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decisão judicial

Fisco cassa distribuidora de combustíveis instalada no "ninho de cobras"

A distribuidora de combustíveis Velox funcionava em Iguatemi, junto com outras 23 do mesmo ramo e que já foram alvo de uma série de operações contra o crime organizado

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Quase quatro meses depois de ser obrigada por decisão judicial a reativar a inscrição estadual da distribuidora de combustíveis Velox, com sede em Iguatemi, a Secretaria de Estado de Fazenda conseguiu derrubar a liminar e nesta segunda-feira (10) publicou ato declaratório cancelando a inscrição da empresa que tem como endereçõ uma espécie de "ninho de cobras".

Pelo menos no papel, a Velox funciona no quilômetro 18 da chamada Estrada da Balsinha, que liga Naviraí a Iguatemi. Neste mesmo endereço estão instaladas pelo menos outras 23 distribuidoras de combustíveis.

Na prática, porém, somente a Ecológica Distribuidora de Combustíveis existe no local e em agosto do ano passado chegou a ser interditada pela Agência Nacional do Petróleo por conta de uma série de irregularidades ambientais e contáveis.

Em abril deste ano o Governo do Estado também chegou a cancelar a inscrição estadual da Ecológica Distribuidora. Em meados de junho, porém, uma decisão judicial determinou que fosse reativada e até agora segue ativa.

Em Iguatemi funciona o que os investigadores classificam como base fantasma nacional de distribuição de combustíveis e ao menos 24 empresas utilizavam o local como “barriga de aluguel“. Oito delas foram investigadas pela operação Carbono Oculto, desencadeada em 28 de agosto do ano passado.

A operação foi considerada a maior operação contra o crime organizado, incluindo o Primeiro Comando da Capital, da história policial brasileira. 

A distribuidora Velox, que teve a inscrição estadual cancelada nesta segunda-feira, não aparecena Carbono Oculto, mas conforme informações divulgadas no começo de setembro do ano passado, “ficou constatado que a base operava como “barriga de aluguel” para as demais empresas que funcionam no mesmo endereço.

A Ecológica Distribuidora era declarada à ANP como uma base compartilhada por diversas distribuidoras, de forma a comprovar que tinham espaço de armazenagem com um mínimo de 750 m³ cada, o que é um dos requisitos da ANP para conceder autorização para uma distribuidora”. 

Na prática, porém, as empresas não armazenam nem movimentavam combustível nessa base, o que contraria as normas da Agência. A fraude consiste em usar como matriz a empresa registrada em Iguatemi, onde é menos custoso adquirir propriedade em parte de uma base, para, na prática, comercializar combustível em São Paulo, por exemplo.

A atividade de distribuição de combustíveis é considerada de utilidade pública. A obrigação da comercialização da base própria ou compartilhada através da qual se obteve a autorização visa aumentar a concorrência e a disponibilidade de combustíveis para os consumidores daquela região.

Ao não comercializarem combustíveis na localidade, essas empresas lesam a sociedade e, ao atuarem efetivamente em outro estado, realizam concorrência desleal com agentes que possuem base na região, em conformidade com as normas.

A Velox, por exemplo, tem como sede o endereço de Iguatemi e sua filial é em Presidente Prudente, em São Paulo, onde possivelmente atua. 

MEGAFRAUDE

A Operação Carbono Oculto revelou como o Primeiro Comando da Capital (PCC) expandiu sua atuação, infiltrando-se de forma sistemática na economia formal, em especial no setor de combustíveis e no mercado financeiro paulista, com ramificações diretas na Faria Lima.

Segundo o Ministério Público e autoridades fiscais, o esquema teria gerado cerca de R$ 10 bilhões em importações ilícitas de combustíveis, R$ 52 bilhões em vendas no varejo por meio de mais de mil postos e R$ 46 bilhões em transações realizadas por fintechs clandestinas, que operavam como bancos paralelos entre 2020 e 2024.

A investigação também identificou dezenas de fundos de investimento fechados e outras estruturas financeiras que concentravam aproximadamente R$ 30 bilhões em ativos utilizados para lavar e reinserir recursos ilícitos na economia, incluindo usinas de etanol, terminal portuário, imóveis e uma gigantesca frota de caminhões.

