O sistema penitenciário federal pode sofrer impactos diretos já a partir da próxima segunda-feira (6), com a possibilidade de paralisação nacional dos policiais penais federais. A categoria aprovou, por unanimidade, o estado de greve durante assembleia geral realizada nesta semana, elevando o nível de pressão sobre o Governo Federal.
A medida é considerada um indicativo de paralisação iminente e pode resultar na interrupção de atividades em unidades prisionais de todo o país, especialmente diante da falta de avanços nas negociações com o Ministério da Justiça.
De acordo com a deliberação, a mobilização prevê a paralisação total dos setores considerados não essenciais e a suspensão de até 50% das atividades essenciais. Com isso, a rotina dentro dos presídios federais deve sofrer alterações significativas.
Segundo informações iniciais, entre as mudanças previstas está a redução pela metade do tempo de banho de sol dos internos. As visitas familiares e os atendimentos por advogados também devem ser limitados, com restrição a apenas um agendamento por horário. Já os serviços de saúde, como atendimentos médicos e odontológicos, serão mantidos apenas em casos de urgência e emergência.
O movimento ocorre em meio à insatisfação da categoria com a condução do Governo Federal em relação à criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC). Considerado estratégico pelos servidores, o fundo é visto como essencial para garantir investimentos em estrutura, capacitação e valorização profissional.
A crise se intensificou após a exclusão inicial da Polícia Penal Federal das discussões sobre o fundo, o que gerou forte reação interna. Mesmo após uma reunião realizada nesta quarta-feira (1º) no Ministério da Justiça, com participação de representantes da categoria e de outras forças de segurança, não houve avanço nas tratativas.
Segundo lideranças sindicais, o estado de greve funciona como um “alerta máximo” e pode evoluir para uma paralisação mais ampla caso o governo não apresente propostas concretas nos próximos dias.
“O governo só abriu diálogo após pressão intensa, mas segue sem solução. Não aceitaremos tratamento desigual. O estado de greve é um recado claro: ou há ação imediata, ou o sistema pode parar”, afirmou Renan Fonseca, presidente do SINPPF-MS.
A equipe do Correio do Estado entrou em contato com a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) mas não obteve resposta. O espaço segue aberto para pronunciamento.


