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Justiça vê fraude e nega indenização por rato em Coca-Cola

Justiça vê fraude e nega indenização por rato em Coca-Cola

Terra

14/11/2013 - 15h00
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A Justiça de São Paulo negou indenização a um consumidor que alegou ter ingerido Coca-Cola supostamente contaminada por pedaços de rato. Em decisão disponibilizada nesta quarta-feira, a juíza Laura de Mattos Almeida, da 29ª Vara Cível, considerou que há “fortes indícios de fraude” nas garrafas apresentadas por Wilson Batista de Resende e que as alterações físicas ou neurológicas do consumidor não estariam relacionadas ao evento.

Mesmo ocorrido em 2000, o caso ganhou repercussão em setembro passado com uma reportagem veiculada pela Rede Record. Segundo o relato de Wilson Batista de Resende, ele teria comprado um pacote com seis garrafas pet de Coca-Cola, mas tomou apenas um gole, já que logo após ingerir o produto sentiu uma forte ardência e gosto de sangue na boca.

De acordo com o processo, ele diz que notou a presença de corpos estranhos em suspensão em todas as garrafas, que pareciam ser pedaços do corpo de um roedor. Depois de entrar em contato com o SAC, um funcionário da Coca-Cola esteve em sua casa e retirou duas garrafas lacradas do refrigerante.

O consumidor ainda afirmou que teria sofrido graves lesões físicas e psíquicas por causa da ingestão do produto contaminado, com comprometimento da fala e de movimentos, que impediram de exercer suas atividades de sacoleiro e relojoeiro. O processo movido pelo Ministério Público corria desde 2003 e exigia uma indenização de R$ 10 mil por danos morais.

A análise do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) afirmou que o lacre não estava violado, mas que existia “a possibilidade de que a tampa original tenha sido removida, com a adulteração do conteúdo, e a garrafa novamente fechada com uma tampa nova, retirada do processo de fabricação ou de outra garrafa, sem que tenha ocorrido ruptura do lacre."

Segundo a juíza, a possibilidade de fraude também é reforçada pelo fato de que as seis garrafas não sequenciais tinham contaminação. “Segundo o Instituto de Criminalística, a possibilidade estatística de contaminação semelhante a que é objeto dos autos é praticamente nula para uma garrafa, considerando as limitações dimensionais e as barreiras existentes. E, assim, inexistente numericamente para seis garrafas do mesmo fardo”, afirma a decisão.

Além dos indícios de fraude, a sentença afirma que o consumidor tomou apenas um gole e que “a mera repulsa de visualizar o corpo estranho não constitui causa de alteração psicológica apta a ensejar a condenação do fabricante ao pagamento de indenização por danos morais”.

Wilson Batista de Resende passou por exames médicos que apontaram transtornos de personalidade causados por doenças, lesão ou disfunção cerebral. A decisão ainda diz que o autor tem problemas psiquiátricos e que ele dedica-se a procurar produtos defeituosos em lojas do Carrefour, onde as garrafas foram compradas. “Vê-se que não se trata de um comportamento normal, o que prejudica a credibilidade de suas afirmações”, afirma a juíza.

Epidemia

MS deve destinar 46,5 mil doses de vacina contra Chikungunya para cidades com surto da doença

O plano de ação para controle na doença integra, inicialmente, a região Sul, nos municípios de Dourados e Itaporã

02/04/2026 14h00

Vacinação contra chikungunya avança na região Sul do Estado para conter surto da doença

Vacinação contra chikungunya avança na região Sul do Estado para conter surto da doença FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Como parte de estratégias para conter o avanço da Chikungunya em Mato Grosso do Sul, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) deve destinar 46.530 doses da vacina contra a doença para os municípios de Dourados e Itaporã, que concentram os maiores surtos no Estado. 

Desse total, 43.530 doses serão destinadas a Dourados e outras 3 mil a Itaporã, conforme definido pelo Centro de Operação de Emergências (COE).

De acordo com o último boletim da SES, Mato Grosso do Sul já registra 1.764 casos confirmados de chikungunya, com 3.657 casos prováveis e 7 óbitos confirmados. Só em Dourados, são 540 casos e cinco mortes.

A secretária-adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, ressalta que a distribuição das doses faz parte de um conjunto de estratégias para controle da doença. 

"Estamos atuando com responsabilidade diante de um cenário epidemiológico sensível. A vacina passa a integrar o conjunto de estratégias do Estado para ampliar a proteção da população", afirmou.

Segundo Maymone, a condução da estratégia segue critérios técnicos e alinhamento com o Ministério da Saúde. Dourados foi incluído como município elegível na estratégia piloto nacional de vacinação contra a chikungunya, com planejamento em andamento para definição das etapas de implementação.

 "A operacionalização da vacinação está sendo organizada de forma integrada, considerando a realidade epidemiológica do território e as diretrizes nacionais", completou.

