O Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (UH-UFGD) realizou no início do mês de fevereiro uma cirurgia de captação de órgãos para transplante. A doadora, de 44 anos teve morte encefálica. A doação deve beneficiar três pacientes que irão receber o fígado e os rins doados.
O procedimento foi realizado no dia 4 de fevereiro.
A psicóloga hospitalar Larissa Beatriz Andreatta, que atua na Unidade de Terapia Intensiva do hospital explicou que a paciente estava internada na unidade de tratamento em estado grave desde o dia 27 de janeiro. Com a morte cerebral, a família foi acolhida e informada sobre a possibilidade da doação.
Para a psicóloga, a Equipe Hospitalar de Doação de Transplante (e-DOT) acompanha todo o processo até a cirurgia, além de esclarecer dúvidas, capacitar profissionais do hospital e de outras instituições de saúde, além de promover ações de conscientização sobre o tema.
“A Equipe é formada por profissionais que atuam no apoio para identificação e diagnóstico de potenciais doadores, notificação dos casos e acolhimento das famílias para a autorização”, explicou.
Neste caso específico, a família aceitou a doação, pois a paciente já havia manifestado, em vida, o desejo de ser doadora. Mas, de acordo com a coordenadora da e-DOT no HU-UFGD/Ebserh, a enfermeira assistencial Ely Bueno da Silva Bispo, nem sempre é assim.
“Ainda encontramos dificuldades, pois é um assunto pouco discutido em casa. Algumas famílias recusam a doação por desconhecer qual seria o desejo do paciente, por isso é fundamental avisar a família sobre o desejo de ser doador”, relatou.
Ely explicou que o processo tem a participação de vários profissionais, especialmente na captação dos órgãos.
Tem a atuação Das equipes assistenciais das UTIs, das e-DOTs, do pessoal da Organização de Procura de Órgãos, que é um órgão executivo do Sistema Nacional de Transplantes, das equipes assistenciais que fazem a cirurgia de captação e muitos outros profissionais. Há uma logística muito grande para este trabalho”, resumiu.

A cirurgia de captação durou cerca de três horas e foi feita por uma equipe de Campo Grande formada pelo médico-cirurgião Gustavo Rapassi, um instrumentador cirúrgico e um residente em Medicina, com o suporte dos profissionais e da estrutura hospitalar do HU-UFGD/Ebserh.
O fígado da paciente foi destinado a um paciente da Capital que já estava na espera a bastante tempo, e os rins foram disponibilizados pela Central Nacional para receptores no estado do Rio Grande do Sul.
“Para qualquer modalidade de transplante, é fundamental que haja um doador e a gente tem tido muitas surpresas boas e novas aqui em Dourados, nesta área, graças a todo este trabalho em rede. Mesmo quando a gente não utiliza o órgão na região, disponibilizamos para que receptores de outras regiões do país se beneficiem”, explicou Rapassi.
A última cirurgia de captação de órgãos feita no hospital universitário de Dourados aconteceu em outubro de 2023. Na ocasião, a família de um paciente de três anos, vítima de afogamento, autorizou a doação e os órgãos viáveis foram encaminhados para Minas Gerais, de acordo com a compatibilidade dos receptores.
Lista de espera
Uma pesquisa referente ao primeiro semestre de 2025 feita pelo Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), o veículo oficial da associação brasileira de transplante de órgãos, mostrou que 654 pacientes estão na lista de espera para transplante de órgãos em Mato Grosso do Sul. Destes, 13 são crianças.
O levantamento referente aos meses de janeiro a junho deste ano aponta que, neste período, 297 pessoas entraram para a lista de espera no Estado. Os números começaram a ser levantados em 2016 pelo RBT.
Segundo o relatório, em todo o Estado nos seis primeiros meses de 2025, foram enviadas 138 notificações a potenciais doadores. Destes, 77 realizaram entrevista para a doação e 42 recusaram.
O órgão com mais pacientes em espera é a córnea, com 382 adultos e 12 crianças na lista. Em seguida, vem a espera pelo rim, com 241 pacientes. Em seguida, 16 esperam por um fígado e 3 por coração.
"Neste primeiro semestre, as taxas de doação e transplante cresceram menos do que o projetado para o período e nos distanciaram um pouco dos objetivos previstos para este ano. A taxa de efetivação da doação (27,3%) permanece estagnada nos últimos anos, estando 14,7% abaixo da meta prevista para 2025 (32%). Apenas SC apresentou taxa de efetivação superior a 40%. Os maiores obstáculos são a persistentemente elevada taxa de não autorização familiar (45%) e de contraindicação médica (18%)", escreve o documento.
Transplante de fígado
Mesmo com a estagnação na taxa de doação no País, Mato Grosso do Sul se destacou no procedimento de transplante de fígado. Menos de um ano após o início dos transplantes de fígado na rede pública, o Estado já ocupa a 4ª posição na lista entre os estados por milhão de habitantes.
O sistema estadual de saúde passou a realizar esse tipo de procedimento a partir de julho de 2024. Assim, a marca no ranking representa um grande avanço para a Saúde sul-mato-grossense.
Desde o início das operações, foram realizadas 45 cirurgias no Hospital Adventista do Pênfigo, tendo como responsável o cirurgião Gustava Rapassi e sua equipe.
"A implantação do transplante hepático é um marco para o Estado. Em pouco tempo, conseguimos estruturar um serviço eficiente, com equipe especializada e suporte hospitalar adequado, oferecendo o procedimento dentro do próprio território e garantindo mais segurança e conforto aos pacientes", afirmou a coordenadora da Central Estadual de Transplantes, Claire Miozzo.

