Cidades

Investigação

Marcinho VP comanda facção do RJ mesmo preso em MS, diz polícia

Operação realizada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro cumpriu mandado de prisão na Penitenciária Federal em Campo Grande, onde o traficante cumpre pena

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Operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro que investiga o Comando Vermelho (CV) cumpriu um mandado de prisão contra Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, que está preso na Penitenciária Federal em Campo Grande. Segundo a investigação, o traficante, preso há 30 anos, continuaria como um dos principais cabeças da facção criminosa.

Marcinho VP está preso desde o fim de agosto de 1996 e, em 2010, foi transferido para o sistema penal federal. Nesses quase 30 anos já passou por vários presídios, até chegar ao de Campo Grande, em janeiro de 2024.

Mesmo estando em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), em que o detento permanece em cela isolada, sem contato com outros presos e tem todas as conversas com advogados e familiares gravadas, a polícia afirma que Marcinho VP ainda comanda ações da organização criminosa, como a lavagem de dinheiro.

“O Marcinho VP angaria esse dinheiro ilícito do tráfico e a sua família usufrui, ela gerencia, lavando e ocultando esse dinheiro por meio de imóveis, de comércios também”, afirmou a delegada Iasminy Vergetti, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) ao G1 do Rio.

Segundo a reportagem, a operação de ontem foi resultado de 1 ano de investigações baseadas em dados extraídos de dispositivos eletrônicos apreendidos e no cruzamento de informações financeiras.

Na investigação foram encontrados diálogos entre Carlos Costa Neves, o Gardenal, um dos chefões do CV, e um miliciano.

“As conversas reforçam a influência de Marcinho VP como liderança central da facção, mesmo após anos de encarceramento”, declarou a delegada à reportagem do G1.

Ainda segundo a delegacia carioca, a operação descobriu “um sistema estruturado de recebimento, pulverização e reinserção de valores ilícitos no circuito econômico formal”.

“Recursos provenientes do tráfico eram repassados por lideranças da facção a operadores financeiros, que realizavam a fragmentação dos valores por meio de contas de terceiros, além de utilizá-los para pagamento de despesas, aquisição de bens e ocultação patrimonial”, informou a delegada.

FAMÍLIA UNIDA

Para a lavagem de dinheiro, segundo a investigação, o Comando Vermelho utilizou familiares de Marcinho VP, como o filho dele, Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como o rapper Oruam, que também foi alvo de mandado de prisão, porém, estava foragido até a noite de ontem.

Foram expedidos 12 mandados de prisão preventiva pela 1ª Vara Criminal Especializada em Crime Organizado do Rio de Janeiro, porém, nem todos os alvos foram encontrados.

Entre os foragidos estavam, além de Oruam, a mãe dele, a empresária Márcia Gama, e o irmão, Lucas Santos Nepomuceno, também conhecido como Lucca.

Conforme apurado pela polícia, todos viviam com recursos provenientes das práticas criminosas do Comando Vermelho e administrados por familiares de Marcinho VP, que atuavam na lavagem e ocultação do dinheiro por meio de diferentes mecanismos.

A polícia do Rio esteve em dois endereços de Oruam para tentar prendê-lo ontem. Em uma casa na Freguesia, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, e também em uma mansão, em Angra dos Reis. O rapper não foi encontrado.

Também estiveram nas casas de Lucca, no Recreio dos Bandeirantes, e de Márcia, em Jacarepaguá. Mas nenhum dos três foi localizado.

Conforme a apuração da polícia, a quadrilha agia da seguinte forma: repassava o faturamento do tráfico a operadores financeiros, que fragmentavam o dinheiro em contas de laranjas.

MARCINHO SOLTO

Preso em Campo Grande há dois anos, Marcinho VP completa no fim de agosto 30 anos encarceirado e, pela legislação de quando foi condenado, este é o tempo limite que uma pessoa pode ficar na cadeia.

No entanto, matéria do Correio do Estado mostrou que caso ele seja condenado por outro crime, praticado após a mudança da legislação que ampliou o limite para 40 anos, poderá ficar mais tempo na prisão.

Para tentar impedir a soltura iminente, delegados e promotores buscam diversas alternativas, enquanto a defesa do traficante tenta derrubar mandados em vigor e evitar novas condenações.

A mobilização contra a liberdade se baseia no fato de que, mesmo preso há quase três décadas, o cárcere não impediu que Marcinho VP continuasse a cometer crimes, tornando-se um dos principais nomes do Comando Vermelho, sendo considerado um dos detentos de maior periculosidade do País, segundo as autoridades.

* Saiba

Marcinho VP tem cinco cartas de execução de sentença por homicídio, associação criminosa, corrupção ativa, desacato, associação para o tráfico (duas vezes) e tráfico de drogas. Acumuladas, as penas superam 55 anos.

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Crescimento

MS atinge 77% de cobertura de esgoto, mas universalização segue distante

Mesmo com avanço recente, estado ainda busca ampliar o acesso ao serviço em diferentes regiões

16/06/2026 18h01

Foto: Divulgação

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Mato Grosso do Sul ampliou a cobertura de esgoto para 77,04% em maio de 2026, consolidando um avanço de 4,7 pontos percentuais em menos de um ano. Em agosto de 2025, o índice era de 72,34%. O crescimento coloca o estado entre os que mais expandiram o serviço recentemente no país.