A distribuição das doses deve seguir critérios técnicos e o avanço da doença em cada região do Estado. 

"Dourados concentra o maior volume de doses devido ao cenário epidemiológico, e toda a estratégia está sendo estruturada para garantir uma implementação segura e eficiente", afirmou a coordenadora de Imunização da SES, Ana Paula Goldfinger.

Entre as estratégias, também estão a preparação das equipes de saúde e organização da rede de saúde municipal para a aplicação das doses. 

Vacinação contra chikungunya avança na região Sul do Estado para conter surto da doençaMapa dos casos confirmados da doença em alguns municípios de MS / Fonte: SES

Reforço 

Com o aumento dos casos em Dourados, o Governo de Mato Grosso do Sul também reforçou o atendimento médico, ampliando a capacidade de atendimentos nos hospitais e destinando 15 leitos exclusivos para pacientes com Chikungunya no Hospital Regional de Dourados (HRD).

Assim, o Hospital está equipado com 100 leitos, sendo 20 de UTI e 10 leitos adultos e 5 cinco pediátricos para pacientes com a doença. 

Mesmo sendo uma medida temporária, ela visa garantir uma organização maior da assistência médica frente ao aumento dos casos. 

Além disso, o Estado segue em monitoramento contínuo da epidemia na região através de reuniões diárias e acompanhamento dos indicadores. 

"O cenário exige uma atuação integrada entre vigilância, assistência e imunização. Estamos trabalhando de forma articulada para reduzir casos e garantir resposta oportuna à população", explicou a superintendente de Vigilância em Saúde, Larissa Castilho. 

Ações também foram ampliadas em territórios indígenas, com o envio de equipamentos, aplicação de fumacê, borrifação, e atuação de equipes na identificação de criadouros e orientação à população. 

O apoio busca controlar a disseminação e reprodução do mosquito Aedes aegypti, causador da Chikungunya, dengue e zika. 

A orientação da secretaria é de eliminar água parada e buscar atendimento nas unidades de saúde ao surgimentos dos primeiros sintomas, como febre alta, dores intensas nas articulações, dor de cabeça e manchas na pele. 


 

MINISTÉRIO PÚBLICO

Prefeitura deve apresentar plano para reduzir filas na saúde em até 180 dias

Com pacientes esperando até 8 anos por exames, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul cobra plano de ação para enfrentar as filas

02/04/2026 13h33

Crédito: Marcelo Victor / Correio do Estado

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Com casos extremos de pacientes esperando desde 2018 por exames de ressonância magnética, entre outras situações, a Prefeitura de Campo Grande tem 180 dias para apresentar uma solução.

A fila de espera, que se transformou em um dos maiores gargalos da saúde pública do município, reúne extensas demandas por exames diagnósticos essenciais, como tomografia computadorizada, ressonância magnética (com e sem sedação), eletroneuromiografia e radiografia simples.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) divulgou dados que apontam que, em fevereiro de 2024, mais de 25 mil pessoas aguardavam a realização desses exames.

Em situações extremas, a espera ocorre desde 2018 por ressonância com sedação, evidenciando a gravidade do problema.

Embora o município conte com programas como o “Mais Saúde, Menos Fila”, que recebeu aporte de R$ 45 milhões do governo estadual, além da previsão de R$ 15,9 milhões em recursos federais, os investimentos ainda não foram suficientes para reduzir a demanda reprimida.

Ainda segundo a 76ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, iniciativas da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), como a contratação de aproximadamente 3,5 mil exames de ressonância magnética, não foram suficientes diante do volume de pacientes na fila.

O maior problema está nos exames de coluna. Nos últimos seis meses, apenas 52 exames de coluna torácica e 134 de coluna lombossacra foram realizados, o que evidencia a insuficiência da oferta frente à demanda.

Diante da situação, o MPMS instaurou procedimento administrativo para acompanhar ação civil pública em curso, reunindo informações técnicas, dados oficiais e medidas adotadas pelo Estado e pelo município.

O órgão cobra a apresentação de um plano concreto de ação em até 180 dias, com metas e cronograma, conforme parâmetros do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que considera excessiva a espera superior a 100 dias.

Além dos números, o MPMS reúne relatos de pacientes que enfrentam dores persistentes, dificuldades de agendamento e falta de medicamentos, reforçando o impacto social e humano da demora. O órgão ressalta que o acesso rápido a exames diagnósticos é decisivo para iniciar tratamentos, definir condutas clínicas e reduzir riscos, e que a espera prolongada compromete a dignidade e o direito fundamental à saúde.

O objetivo é garantir que os recursos públicos sejam convertidos em resultados concretos e que a população da Capital tenha acesso a exames em prazo compatível com a urgência de seus quadros clínicos, transformando a fila em atendimento efetivo, com transparência, racionalidade e proteção à vida.
 

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