Cidades

Primeiros Números

Crianças ainda têm pouco contato com números na educação infantil, aponta estudo

Pesquisa internacional revela que atividades de contagem e uso de números ainda têm espaço limitado na rotina de crianças pequenas e reforça a importância da matemática desde os primeiros anos.

Continue lendo...

O contato com números, quantidades, medidas e situações que estimulam o raciocínio matemático ainda está longe de fazer parte da rotina diária de todas as crianças na educação infantil. Pesquisa internacional da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que, em diversos países, menos de dois em cada três profissionais da área afirmam realizar diariamente atividades envolvendo contagem ou números com crianças pequenas.

Os dados fazem parte da Talis Starting Strong, pesquisa divulgada de forma inédita no Brasil em dezembro de 2025. O levantamento ouviu profissionais e gestores de creches e pré-escolas de 17 países e analisou as práticas adotadas no atendimento a crianças de até 6 anos.

O estudo revela um contraste dentro das salas de aula. Enquanto atividades relacionadas ao desenvolvimento socioemocional estão amplamente presentes na educação infantil, experiências voltadas à construção de noções matemáticas básicas, como contar, comparar quantidades, identificar sequências e reconhecer padrões, aparecem com menor frequência.

A diferença chama atenção porque é justamente nos primeiros anos de vida que situações aparentemente simples, como separar brinquedos, descobrir qual objeto é maior ou contar quantas peças existem em uma caixa, podem ajudar a construir habilidades utilizadas posteriormente durante toda a trajetória escolar.

Para Sonia Dias, gerente de Desenvolvimento e Soluções do Itaú Social, o aprendizado da matemática começa muito antes de a disciplina aparecer formalmente no currículo.

“A matemática não começa quando a criança encontra a disciplina no currículo escolar, mas quando conta brinquedos, percebe quantidades, compara tamanhos e resolve pequenos problemas no cotidiano. Quanto mais cedo essas experiências acontecem, maiores são as oportunidades de aprendizagem ao longo da vida”, explica.

Matemática vai além de aprender a contar

A definição utilizada pela OCDE é mais ampla do que simplesmente ensinar a sequência dos números. O chamado desenvolvimento matemático envolve contagem de objetos, jogos numéricos, comparação entre grandezas, como maior, menor, mais ou menos, identificação de sequências, noções de medidas e utilização da linguagem matemática em situações cotidianas.

São experiências que ajudam a estruturar o raciocínio lógico, favorecem a resolução de problemas e podem dialogar inclusive com o desenvolvimento da linguagem.

A própria OCDE destaca que ambientes ricos em experiências de numeracia durante a infância estão associados ao desenvolvimento de habilidades cognitivas e acadêmicas importantes ao longo da vida.

Os resultados, porém, apontam diferenças expressivas entre os sistemas educacionais analisados.

Conforme a pesquisa, em alguns países uma parcela elevada dos profissionais incorpora números e contagem à rotina das crianças, enquanto em outros essa prática está presente diariamente para uma proporção bem menor dos educadores.

A Espanha aparece entre os países com maior frequência desse tipo de atividade. Aproximadamente três quartos dos profissionais relatam trabalhar diariamente a contagem com as crianças. Em determinados países analisados, entretanto, o percentual fica próximo de apenas um terço.

Pesquisa mostra diferenças entre países na frequência com que profissionais da educação infantil utilizam jogos de números e palavras com crianças. Foto: Reprodução/OCDE.

O gráfico da pesquisa também permite observar diferenças entre a frequência de jogos envolvendo palavras e aqueles relacionados aos números. Em vários dos sistemas analisados, as brincadeiras voltadas à linguagem aparecem com maior presença na rotina dos profissionais.

Brasil ficou fora dessa etapa da pesquisa

Os números da Talis Starting Strong não permitem estabelecer qual é a situação das escolas brasileiras. Isso porque o Brasil não participou dessa etapa do levantamento internacional, o que impede uma comparação direta entre o País e os demais sistemas educacionais avaliados.

Experiências desenvolvidas em diferentes regiões brasileiras, no entanto, mostram maneiras de inserir conceitos matemáticos na educação infantil sem transformar a rotina das crianças em uma antecipação das aulas tradicionais do ensino fundamental.

