Cidades

Audiência Conjunta

MPMS intensifica negociações para destravar impasse na Santa Casa

Audiência reuniu Judiciário, Governo do Estado, Prefeitura e direção do hospital para buscar uma solução consensual à crise financeira e assegurar a continuidade dos serviços prestados pelo SUS

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A busca por uma solução definitiva para a crise enfrentada pela Santa Casa de Campo Grande voltou ao centro das discussões entre as principais instituições públicas de Mato Grosso do Sul.

Em audiência conjunta realizada no Fórum da Capital, representantes do Ministério Público Estadual (MPMS), do Poder Judiciário, do Governo do Estado, da Prefeitura de Campo Grande e da direção do hospital discutiram medidas para garantir a retomada integral dos atendimentos prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na maior unidade hospitalar do Estado.

O encontro faz parte de um modelo de cooperação judiciária conduzido pelos juízes Eduardo Lacerda Trevisan e Cláudio Müller Pareja e integra uma série de tratativas voltadas à preservação da assistência hospitalar, diante das dificuldades financeiras enfrentadas pela instituição e dos impactos na rede pública de saúde.

Segundo o Ministério Público, a prioridade é construir uma solução consensual entre os entes públicos e a Santa Casa, evitando medidas mais drásticas e assegurando a continuidade dos serviços oferecidos à população.

MPMS busca acordo para restabelecer atendimentos

O Ministério Público acompanha a situação da Santa Casa há quase dois anos.

Durante a audiência, os promotores de Justiça Marcos Roberto Dietz, Daniella Costa da Silva e Daniela Cristina Guiotti reforçaram que a ação judicial proposta pela instituição tem como principal objetivo garantir a retomada integral dos atendimentos do SUS e preservar o acesso da população aos serviços de saúde.

Além da normalização do atendimento, o MPMS defende a realização de auditorias para ampliar a transparência sobre os custos operacionais da unidade e a aplicação dos recursos públicos destinados ao hospital.

Conforme os promotores, a atuação do Ministério Público busca conciliar os interesses das partes envolvidas, preservando o funcionamento da Santa Casa sem a necessidade de uma intervenção administrativa.

Também participaram da audiência os promotores Gevair Ferreira Lima Júnior e Paulo Roberto Ishikawa, coordenador do Centro de Autocomposição de Conflitos e Segurança Jurídica (Compor).

Estado defende mudanças na gestão

Representando o Governo de Mato Grosso do Sul, integrantes da administração estadual defenderam uma ampla reestruturação da Santa Casa, especialmente na governança institucional e no modelo de gestão financeira.

A avaliação apresentada durante a audiência é de que o hospital acumula sucessivos déficits financeiros ao longo dos últimos anos, situação que compromete sua sustentabilidade e exige mudanças na relação contratual mantida com os entes públicos.

Para o Estado, a revisão do modelo de financiamento é considerada necessária para garantir maior equilíbrio financeiro e segurança na prestação dos serviços de saúde.

Município negocia novo convênio

A Procuradoria-Geral do Município informou que participa das negociações em conjunto com o MPMS e o Governo do Estado para elaboração de uma nova minuta de convênio entre a Prefeitura e a Santa Casa.

Segundo a procuradora-geral Cecília Saad Cruz Rizkallah, o contrato atualmente em vigor tornou-se incompatível com a realidade da instituição após sucessivas alterações ao longo dos anos.

De acordo com o município, o instrumento já acumula mais de 40 aditivos, circunstância que dificulta sua execução e exige uma reformulação.

A administração municipal também afirmou que os repasses financeiros ao hospital permanecem em dia e destacou que recursos expressivos continuam sendo destinados à manutenção da unidade.

Auditoria aponta dificuldades

Outro tema debatido durante a audiência foi a auditoria que está sendo realizada para avaliar a situação financeira da Santa Casa.

O controlador-geral do Estado, Carlos Eduardo Girão, informou que os trabalhos enfrentam dificuldades em razão do acesso limitado a documentos considerados essenciais para a conclusão da análise, entre eles balanços financeiros e informações administrativas.