A Operação Carbono Oculto alcançou mais de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, investigados por crimes contra a ordem econômica, lavagem de dinheiro, fraude fiscal, adulteração de combustíveis e crimes ambientais.

Empresários apontados como centrais no esquema têm negociado acordos de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo, com potencial para atingir agentes públicos mediante a apresentação de provas de propinas e favorecimentos regulatórios no setor de combustíveis.

Também como resposta às revelações de fraudes e desvios no setor de combustíveis, especialmente o envolvimento da refinaria Refit com o Comando Vermelho, o Congresso Nacional, depois de anos de discussão, aprovou o PL do Devedor Contumaz.

FLUXO OCULTO

Mais recentemente, no dia 28 de maio, a Operação Fluxo Oculto, que investiga fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis cumpriu um mandado de busca e apreensão em Iguatemi.  

Os focos principais nessa operação foram seis fintechs (empresas de tecnologia que prestam serviços financeiros), as quais atuavam supostamente como bancos paralelos para movimentar os recursos financeiros do Primero Comando da Capital (PCC), e a adulteração de combustível com uso de nafta.

Segundo a Receita Federal, as seis fintechs movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025. Houve a constatação de operações suspeitas, principalmente com depósitos realizados em espécie, procedimento estranho à natureza de uma instituição de pagamento, e contas abertas em outras instituições de pagamento, gerando uma dupla camada de ocultação. 

Em relação a adulteração de combustíveis, as investigações apontam que somente com o esquema do uso de nafta petroquímica, os prejuízos aos cofres públicos chegaram a R$ 200 milhões em tributos sonegados em dois anos.

DÍVIDAS

Entre as distribuidoras com sede no mesmo endereço estão duas que ocupam o topo do ranking dos maiores devedores de impostos. Juntas, a Alpes Comércio de Combustíveis e Vetor Comércio de Combustíveis, devem R$ 4,9 bilhões, conforme dados da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. 

A maior devedora do Fisco federal em Mato Grosso do Sul é a Alpes, R$ 2,93 bilhões. Ela foi alvo das duas operações da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério Público do Estado de São Paulo: a Carbono Oculto e a Fluxo Oculto.

A organização criminosa investigada é liderada por Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo ou João, que atua como o epicentro de um esquema bilionário que abrange toda a cadeia produtiva de combustíveis, desde usinas sucroalcooleiras até redes de postos.

Ao lado dele está Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, identificado como o colíder do grupo, exercendo funções cruciais na gestão operacional de empresas centrais, como a formuladora Copape e a distribuidora Aster.

Juntos, eles comandam uma estrutura profissionalizada que utiliza fundos de investimento e centenas de empresas de fachada para ocultar a origem ilícita de recursos e realizar fraudes tributárias, apontam os investigadores.

A Alpes desempenha um papel fundamental nesse ecossistema, servindo como um dos principais canais para a distribuição de etanol produzido pelas usinas controladas pelo grupo, como a Itajobi e a Carolo.

A segunda maior devedora é a Vetor Comércio de Combustíveis, que deve R$ 2,04 bilhões ao Fisco federal. A empresa, cujo sócio-administrador que aparece em seu contrato social é Servio Tulio Fagotti Zaqueti, responde a vários processos de execução fiscal na Justiça Federal em Mato Grosso do Sul e nos estados de São Paulo e do Paraná.

 SIGNIFICADO

A expressão "ninho de cobras" significa, em sentido figurado, um lugar ou um grupo de pessoas onde reinam a falsidade, a maldade, a intriga e a traição. 

Voluntário

UEMS seleciona voluntários para ensinar português a migrantes em oito municípios

Programa da Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários (PROEC) atua em diversas cidades do Estado

10/08/2026 11h45

Curso de Português para Migrantes Internacionais será realizado em oito municípios de Mato Grosso do Sul

Curso de Português para Migrantes Internacionais será realizado em oito municípios de Mato Grosso do Sul Divulgação / UEMS

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A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), abriu as inscrições para selecionar voluntários para o Curso de Português para Migrantes Internacionais. A iniciativa faz parte do programa UEMS Acolher e é idealizada por meio da Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários (PROEC). 