A proposta é utilizar justamente elementos característicos da infância, brincadeiras, histórias, exploração dos espaços e objetos, para apresentar números, medidas, formas geométricas e situações que exigem raciocínio e tomada de decisão.

De amarelinha a Banco Imobiliário

Em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, uma experiência desenvolvida no Centro Municipal de Educação Infantil Sebastiana Rosa Carneiro Mello transformou o próprio alfabeto em ponto de partida para trabalhar diferentes conceitos.

A professora Sabrina Machado Ribeiro criou um projeto no qual brincadeiras sugeridas pelas crianças foram relacionadas aos conteúdos previstos no currículo.

Quando a turma chegou à letra “A”, a atividade escolhida foi a amarelinha. Além da brincadeira, o exercício permitiu explorar números, contagem, localização no espaço e formas geométricas.

Com a letra “B”, entrou em cena o Banco Imobiliário, utilizado para desenvolver práticas relacionadas à contagem e à organização.

“Por meio da ludicidade, nossa turma criava estratégias, resolvia problemas, tomava decisões de maneira autônoma e enfrentava desafios que exigiam raciocínio lógico e pensamento crítico”, relata Sabrina.

A experiência demonstra uma das possibilidades apontadas para a educação infantil: inserir a matemática em situações concretas, nas quais a criança precisa pensar para brincar, em vez de restringir o aprendizado à repetição de números.

Boneca aproxima números e cultura

No Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (ISERJ), outra iniciativa utiliza uma personagem para apresentar conceitos matemáticos.

A professora Jeane de Fátima Moreira Branco criou a boneca Maria, que conduz histórias nas quais números, objetos do cotidiano e elementos da cultura afro-brasileira aparecem de maneira integrada.

Durante as atividades de leitura, sementes, frutas e tecidos são distribuídos pela sala. Conforme a narrativa avança, as crianças precisam relacionar números às quantidades dos objetos apresentados.

A proposta também vai além da contagem. Os alunos confeccionam roupas e acessórios para a personagem e, nesse processo, utilizam régua, dobraduras e medições. Dessa forma, conceitos de tamanho, dimensão e medida passam a fazer parte de uma atividade concreta.

Escola vira laboratório de matemática

Em Erechim, no Rio Grande do Sul, a Escola Municipal de Educação Infantil Copas Verdes levou a experiência matemática para diferentes ambientes da própria unidade escolar.

Equipadas com fita métrica, régua e calculadora, as crianças medem espaços e utilizam as informações para construir um mapa da escola.

O trabalho inclui ainda a elaboração de miniaturas de construções conhecidas e a criação de labirintos utilizando materiais recicláveis. Assim, conceitos relacionados a medidas, proporções, formas e localização espacial aparecem durante atividades práticas.

“Quando a criança participa de propostas que fazem sentido e têm significado, ela constrói conhecimento sobre conteúdos matemáticos”, afirma a coordenadora da escola, Lucimara Sarginksi.

Aprender matemática antes mesmo de saber o que ela é

As experiências brasileiras integram projetos selecionados pelo edital Letramento Matemático, do Itaú Social, iniciativa destinada a apoiar práticas pedagógicas voltadas ao desenvolvimento do pensamento matemático.

Embora não representem um retrato nacional da educação infantil, os projetos mostram como conceitos tradicionalmente associados à matemática podem aparecer antes mesmo de a criança compreender que está lidando com a disciplina.

Contar as casas de uma amarelinha, descobrir quanto mede uma sala, separar determinada quantidade de frutas ou construir uma roupa para uma boneca são atividades que transformam conceitos abstratos em experiências concretas.

É justamente essa aproximação que os dados internacionais colocam em evidência. Mais do que antecipar conteúdos formais, o desafio está em garantir oportunidades para que números, quantidades, formas e medidas estejam presentes no cotidiano da criança de maneira compatível com cada faixa etária.

Nesse contexto, brincar também pode significar aprender a calcular, comparar, organizar e solucionar problemas, competências que começam a ser construídas muito antes da primeira aula formal de matemática.

Luto no Esporte

Torcedor morre durante partida de vôlei em Campo Grande

Fábio Rodrigues da Silva, de 42 anos, sofreu um mal súbito enquanto acompanhava a sobrinha de 15 anos, que estava em quadra; competição foi suspensa após a morte.