Segundo ele, parte da documentação solicitada foi entregue com atraso ou ainda não foi disponibilizada, o que pode comprometer o andamento da auditoria. Apesar disso, um relatório preliminar deverá subsidiar as próximas decisões judiciais relacionadas ao caso.

Hospital cobra reequilíbrio financeiro

Representando a Santa Casa, o advogado Carmelino de Arruda Rezende afirmou que a judicialização ocorreu somente após diversas tentativas frustradas de negociação entre o hospital e os gestores públicos.

Segundo ele, o principal entrave permanece sendo o desequilíbrio financeiro enfrentado pela instituição. A defesa sustenta que os valores atualmente pagos pelos serviços prestados estão defasados e que também há necessidade de quitação de débitos acumulados.

Ainda conforme a Santa Casa, a unidade depende praticamente de recursos públicos para manter seu funcionamento e não consegue sustentar o atual nível de atendimento sem uma recomposição financeira compatível com os custos operacionais.

A instituição acrescentou que passa regularmente por auditorias internas e externas e que permanece sob fiscalização dos órgãos públicos.

Na avaliação da direção do hospital, a ação judicial tornou-se necessária diante da ausência de avanços nas negociações e da falta de atualização dos contratos, situação que, segundo a entidade, compromete diretamente a capacidade de atendimento à população.

Ao final da audiência, as partes reafirmaram o compromisso de manter as negociações em andamento.

A expectativa é de que novas reuniões sejam realizadas para construir um acordo que assegure a continuidade dos atendimentos do SUS e ofereça maior estabilidade financeira à Santa Casa, considerada referência em procedimentos de média e alta complexidade em Mato Grosso do Sul

PROPINA

Governo de MS exonera assessor da Casa Civil investigado na Dirty Pix

Sérgio Roberto aparece nas investigações cobrando propina do diretor-presidente do Hospital de Sidrolândia

15/10/2026 09h45

Sérgio Roberto Castilho Vieira, o Serginho, é um dos investigados na Operação Dirty Pix

Sérgio Roberto Castilho Vieira, o Serginho, é um dos investigados na Operação Dirty Pix Reprodução

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A edição do Diário Oficial do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul trouxe, nesta quinta-feira (15), a exoneração do assessor Sérgio Roberto Castilho Vieira, o Serginho, investigado no âmbito da Operação Dirty Pix, do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc).

Serginho aparece nas investigações cobrando propinas de Jacob Meeuwis Breure, diretor-presidente do Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia. A Operação Dirty Pix apura o desvio de R$ 18 milhões da unidade hospitalar. Conforme investigação do Ministério Público Estadual (MPE), logo após o repasse de R$ 8,5 milhões pela Itaipu Binacional para a reforma da unidade, Sérgio entrava em contato com Jacob Breure para cobrar o dinheiro.

De acordo com a publicação, Sérgio Roberto era comissionado na Secretaria de Estado da Casa Civil e ocupava o cargo de assessor especial III. A exoneração teve a assinatura do secretário de Governo e Gestão Estratégica, Rodrigo Perez. 

Serginho também foi assessor de Dagoberto Nogueira durante muitos anos. No site de transparência da Câmara dos Deputados, ele constou como assessor parlamentar, lotado na Câmara Federal entre dezembro de 2016 e 2021. Em 2016, ele foi superintendente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), em Mato Grosso do Sul.

Dirty Pix

A primeira fase da Operação Dirty Pix, deflagrada em novembro de 2025, já havia identificado um suposto esquema de corrupção sistêmica envolvendo membros da administração municipal, vereadores e pessoas ligadas ao Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa. Na época, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão. Mesmo após essa primeira investida contra o grupo, a corrupção não cessou.

De acordo com fontes do MPE, apesar de vereadores, secretários e do diretor-presidente do hospital terem recebido a visita do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), o esquema não foi encerrado.