A atuação é feita de forma 100 % voluntária e o voluntariado irá receber um certificado de participação, além disso os selecionados passaram por uma capacitação on-line obrigatória, para receber os conteúdos teóricos e práticos que serão aplicados nas aulas. 

O Curso de Português está estruturado para acontecer em cerca de oito municípios sul-mato-grossenses, Campo Grande, Cassilândia,Naviraí,  Sidrolândia, Ponta Porã, Nova Andradina, Dourados e Corumbá. Sendo que as quatro últimas cidades estão com uma urgência maior, devido a alta na demanda. 

A carga horária total é de 60 horas-aula, no programa é elaborado ações de ensino do idioma, mediação cultural e suporte comunitário voltados para os refugiados, apátridas e migrantes em situação de vulnerabilidade. 

Além das aulas de Português o projeto conta com colaboradores para ministrar outras disciplinas como Letras, Pedagogia, Enfermagem, Direito, Administração, Economia, Medicina Veterinária, Turismo, Geografia e História.

O programa foi criado em 2017 e desde então já foram atendidos mais mais de cinco mil migrantes atendidos em cursos de português, oficinas de integração, apoio humanitário, formação de agentes de acolhimento e ações binacionais, que incluem atividades realizadas na Bolívia.
 

RECOMENDAÇÃO

Sem educação inclusiva, escolas particulares de MS entram na mira do MP

Quatro colégios particulares de Chapadão do Sul foram notificados pelo órgão ministerial, para adotarem medidas que regularizem os serviços prestados aos alunos com deficiência

10/08/2026 11h30

Escolas particulares terão que adotar uma série de recomendações

Escolas particulares terão que adotar uma série de recomendações Álvaro Rezende / Arquivo

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) recomendou que os colégios particulares Atenas, CEPE, Divini Magistri e Maper, todos de Chapadão do Sul, disponibilizem e regularizem a oferta de educação inclusiva, em igualdade de condições com os demais alunos, às crianças e adolescentes com deficiências.

Na recomendação aos diretores dos colégios e aos coordenadores pedagógicos, o MPMS solicita que a instituição matricule qualquer aluno, independentemente de ser pessoa com deficiência, bem como do grau de limitação que ela lhe imponha.

Além desta, o MPMS recomendou uma série de medidas a serem adotadas pelas escolas particulares, como:

  • abstenham-se da cobrança de valores adicionais de qualquer natureza;
  • afixem em local apropriado e de ampla visibilidade cartazes contendo a informação de que a recusa de matrícula para crianças e adolescentes com deficiência e assim considerados por lei, constitui o crime previsto no artigo 8º da Lei n.º 7.853/89, punível com reclusão de dois a cinco anos;
  • ofertem de forma contínua, a todos os alunos com deficiência da unidade escolar, profissional de apoio escolar;
  • em caso de matrícula de alunos surdos, surdo-cegos, com deficiência auditiva sinalizantes, surdos com altas habilidades ou superdotação ou com outras deficiências associadas, ofertem materiais didáticos e professores bilíngues com formação e especialização adequadas, em nível superior,
  • possuindo educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, disponibilizem professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns, 
  • implementem a elaboração anual de planos individualizados de ensino para todos os alunos público-alvo da educação inclusiva, de forma a personalizar estratégias, materiais e conteúdo pedagógico pelo professor, em conjunto com a equipe pedagógica da escola e de modo a contemplar as competências e habilidades dispostas na BNCC.

O promotor de justiça Thiago Barile Galvão de França implementou as recomendações após um procedimento administrativo que fiscalizou os direitos de crianças e adolescentes com deficiência nas instituições de ensino públicas e privadas de Chapadão do Sul. 

O procedimento acompanhou especialmente a vedação de práticas discriminatórias no acesso, permanência e atendimento educacional, a adequação das normas internas e práticas institucionais à legislação de inclusão e o direito fundamental à educação inclusiva.

O MPMS ressalta que o não atendimento da recomendação, bem como ausência de resposta, pode causar ações judiciais cabíveis contra o responsável.

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