Os dados nacionais utilizados para comparação são do Instituto Trata Brasil, organização que monitora indicadores de saneamento básico no país a partir de informações oficiais.

O levantamento aponta que cerca de 90 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à coleta e ao tratamento de esgoto, evidenciando o contraste entre os avanços registrados em Mato Grosso do Sul e a realidade enfrentada em grande parte do Brasil.

Apesar dos números expressivos, o avanço não elimina distorções históricas no acesso ao saneamento. A leitura dos dados por município revela um cenário desigual: enquanto algumas cidades já se aproximam da universalização, outras ainda avançam em ritmo mais lento, com cobertura aquém do necessário para garantir atendimento pleno à população.

Pelo menos 30 municípios atendidos pela rede estadual superam 90% de cobertura, incluindo Três Lagoas, Dourados, Ponta Porã e Bonito. Em localidades como Bataguassu, Brasilândia e Ribas do Rio Pardo, os índices chegam a 99%.

Na prática, porém, vale alertam que atingir esse percentual não significa, necessariamente, que todo o esgoto gerado esteja sendo coletado e tratado de forma adequada.

Isso porque indicadores de cobertura não detalham problemas recorrentes, como ligações irregulares, redes subutilizadas ou falhas operacionais no tratamento. Também não evidenciam a situação de áreas periféricas e comunidades mais vulneráveis, onde o acesso costuma ser mais limitado.

O avanço está relacionado à ampliação da infraestrutura nos últimos anos, com a implantação de redes coletoras, estações elevatórias, unidades de tratamento e novas ligações domiciliares. 

Ainda assim, o histórico do setor mostra que expansão física não garante, por si só, eficiência nem qualidade no serviço prestado.

Outro desafio está na sustentabilidade desse crescimento. A ampliação da cobertura exige investimentos contínuos não apenas na construção, mas também na manutenção e operação dos sistemas. Sem isso, há risco de deterioração das estruturas e queda na qualidade do atendimento ao longo do tempo.

Novo Marco Legal do Saneamento

A meta estabelecida pelo Novo Marco Legal do Saneamento prevê que 90% da população tenha acesso à coleta e tratamento de esgoto até 2033.

Mato Grosso do Sul aparece em posição avançada nessa corrida, mas ainda precisa enfrentar gargalos importantes para transformar índices em universalização real.

Entre eles estão a ampliação do serviço em áreas rurais, a regularização de ligações domiciliares e a garantia de tratamento efetivo de todo o volume coletado. Sem esses avanços, o crescimento percentual pode não se traduzir em melhoria concreta nas condições de saúde e qualidade de vida da população.

O desempenho recente coloca Mato Grosso do Sul em destaque, mas também amplia a cobrança por resultados mais consistentes.

Mais do que expandir a rede, o desafio agora é garantir que o serviço funcione de forma eficiente, alcance todas as regiões e cumpra o papel essencial do saneamento: reduzir desigualdades e promover saúde pública.

Homicídio

Homem encontrado morto em terreno foi assassinado por enteado de 15 anos

Crime ocorreu após invasão de residência e registro prévio de ameaça contra ex-companheira da vítima

16/06/2026 16h58

Foto: Divulgação Rede Social

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Como noticiado pelo Correio do Estado na segunda-feira (15), um homem foi encontrado morto na madrugada em um terreno baldio no bairro Jardim Macaúbas, em Campo Grande.

A vítima foi identificada como Alessandro de Souza Grefe, de 28 anos. No desdobramento das investigações, a polícia passou a apontar como principal suspeito o enteado dele, um adolescente de 15 anos.

De acordo com as investigações da Polícia Civil, Alessandro foi atingido por diversos golpes de faca, principalmente na região superior das costas. O corpo foi localizado nas proximidades da Escola Municipal Dr. Plínio Barbosa Martins, sem documentos de identificação, e apresentava sinais evidentes de violência.

A identificação da vítima foi realizada no Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL), por meio de exame papiloscópico, ainda na tarde do mesmo dia. A partir da confirmação da identidade, os investigadores iniciaram diligências para esclarecer as circunstâncias do homicídio.

Conforme apurado, na noite anterior ao crime, a ex-companheira de Alessandro havia procurado a polícia para registrar um boletim de ocorrência, relatando ter sido ameaçada por ele. Horas depois, o homem teria invadido a residência da mulher.

Durante a invasão, o filho da ex-companheira, de 15 anos, tentou conter Alessandro. Nesse momento, segundo a versão investigada, o adolescente desferiu vários golpes de faca contra o homem.

Após o ataque, a vítima foi encontrada vestindo apenas cueca e camiseta. Um casaco e um par de tênis estavam próximos ao corpo, ambos com perfurações, em um terreno baldio.

Agora, a investigação busca esclarecer por que o corpo de Alessandro foi encontrado em outro local, e não na residência onde o crime teria ocorrido.

A Polícia Militar foi acionada e isolou a área até a chegada da perícia técnica e da Polícia Civil. Equipes do Grupo de Operações e Investigações (GOI) também participaram das diligências no local. A arma utilizada no crime não foi localizada.

O caso foi registrado como homicídio e, diante da identificação do adolescente como principal envolvido, o procedimento será encaminhado à Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (Deaij), responsável pela apuração de atos infracionais praticados por menores.

A Polícia Civil segue investigando os detalhes do caso, incluindo a dinâmica completa dos fatos e eventuais desdobramentos relacionados ao histórico de violência entre a vítima e a ex-companheira.

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