Na época, foram alvo de mandados de busca e apreensão os vereadores Adavilton Brandão (MDB), Izaqueu de Souza Diniz (PSD) e Cledinaldo Marcelino Costócio (PSDB), os ex-vereadores Ademir Gabardo e Eliel da Silva Vaz, além dos secretários municipais de Desenvolvimento Rural, Cleyton Martins Teixeira, e de Desenvolvimento Econômico, Enelvo  Felini Júnior.

Nesta nova fase, além das prisões de Jacob Meeuvis Breure – diretor-presidente do hospital –, da policial civil Cristina Rosa Gomes de Carvalho e do assessor político Júlio César Alves da Silva, a Justiça determinou o afastamento por 180 dias dos vereadores e secretários que haviam sido alvo na primeira fase.

A decisão foi proferida pela juíza May Meike Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias da Comarca de Campo Grande, no âmbito das investigações conduzidas pelo MPMS.

Os investigados são suspeitos de envolvimento em suposto esquema de recebimento de vantagens indevidas relacionado a contratos e convênios destinados ao Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, em Sidrolândia.

A determinação judicial afastou da Câmara: Adavilton Brandão; Cledinaldo Cotócio; e Izaqueu de Souza Diniz. Os parlamentares ficam temporariamente impedidos de exercer suas funções legislativas.

Além deles, o prefeito Rodrigo Borges Basso publicou no Diário Oficial de ontem o afastamento de Enelvo Iradi Felini Junior, do cargo de Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente, e de Cleyton Martins Teixeira, do cargo de Secretário Municipal de Agricultura e Abastecimento, também por 180 dias.

Segundo a publicação, que segue a determinação judicial, durante o período de afastamento “o prefeito municipal exercerá a ordenação de despesas das Secretarias Municipais mencionadas nos incisos I e II do art. 1º, competindo-lhe praticar os atos necessários à execução orçamentária, financeira e administrativa das respectivas Pastas, observada a legislação vigente”.

“Durante o período de afastamento, ficam preservadas as atividades e os serviços públicos sob responsabilidade das respectivas Secretarias, cabendo ao prefeito municipal adotar as providências necessárias à continuidade administrativa das Pastas. Decorrido o prazo estabelecido no art. 1º, os secretários deveram retornar às suas funções, salvo disposição em contrário decorrente de ato administrativo ou determinação legal”, completa o decreto. 

No caso da Câmara, o presidente da Casa, Otacir Pereira Figueiredo, deverá providenciar a convocação dos respectivos suplentes para ocupar as cadeiras durante o período estabelecido pela Justiça.

A previsão é de que sejam convocados Maria Tereza Fiúza Ferreira, a Maria Fiúza (MDB), Itamar de Souza Silva (PSDB) e Claésio Lechner de Albuquerque (PSD).

ESQUEMA

Segundo a investigação, o Ministério Público identificou uma série de movimentações financeiras após analisar dados obtidos mediante quebra de sigilos bancários.

Entre os valores apontados na investigação estão R$ 25 mil destinados a Cledinaldo Cotócio e R$ 120 mil, a Gabriel Autocar. Os investigadores também identificaram um repasse de R$ 20 mil para Adriana Zarati Franco Brandão, esposa do vereador Adavilton Brandão.

No caso de Cleyton Martins, foram identificadas transferências de R$ 20 mil e R$ 5 mil. Já Ademir Gabardo aparece relacionado a movimentações nos mesmos valores.

O levantamento aponta ainda que Cristina Fiúza, Enelvo Felini Júnior e Ademir Gabardo teriam recebido R$ 20 mil cada, por intermédio de Júlia Carla Nascimento.

Ela é filha de Júlio César Alves da Silva, identificado nas investigações como representante comercial de empresas envolvidas nas contratações investigadas.

Segundo os dados apresentados, Júlio César recebeu R$ 482,5 mil das empresas, quantia registrada como comissão comercial. Desse montante, R$ 100 mil teriam sido posteriormente transferidos à sua filha, que aparece como intermediária de parte dos pagamentos investigados.

