campo Grande

Polícia Civil encontrou centenas de peças e motores no imóvel ligado à residência do empresário; três pessoas foram presas durante operação da Defurv, que investiga esquema de receptação, desmanche e revenda de peças de motocicletas roubadas.

22/09/2026 16h58

Viatura da Defurv acompanha retirada de peças apreendidas durante operação contra desmanche de motocicletas em Campo Grande.

Viatura da Defurv acompanha retirada de peças apreendidas durante operação contra desmanche de motocicletas em Campo Grande. Foto: Divulgação.

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Uma estrutura improvisada para esconder a ligação entre dois imóveis chamou a atenção da Polícia Civil durante uma operação contra a receptação e o desmanche de motocicletas em Campo Grande. Atrás de uma geladeira, investigadores encontraram uma passagem que conectava a residência do empresário Phellipe Rodrigues a uma casa vizinha onde, segundo a investigação, funcionava um desmanche.

Além da residência onde foi descoberta a passagem escondida e do imóvel vizinho apontado como local de desmanche, os investigadores realizaram buscas na oficina de motocicletas Moto Forte 67, localizada na Avenida Gury Marques, em Campo Grande.

A descoberta ocorreu nesta terça-feira (22), durante uma ação da Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv). O acesso permitia a circulação entre os imóveis sem a necessidade de utilizar as entradas voltadas para a rua.

Imagens registradas durante a operação mostram policiais afastando a geladeira e revelando a abertura na parede. Do outro lado ficava o imóvel onde os investigadores localizaram grande quantidade de componentes de motocicletas.

No espaço, foram encontradas centenas de peças e motores. De acordo com o delegado Francis Freire, dezenas desses itens já foram identificados como pertencentes a motocicletas furtadas ou roubadas.

Viatura da Defurv acompanha retirada de peças apreendidas durante operação contra desmanche de motocicletas em Campo Grande.Geladeira escondia passagem entre a residência do empresário e imóvel apontado pela polícia como local de desmanche. Foto: Reprodução/Policia Civil.

A análise, entretanto, ainda não foi concluída. A polícia trabalha agora para verificar a procedência do restante do material apreendido e identificar outros veículos que eventualmente tenham sido desmontados no local.

Além das peças e motores, os policiais apreenderam uma pistola de uso permitido. Conforme a investigação, a arma pertenceria ao empresário.

Três pessoas presas

Phellipe Rodrigues, a esposa dele e um funcionário foram presos em flagrante durante a operação. Segundo a Defurv, os três já eram investigados por suspeita de participação em um esquema envolvendo receptação, desmontagem de motocicletas e posterior revenda das peças.

Eles foram autuados por receptação qualificada e adulteração de sinal identificador de veículo automotor.

O empresário e o funcionário já haviam sido presos anteriormente pela Defurv pelos crimes de receptação e adulteração de sinal identificador de veículo automotor, mas estavam em liberdade.

Desde o início do ano, a delegacia investiga o destino de peças retiradas de motocicletas roubadas em Campo Grande.

Segundo a investigação, a oficina de Phellipe teria ligação com alguns dos principais pontos de comercialização desse tipo de material, que seria destinado tanto ao mercado interno quanto ao externo.

A polícia ainda apura para onde eram encaminhadas as peças encontradas durante a operação e se outras pessoas participavam do esquema.

A ação desta terça-feira envolveu o cumprimento de três mandados de busca e apreensão em endereços relacionados ao empresário.

A descoberta da passagem entre os dois imóveis passou a integrar os elementos reunidos pela investigação. A Polícia Civil também continua o trabalho de identificação das peças apreendidas para determinar a origem de todo o material encontrado e verificar a dimensão do esquema investigado.

 

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