Durante o atendimento da paciente, os profissionais solicitaram que o acompanhante fosse à recepção para fazer a ficha. Contrariado, ele teria agredido quatro técnicos e um enfermeiro
Durante o primeiro atendimento de uma paciente, na UPA Coronel Antonino, ao solicitar que o acompanhante fosse à recepção preencher a ficha, ele acabou agredindo os enfermeiros, e um deles teve o dedo quebrado.
O presidente do Sindicato de Enfermagem de Campo Grande (SINTE-PMCG) informou à reportagem do Correio do Estado que, durante o episódio, ocorrido na noite de domingo (1º), quatro técnicos e uma enfermeira foram agredidos pelo acompanhante, que se recusou a deixar a sala.
“Eles entraram, a equipe foi iniciando os primeiros atendimentos e também é protocolo pedir que o acompanhante vá até a recepção com os documentos da paciente para fazer a ficha, porque é nela que é relatado todo o atendimento. Segundo a equipe, ele se recusou a sair e houve essa agressão”, disse Angelo.
Ainda conforme o presidente do sindicato, a estrutura de acesso na unidade é propícia para que o paciente entre na ala vermelha, que é a entrada de emergência, uma vez que a porta liga diretamente à área externa do local.
Embora a paciente não tenha passado pela triagem, o presidente do sindicato reforçou que, a partir do momento em que ela entrou na ala vermelha, a equipe realizou o atendimento.
Por isso, não houve recusa, mas sim a necessidade de acesso ao prontuário da paciente para o prosseguimento do trabalho.
“O que aconteceu foi a solicitação ao acompanhante para que fosse fazer a ficha. Se ela entrou pela sala vermelha, é uma emergência, pelo menos é dessa forma que nós, profissionais, entendemos e trabalhamos. Nós atendemos e depois direcionamos o paciente conforme o quadro clínico.”
Falta de segurança
Em uma tentativa de conscientizar os munícipes, o SINTE-PMCG, em parceria com o Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso do Sul (Coren-MS), realizou diversas ações demonstrando o comprometimento da categoria no atendimento à população.
As entidades ingressaram com ação conjunta no Ministério Público do Trabalho (MPT-MS), buscaram solução para a questão da segurança junto ao Ministério Público e se reuniram com representantes da Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social (SESDES) da Prefeitura de Campo Grande para tratar da situação.
“Sugerimos um método de barreira, que foi negado pela gestão. Ou seja, eles não querem criar uma situação de segurança. Na verdade, tudo o que nós podíamos fazer documentalmente para requerer segurança nas unidades nós fizemos”, explicou Angelo e completou:
“O município alega que a GCM é a responsável por garantir essa segurança, mas é fato que eles não têm efetivo e não conseguem oferecer a segurança necessária nas unidades.”
Métodos de barreira
Funcionaria como acontece no Hospital Regional, segundo Angelo, em que o acompanhante só entra no recinto com autorização, e o local não possui mais de uma entrada.
Diferentemente das UPAs, como relatou Angelo, em algumas unidades existem mais de cinco acessos por onde qualquer pessoa pode entrar, o que acaba colocando em risco pacientes e profissionais de saúde.
“Eu vejo com preocupação e tristeza os profissionais técnicos e enfermeiros que estão buscando entregar à população um pouco de dignidade e cuidados dentro de um ambiente em que falta tudo. Falta valorização, condições de trabalho, faltam insumos, falta RH. Enfim, mais desestruturado que isso é impossível e, infelizmente, falta segurança. Até hoje não conseguimos fazer com que o Executivo municipal cumpra esse requisito básico”, lamentou Angelo e finalizou:
“Se formos provocados, vamos atuar para responsabilizar a gestão e o secretário de Saúde, porque é inadmissível que assistam a isso e fiquem inertes. Pode acabar acontecendo uma fatalidade.”
Posicionamento do município
A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), que repudiou a agressão aos profissionais de enfermagem e informou que os trabalhadores receberam atendimento médico e estão recebendo suporte. Confira a nota na íntegra:
“A Secretaria Municipal de Saúde manifesta total repúdio ao grave episódio de violência ocorrido na UPA Coronel Antonino, reforçando que atitudes dessa natureza são inaceitáveis, especialmente em um ambiente dedicado ao cuidado e à proteção da vida. A ocorrência foi prontamente controlada com o acionamento da Guarda Civil Municipal e da Polícia Militar. Os profissionais envolvidos receberam acolhimento institucional, atendimento médico e acompanhamento da gestão, com suporte da Saúde do Trabalhador.”
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