Identificada como Nilza de Almeida Lima, de 50 anos, a mulher encontrada morta na madrugada deste domingo (22) dentro da própria residência, no bairro Senhor Divino, em Coxim, foi vítima de um golpe de faca na região do abdômen. O caso foi registrado como feminicídio em contexto de violência doméstica e familiar e pode se tornar o terceiro do tipo em Mato Grosso do Sul em 2026.
Equipes da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e perícia técnica foram acionadas para atender a ocorrência na Rua Walmor Rocha Soares. Ao chegarem ao imóvel, os policiais encontraram a vítima caída sobre um colchão na sala da casa, aparentemente já sem sinais vitais. O óbito foi confirmado ainda no local.
De acordo com a perícia, Nilza apresentava uma única perfuração provocada por arma branca. O ferimento, localizado no abdômen, foi considerado suficiente para causar a morte.
Versões contraditórias
Segundo informações do portal Coxim Agora, o companheiro da vítima, de 46 anos, apresentou relatos divergentes aos policiais. Inicialmente, informou que teria saído da residência por cerca de 40 minutos para buscar gelo na casa de uma filha e que, ao retornar por volta das 4h30, encontrou a mulher ferida, pedindo socorro.
Posteriormente, alterou a versão e passou a afirmar que o fato teria ocorrido por volta das 20h do dia anterior. Conforme registrado no boletim de ocorrência, ele apresentou comportamento agressivo durante o atendimento da equipe policial, sendo necessário o uso de algemas para garantir a segurança dos envolvidos. O homem foi encaminhado à delegacia para prestar esclarecimentos.
Filho é apontado como suspeito
Ainda segundo o registro policial, o filho do casal, de 22 anos, é apontado como suspeito de ter desferido o golpe que atingiu a vítima. O pai relatou que mãe e filho permaneceram na residência após uma discussão verbal e que os conflitos entre ambos seriam frequentes.
Quando o homem retornou ao imóvel, o jovem já não estava mais no local. Equipes policiais realizaram diligências na tentativa de localizá-lo, mas, até o momento, ele não havia sido encontrado.
No interior da residência, os policiais identificaram sinais de luta, o que reforça a hipótese de confronto antes do crime. A dinâmica exata dos fatos, assim como a motivação, ainda será apurada no decorrer do inquérito policial.
O corpo de Nilza foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde passará por exame necroscópico que deve confirmar oficialmente a causa da morte e auxiliar na reconstituição do crime. A investigação é conduzida pela Primeira Delegacia de Polícia Civil de Coxim, que segue em diligências para localizar o suspeito e esclarecer completamente o caso.
Terceiro caso no Estado
O boletim de ocorrência classifica o caso como feminicídio, tipificação aplicada quando o homicídio é cometido contra a mulher em razão da condição de sexo feminino, especialmente em contexto de violência doméstica ou familiar.
Se confirmado ao fim das investigações, este será o terceiro feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul neste ano.
O primeiro caso de feminicídio ocorreu em 16 de janeiro de 2026. Josefa dos Santos, de 44 anos, foi morta pelo companheiro, Fernando Veiga, com um tiro de espingarda nas proximidades da Capela Santo Antônio, na zona rural de Bela Vista. Após o crime, Veiga tirou a própria vida.
O segundo caso ocorreu em 24 de janeiro, quando Rosana Candia, de 62 anos, foi morta a pauladas pelo ex-companheiro, Antônio Lima Ohara, de 73 anos, no bairro Guarani, em Corumbá.
Perfil das vítimas e comparação com 2025
Dados do painel estatístico da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) indicam que, em janeiro de 2025, não houve registro de feminicídio em Mato Grosso do Sul. Os casos começaram a ser contabilizados a partir de fevereiro.
Neste ano, no entanto, as mortes tiveram início ainda em janeiro. Se o caso de Coxim for confirmado como feminicídio, o Estado chegará à terceira vítima em menos de dois meses.
Entre os dois registros anteriores de 2026, uma das vítimas tinha 44 anos e a outra 73. Já em 2025, o perfil das mulheres assassinadas incluiu três idosas, 24 adultas, uma criança e 11 jovens, evidenciando que a violência atingiu diferentes faixas etárias.

