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PANDEMIA

Mais da metade dos leitos de UTI em MS não são para Covid

Na Capital, são 546 unidades de UTI e leitos clínicos em hospitais públicos e privados
23/07/2020 09:00 - Daiany Albuquerque


Mato Grosso do Sul tem 369 pessoas internadas com Covid-19 em leitos clínicos e em unidades de terapia intensiva (UTIs), sendo 177 em vagas para tratamento da forma mais grave da doença. 

Entretanto, a maioria das internações no Estado são de pacientes com outras enfermidades, prevalência da ortopedia, por conta de acidentes de trânsito.

Cerca de 55% dos internados no Estado são pacientes não infectados pela Covid-19, o que tem preocupado autoridades de saúde por conta da crescente de casos que vive Mato Grosso do Sul e do temor de que, caso a doença continue crescendo, possa faltar leitos para esses doentes em razão de internações que poderiam ser evitadas.  

“Significa que, apesar dos decretos, muita gente está levando a vida normal, não cumprindo toque de recolher, frequentando bares e botecos, enchendo a cabeça de caraminhola e levando a acidentes que ocupam leitos de UTI”, declarou o secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende.

Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES) mostram que entre as quatro macrorregiões, a mais atingida é a de Campo Grande, que estava com 98% de ocupação global, sendo 50% da ocupação por pacientes de outras especialidades. 

Já a macrorregião de Dourados tem 58% de preenchimento, 23% por casos de Covid-19 e outros 9% de casos suspeitos. Apenas Corumbá tem mais pacientes do novo coronavírus do que das outras doenças, 36% contra 32%.

Na Capital, que passa por um crescimento exponencial nos casos diagnosticados de Covid-19, em apenas 24 horas foram acrescidos aos números de infectados mais 928 episódios positivos da doença, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). 

Apenas 24% das internações em Campo Grande, tanto em UTIs quanto em leitos clínicos, são em razão do novo coronavírus.

A ocupação dos leitos, principalmente das UTIs, continua alta. Até ontem, estava em 83% e aumentando a cada dia. Grande parte dessa taxa de ocupação vem dos politraumatizados – com predominância de acidentes de trânsito, pessoas com problemas cardíacos, entre outros.

Conforme a Sesau, a Capital tem hoje 546 leitos em hospitais públicos e na rede privada, somando a quantidade de vagas em UTIs e os leitos clínicos. 

A Secretaria, entretanto, não soube informar quantos desses pacientes com Covid-19 estão em cada setor.

 
 

Casos

Campo Grande contabiliza 7.348 confirmações da doença. Desse total, apenas 2.361 pessoas ainda estão com a doença, em isolamento domiciliar. 

Grande parte, 4.987, já estão recuperadas. Isso pode ser explicado pelo crescimento também dos testes rápidos, que identificam a presença de anticorpos da Covid-19, ou seja, quando o paciente teve a doença, foi assintomático e/ou teve poucos sintomas e ficou curado.

Na rede pública, a unidade de referência para o tratamento do novo coronavírus em Campo Grande é o Hospital Regional.  

O centro médico concentra o tratamento da doença e tinha até a tarde de ontem 78 pacientes internados em leitos críticos (UTI e semi-intensivos), sendo 60 com Covid-19. 

A unidade conta com 87 vagas no setor.

Em relação aos leitos clínicos, o hospital, que tem total de 178 vagas para adultos, tinha apenas 57 internados no setor pela doença, já que outras demandas também são atendidas no local.

Para os outros hospitais públicos, porém, a realidade é diferente. No Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, todos os leitos estavam ocupados, entretanto, das 236 vagas da unidade (contando todos os setores), apenas 2 eram de casos confirmados do novo coronavírus.

Segundo a assessoria de imprensa do local, várias especialidades são atendidas no hospital, como oncologia, trauma e infectologia, e não havia nenhuma doença de predominância entre os atendimentos do hospital.

Já na Santa Casa de Campo Grande, maior hospital de Mato Grosso do Sul, grande parte dos atendimentos eram referentes a cardiologia, neurologia e politrauma. 

Dos leitos de UTI adulto e clínicos da unidade, 80% estão ocupados. No setor para pacientes mais graves, dos nove blocos com leitos, apenas quatro ainda tinham vagas.

Informação do Núcleo Interno de Regulação (NIR) mostra que, nos últimos 30 dias (de 22 de junho até ontem), metade dos pacientes foram internados pelas especialidades de ortopedia, neurologia e cardiologia, a ortopedia representando a maior parte dos casos.

Em relação à Covid-19, eram 18 pacientes com sintomas da doença, a metade com teste positivo. Sete estavam na terapia intensiva e 11 em leitos clínicos.

Aumento

Segundo o prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), o crescimento de casos apresentado ontem, quase mil confirmações, tratava-se de números represados do fim de semana.

“É a somatória de três dias de exames represados, além de serem [representativos de] uma testagem três vezes maior do que a gente estava fazendo nos últimos dias. O que vem confirmar isso é a ocupação de leitos de UTI”.

 

Felpuda


Figurinha carimbada ganhou o apelido de “biruta”, instrumento que indica direção do vento e, por isso, muda constantemente. Dizem que a boa vontade até existente ficou no passado, e as reclamações são muitas, mas muitas mesmo, diante das decisões que vem tomando a cada mudança de humor do eleitorado. Como bem escreveu o poetinha Vinicius de Moraes: “Se foi pra desfazer, por que é que fez?”.