Durante coletiva o subcomandante do Batalhão de Choque retificou a idade e identidade da vítima, enquanto indivíduo segue preso na Deam
Conforme repassado pelo subcomandante do Batalhão de Choque, Cleyton da Silva Santos, em coletiva na manhã desta sexta-feira (02), a vítima de tentativa de estupro atacada durante atividade física no Parque dos Podres trata-se de uma escrivã da Polícia Civil, de 42 anos.
Esse crime em questão aconteceu no fim da tarde de quinta-feira (1°), sendo impedido por um policial de folga - como bem acompanha o Correio do Estado -, que teria constatado a movimentação suspeita do indivíduo enquanto trafegava pela avenida Rita Vieira.
"Ele [o policial] estava vindo do culto da igreja com sua família, indo fazer um lanche com os familiares, quando na Avenida Rita Vieira ele identificou uma mulher que estava sendo arrastada para uma área de mata. Ela que estava fazendo sua primeira atividade física do ano, estava sendo arrastada por um homem para uma região de mata", explica o subcomandante.
Segundo o relato da vítima, ela tentou entregar seu aparelho celular, acreditando se tratar de um roubo, porém, foi surpreendida pela abordagem do autor, o qual afirmou não querer o telefone, mas sim que ela o acompanhasse até o mato. Em seguida, o agressor tentou conduzi-la até um terreno baldio, sob grave ameaça, exercida com o uso da faca.
Diante da atitude suspeita, que ainda não era possível identificar que tratava-se de, fato, de uma tentativa de estupro, o policial que estava de folga parou o carro um pouco adiante de onde agressor e vítima estava e desceu para abordar o indivíduo.
"Ele foi fazer abordagem, identificou que o indivíduo estava armado com uma faca, apontando a faca para a mulher o tempo todo. Quando fez essa verbalização inicial, o indivíduo largou a faca e embrenhou para a região de mata", cita Cleyton.
O subcomandante destaca que, mesmo de folga, o agente policial soldado Guedes não foi o único que viu o momento, mas foi o primeiro a tomar uma atitude, sendo auxiliado posteriormente por populares que transitavam pela região.
"A gente podia exigir dele vários outros tipos de conduta. Poderia simplesmente ter ligado o 190; poderia simplesmente ter passado e jogado uma mensagem no grupo do batalhão aqui, pedindo para alguém abordar, mas não. Sem dúvidas, a segurança como um todo é responsabilidade de todos.
Não foi só ele que viu isso, mas a atitude inicial de fazer abordagem despertou esse apoio de outras pessoas. E foi de sua importância para poder fazer essa contenção do indivíduo, até porque o policial estava sozinho, ou seja, ele estava só com a arma em punho, tinha uma mão só disponível para poder fazer essa contenção", complementa o subcomandante.
O indivíduo que não teve a identidade identificada, apenas a idade (24 anos), segue preso na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), sendo que todos os procedimentos de apuração devem ser feitos agora pela Polícia Civil.
Abaixo, é possível observar uma gravação registrada por circuito de monitoramento interno, em que nota-se o exato momento em que o indivíduo tenta fugir após ser abordado. As imagens mostram ele parando a moto no local, voltando menos de um minuto depois para seu veículo e sendo posteriormente empurrado da motocicleta pelo agente à paisana.
Crime recorrente
Apesar desse indivíduo pontualmente não possuir demais passagens por atos semelhantes ou outros crimes, sendo um corumbaense de 24 anos que já é pai e possui uma esposa em fase de gestação, inclusive, o subcomandante reforça que não é possível afirmar que esse trata-se de um fato isolado.
"Assim como tentou fazer com essa mulher, poderia ter feito com qualquer outra e a gente não sabe qual tipo de atitude ele já tomou antes. Até porque o modus operandi dele, de ir lá de moto, estar sem as vestimentas íntimas, com o gel [lubrificante] no bolso, meio que liga um alerta se realmente foi a única vez que ele agiu dessa forma", cita.
O subcomandante reforça que, o Comando Geral da Polícia têm intensificado o policiamento principalmente nessas áreas onde há atividade física rotineira, tanto no período da manhã, mas principalmente no período da tarde, que são os horários mais propícios para esse tipo de crime ocorrer.
"Aqui no Parque dos Poderes, logo depois que aconteceu essa ocorrência, a gente teve uma reunião com o Comandante Geral, foi determinado que intensificasse o patrulhamento. Estamos inseridos em muitos grupos de corredores aqui da região do Parque dos Poderes e de outros locais também, então sempre que tem algum tipo de ocorrência ou de suspeita, eles entram em contato diretamente com a gente para poder passar essas informações", diz.
Ele ainda lembra um caso semelhante, ocorrido no fim de novembro na região do Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, em que uma mulher praticava sua corrida e, da mesma forma do crime de ontem (1° de janeiro), foi surpreendida pelo indivíduo, puxada pelo braço e quase arrastada para uma área de mata.
Diante do perigo que essas vítimas correm, ele ainda dá dicas para proteção dos indivíduos, como procurar fazer atividades físicas acompanhadas, principalmente tratando-se de mulheres, segundo o subcomandante, "que acabam sendo o alvo maior nesse tipo de crime".
"Procurar fazer não em lugar ermo, que tenha pouca luminosidade. Optar sempre por um local que tenha um público maior de pessoas fazendo ali atividade física, para impedir aquela, infelizmente, máxima que 'a ocasião faz o ladrão'", conclui.
**(Colaborou João Pedro Flores).
Assine o Correio do Estado