06/09/2026 14h58

Fábio Rodrigues da Silva, de 42 anos, morreu após sofrer um mal súbito enquanto acompanhava uma partida de vôlei em Campo Grande.

Fábio Rodrigues da Silva, de 42 anos, morreu após sofrer um mal súbito enquanto acompanhava uma partida de vôlei em Campo Grande. Foto: Reprodução Rede Social.

Continue Lendo...

O que deveria ser um fim de semana de decisões no voleibol de Mato Grosso do Sul terminou marcado por uma tragédia em Campo Grande. Fábio Rodrigues da Silva, de 42 anos, morreu após sofrer um mal súbito enquanto acompanhava uma partida da XV Copa Pantanal de Voleibol, neste sábado (5).

Fábio estava na arquibancada do ginásio do Colégio Oswaldo Tognini, da Funlec, no Bairro Chácara Cachoeira, quando passou mal. A sobrinha dele, Pietra Sobral, de 15 anos, participava da competição e estava em quadra no momento da ocorrência.

A Federação de Voleibol de Mato Grosso do Sul confirmou neste domingo (6) que o torcedor sofreu um mal súbito e recebeu atendimento da equipe de emergência. Foram realizadas tentativas de reanimação, mas ele não resistiu e morreu ainda no local.

Fábio Rodrigues da Silva, de 42 anos, morreu após sofrer um mal súbito enquanto acompanhava uma partida de vôlei em Campo Grande.
Ginásio do Colégio Oswaldo Tognini, em Campo Grande, onde Fábio Rodrigues da Silva passou mal durante competição de vôlei. Foto: Divulgação Funlec.

Por cerca de 40 minutos, equipes de emergência realizaram manobras de reanimação na tentativa de salvar Fábio, conforme relatos de testemunhas. Apesar dos esforços, ele não resistiu. A causa da morte ainda não havia sido divulgada oficialmente até a última atualização.

A entidade responsável pela competição afirmou que os protocolos previstos para situações de emergência foram adotados durante o atendimento.

Canpeonato suspenso

Diante da morte do torcedor, a Federação de Voleibol decidiu suspender a XV Copa Pantanal. A programação previa a continuidade das disputas neste domingo, mas as partidas foram interrompidas após o episódio.

A competição reunia equipes de Campo Grande, Dourados, Bonito e Chapadão do Sul e contava com apoio da Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul (Fundesporte).

O episódio ganhou ainda mais comoção pela relação de Fábio com a sobrinha. Conforme relatos de pessoas próximas, tio e sobrinha mantinham uma relação próxima, e ele costumava acompanhar Pietra nas competições e incentivar a trajetória da adolescente no esporte.

Após a confirmação da morte, entidades ligadas ao voleibol e à atleta divulgaram manifestações de pesar. A Escolinha do Pezão lamentou o ocorrido e prestou solidariedade às atletas, à comissão técnica e aos familiares do Campo Grande Vôlei.

Em nota, a instituição destacou que, diante da tragédia, a competição perdeu qualquer importância.

“Quando uma situação assim acontece, o esporte fica em segundo plano. Neste momento, nossa solidariedade e nossos sentimentos estão com a família”, afirmou.

A Escolinha do Pezão encerrou a manifestação desejando conforto aos familiares e amigos:

“Que Deus conforte o coração de todos.”

A Associação Esportiva Campo Grande Vôlei, equipe de Pietra Sobral, também manifestou pesar pela morte de Fábio e se solidarizou com a adolescente e seus familiares.

A Associação Esportiva Campo Grande Vôlei, equipe de Pietra Sobral, também publicou uma nota de pesar e destacou a proximidade de Fábio com a adolescente.

“Pietra, receba o abraço de toda a família Campo Grande Vôlei. Estamos juntos com você e sua família neste momento de profunda tristeza”, diz trecho da manifestação.

A associação classificou a morte como uma “despedida tão inesperada” e desejou força e conforto aos familiares e amigos de Fábio.

A Funlec, onde a competição era realizada, também lamentou a morte e manifestou condolências aos familiares e amigos de Fábio.

