Auditoria interna da empresa do setor agroindustrial constatou que desvios fraudulentos aconteciam desde 2023
Um homem de 27 anos, funcionário de uma indústria do setor agroindustrial, foi preso por suspeita de desviar mais de R$ 660 mil da empresa. A prisão ocorreu nessa quinta-feira (26), em Naviraí, após a constatação de uma nova transferência considerada fraudulenta, no valor de R$ 14.288,00.
Segundo a Polícia Civil, há indícios de que os crimes teriam sido motivados por problemas pessoais relacionados a jogos on-line.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, a diretoria da empresa acionou a equipe após identificar movimentação financeira irregular no sistema interno.
Equipes da Seção de Investigações Gerais (SIG), da Primeira Delegacia de Polícia de Naviraí, se deslocaram até a sede da indústria, onde localizaram o suspeito e efetuaram a prisão.
As investigações apontam que o funcionário atuava no setor responsável pelos pagamentos a fornecedores e utilizava um mecanismo fraudulento para desviar os valores para si próprio.
No inquérito policial, foi apurado que ele realizava a antecipação de pagamentos a fornecedores e, antes do processamento bancário, substituía os dados bancários das empresas pelos de sua própria conta.
Posteriormente, na data correta de vencimento, efetuava o pagamento regular ao fornecedor, gerando duplicidade de pagamento e apropriando-se indevidamente de um dos valores.
Devido à suspeita de que havia alguma irregularidade, a empresa realizou auditoria interna, iniciada no dia 18 de fevereiro, onde identificou que o esquema estaria em funcionamento desde setembro de 2023.
Até o momento, foram contabilizados 61 episódios semelhantes, com prejuízo estimado em R$ 664.114,56. O valor, no entanto, pode ser maior, tendo em vista que a apuração segue em andamento.
O funcionário foi autuado por furto qualificado mediante abuso de confiança e emprego de fraude.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que continua analisando documentos e movimentações financeiras para dimensionar o prejuízo total causado à empresa.
Vício em bets
A curiosidade e a vontade de ganhar dinheiro de maneira rápida têm levado muitos brasileiros aos sites de jogos de azar.
As bets foram legalizadas no Brasil em 2018, regulamentadas apenas em 2023 e só passaram a pagar volume maior de impostos a partir de 2025.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o jogo compulsivo é como uma doença, ao lado da dependência de álcool, por exemplo. E o uso do celular, o tempo muitas vezes ocioso e a oferta crescente de jogos, como do Tigrinho e do Coelhinho, que parecem, mas não são inofensivos, estão atraindo cada vez mais pessoas, como alerta a psicóloga.
A psicóloga Elizabeth Carneiro disse em entrevista a Agência Brasil que este tipo de jogo é um grande perigo social.
“Agora, quando é que a gente sabe que tá passando do normal para o patológico? A gente fala que é quando o jogador começa a jogar para recuperar. Ele não está mais jogando como uma coisa lúdica, ele precisa voltar, virar a noite, pra recuperar o que já perdeu”, analisa.
Além da perda financeira, o vício em jogos causa danos à sociedade, como suicídios, desemprego, gastos com saúde e afastamento do trabalho.
Elizabeth Carneiro ressaltou que o tratamento para o transtorno é similar ao de outros vícios: com o auxílio da psicoterapia e, em alguns casos, medicamentos.