O Ministério Público apura se essas movimentações financeiras foram utilizadas para viabilizar pagamentos indevidos a agentes políticos.

SEGUNDA FASE

Na primeira fase, o esquema descoberto tinha gerado prejuízo ao Hospital Dona Elmíria Silvério Barbosa de R$ 5,4 milhões. Nesta nova etapa, as investigações foram ampliadas e passaram a abranger convênios que somam mais de R$ 18 milhões em recursos públicos destinados ao Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa.

Segundo o Ministério Público, o esquema atingiu recursos públicos destinados à aquisição de equipamentos e materiais hospitalares, de unidade de terapia intensiva (UTI) móvel, bem como à execução de obras de reforma do Hospital Beneficente Dona Elmíria Silvério Barbosa, cujos valores ultrapassaram
R$ 18 milhões.

ESTRAGOS DA CHUVA

Açude transborda, enxurrada invade lavoura e alaga estradas em Antônio João

Fortes chuvas atingiram a zona rural do município, provocaram prejuízos à agricultura e dificultaram a passagem de veículos; previsão indica mais temporais até sexta-feira

15/10/2026 09h00

Volume de água provocado pelas fortes chuvas fez açude transbordar e deixou estradas rurais alagadas em Antônio João

Volume de água provocado pelas fortes chuvas fez açude transbordar e deixou estradas rurais alagadas em Antônio João Reprodução

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As fortes chuvas que atingiram Antônio João, município localizado na região de fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, provocaram o transbordamento de um açude, alagaram estradas rurais e causaram prejuízos em áreas agrícolas. Os transtornos foram registrados principalmente na terça-feira (13) e repercutiram na quarta-feira (14), após a divulgação de imagens que mostram a força da enxurrada em propriedades rurais. 

O volume de água acumulada fez com que o açude transbordasse e a água avançasse sobre trechos de estradas de terra, dificultando o deslocamento de moradores e produtores. Em um dos registros, ocupantes de um veículo tentam atravessar uma passagem alagada, enquanto a correnteza toma conta da via. 

A situação também afetou lavouras da região. Em uma propriedade rural, a enxurrada atravessou uma área de plantio, comprometendo parte da produção. Conforme informações iniciais, a água ultrapassou cerca de 50 centímetros de uma estrutura de contenção existente no local.

Além dos danos à agricultura, os alagamentos aumentaram a preocupação com as condições de circulação pelas estradas rurais, especialmente nos trechos próximos a açudes e cursos d’água.

De acordo com informações divulgadas na terça-feira, o prefeito de Antônio João, Marcelo Pé, informou que não havia registro de feridos ou de danos de grandes proporções no município, apesar da intensidade da chuva. 

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) havia emitido alerta laranja de perigo para tempestades, incluindo Antônio João entre os municípios sob risco. O aviso previa precipitações de até 100 milímetros por dia, rajadas de vento de até 100 km/h e possibilidade de granizo. Os valores representavam riscos previstos, e não volumes efetivamente registrados na cidade.

Clima

Após os estragos, a previsão meteorológica indica que Antônio João ainda poderá registrar pancadas de chuva nesta quinta-feira (15), principalmente durante a tarde, quando há possibilidade de trovoadas. As temperaturas devem variar entre 17°C e 24°C, com umidade relativa do ar chegando a 100%. 

Na sexta-feira (16), a instabilidade contínua, com previsão de chuva e trovoadas isoladas pela manhã e pancadas de chuva à tarde. A mínima será de 15°C e a máxima de 23°C. 

A partir de sábado (17), a previsão indica redução das instabilidades e queda nas temperaturas. Os termômetros devem marcar entre 13°C e 25°C, com poucas nuvens. No domingo (18), a mínuma poderá chegar a 11°C, enquanto a máxima será de 24°C.

Já na segunda-feira (19), o frio permanece durante a manhã, com mínima de 11°C, mas a temperatura poderá alcançar 27°C na parte da tarde.

 

 

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