Despidida

O velório de Fábio Rodrigues da Silva está previsto para começar às 19h deste domingo, na Funerária e Pax Nipo Brasileira, localizada na Rua Treze de Maio, no Bairro São Francisco, em Campo Grande.

O sepultamento está marcado para as 10h desta segunda-feira (7), no Cemitério Santo Amaro, na Avenida Presidente Vargas, na Vila Santo Amaro.

Leia a nota na integra 

Nota de pesar Associação Esportiva Campo Grande Vôlei

A Associação Esportiva Campo Grande Vôlei manifesta, com profunda tristeza, seu pesar pelo trágico falecimento do Sr. Fábio, tio da nossa atleta Pietra Sobral.

Neste momento de imensa dor, nos solidarizamos com Pietra, seus familiares e amigos, desejando força e conforto para enfrentar uma perda tão difícil.

Não existem palavras capazes de diminuir a tristeza de uma despedida tão inesperada. Que permaneçam as boas lembranças, o carinho, os ensinamentos e todos os momentos vividos ao lado do Sr. Fábio.

Que Deus o receba em Sua luz, conceda descanso eterno à sua alma e ilumine e fortaleça o coração de todos os familiares e amigos.

Pietra, receba o abraço de toda a família Campo Grande Vôlei. Estamos juntos com você e sua família neste momento de profunda tristeza.

Nossos mais sinceros sentimentos.

 

Ação Policial

Jovem de 21 anos morre baleado durante abordagem da PM em Campo Grande

Segundo a Polícia Militar, Adrian, conhecido como "Bracinho", teria avançado contra os agentes com uma faca durante a ação no Jardim Colúmbia.

06/09/2026 14h25

Movimentação da Polícia Militar e da perícia na Rua Paranapebas, no Jardim Colúmbia, onde jovem de 21 anos morreu após ser baleado durante abordagem policial neste domingo (6).

Movimentação da Polícia Militar e da perícia na Rua Paranapebas, no Jardim Colúmbia, onde jovem de 21 anos morreu após ser baleado durante abordagem policial neste domingo (6). Foto: Reprodução.

Continue Lendo...

Uma ação policial terminou com a morte de um jovem de 21 anos no fim da manhã deste domingo (6), no Jardim Colúmbia, região norte de Campo Grande. Identificado como Adrian e conhecido pelo apelido de “Bracinho”, ele foi baleado durante uma abordagem da Polícia Militar em uma residência na Rua Paranapebas.

De acordo com informações preliminares, equipes da Polícia Militar realizavam diligências na região à procura do jovem e chegaram ao imóvel onde ele estava.

Segundo a versão da PM, durante a tentativa de abordagem, Adrian teria reagido e avançado contra os policiais armado com uma faca.

Diante da reação, os militares efetuaram disparos. O jovem foi atingido e chegou a receber socorro, sendo encaminhado para uma unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos.

Testemunhas também afirmaram a polícia que Adrian havia permanecido consumindo bebida alcoólica durante a madrugada e teria ficado no local até por volta das 3h deste domingo.

A informação faz parte dos relatos de moradores e ainda deverá ser confrontada com os elementos reunidos durante a investigação.

Diligências

Segundo informações atribuídas à polícia, as equipes realizavam buscas para localizar Adrian antes de encontrá-lo no Jardim Colúmbia. Ele seria suspeito de envolvimento em roubos registrados na região.

Entre os episódios investigados estaria uma tentativa de assalto ocorrida na última sexta-feira (4), em um estabelecimento comercial. Na ocasião, o suspeito teria utilizado uma faca para ameaçar o proprietário durante a ação.

As circunstâncias que levaram os policiais até a residência e a dinâmica completa da abordagem ainda deverão ser esclarecidas no decorrer da apuração.

Após o confronto, a área foi preservada para o trabalho da perícia. Equipes da Polícia Civil estiveram no endereço para realizar os levantamentos necessários, que deverão auxiliar na reconstrução da ocorrência.

A arma branca mencionada na versão inicial, eventuais imagens de câmeras de segurança e os depoimentos dos policiais e de testemunhas poderão integrar a investigação.

O caso deverá ser formalmente apurado pela Polícia Civil, responsável por esclarecer as circunstâncias da morte e verificar a dinâmica da intervenção policial.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).