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Nova portaria é bem recebida por
entidades que combatem trabalho escravo

Nova portaria é bem recebida por
entidades que combatem trabalho escravo

AGÊNCIA BRASIL

29/12/2017 - 18h37
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A publicação, pelo Ministério do Trabalho, de uma portaria revendo pontos polêmicos relativos à fiscalização e divulgação de empresas cuja atividade faz uso de trabalho em condições análogas à escravidão foi bem recebida por setores que atuam contra esse tipo de prática criminosa.

A portaria anterior, de outubro, foi criticada por entidades nacionais e internacionais, segundo as quais incluia regras que tornavam mais díficil a fiscalização do trabalho escravo.

Para os auditores fiscais do trabalho, a nova portaria, divulgada nesta sexta-feira (29), faz com que o Brasil “saia da marcha à ré” em que se encontrava, e volte ao posto que ocupa desde 2003, de referência mundial no combate ao trabalho escravo.

Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), Carlos Silva, as novas regras retomam a ideia de que não é apenas liberdade o que define trabalho escravo. “É, sobretudo, a dignidade da pessoa humana”, disse ele à Agência Brasil.

“A nova portaria se refere à dignidade da pessoa humana como central no conceito do trabalho escravo. Isso é importante porque é o oposto do que a portaria anterior trazia. Ao apresentar conceitos, a nova portaria resolve o problema criado pelo [então] ministro [do Trabalho] Ronaldo Nogueira com a portaria anterior, que retirava inclusive prerrogativas dos auditores fiscais. Nossa avaliação é de que, agora, essas prerrogativas serão respeitadas”, acrescentou.

Quanto ao auto de infração e aos documentos necessários à tipificação de tal crime, na nova portaria não consta mais a previsão de outra autoridade para fazer as autuações – no caso, uma autoridade policial, a quem caberia preparar um boletim de ocorrência para que a denúncia fosse adiante. “Ela garante a atuação efetiva do auditor, cabendo a ele o resgate da pessoa vítima de trabalho escravo”.

A retirada da exigência de participação de autoridades policiais no processo de fiscalização foi também elogiada pela coordenadora nacional de Erradicação do Trabalho Escravo, do Ministério Público do Trabalho (MPT), Catarina Von Zuben.

Segundo Catarina, a nova portaria “atende aos anseios do MPT e da sociedade como um todo”, apresentando regras inclusive melhores do que as que vigoravam antes da primeira portaria.

“Em primeiro lugar, a portaria anterior tirava a fé pública do auditor fiscal [ao exigir a participação de autoridades policiais no processo e a preparação do boletim de ocorrência]. Com a nova portaria, isso volta às mãos dos técnicos investidos de fé pública. Ela traz em seu texto muito do que, na prática, já se fazia. Voltou aos trilhos do auditor fiscal”, disse a procuradora à Agência Brasil.

VANTAGENS

Para os procuradores do Ministério Público do Trabalho, as novas regras apresentam também vantagens conceituais que facilitarão a discussão de critérios no momento das autuações.

“Agora existe um norte para a atuação do grupo fiscal, deixando mais claros e transparentes os conceitos. Isso representa avanço inclusive em relação ao que havia antes da primeira portaria porque, ao tratar de conceitos, torna desnecessária a necessidade de discutir critérios nos momentos de autuação”, argumentou a procuradora.

Tanto a procuradora quanto o auditor fiscal elogiaram o tratamento mais técnico e menos político que se dará para à chamada lista suja, na qual são apresentados os nomes de empresas condenadas administrativamente por fazer uso de trabalho em condições análogas à escravidão.

“Essa lista dá transparência à sociedade. Com a nova portaria, essa divulgação terá de ser mais limpa e clara. Ficará mais fácil divulgar os nomes dessas empresas. Antes, sendo o ministro quem decidia, a divulgação tinha caráter mais político, quando o critério deveria ser técnico”, disse a procuradora.

Para Carlos Silva, foi positiva a despolitização do processo de alimentação, organização e divulgação da lista suja. “Isso volta para o setor de onde jamais deveria ter saído, que é o de caráter técnico: a Secretaria de Inspeção do Trabalho”, disse o presidente do Sinait.

“Antes cabia ao ministro a divulgação dessa lista. Portanto, o critério era político. Agora está previsto como sendo competência da Secretaria Técnica do Ministério do Trabalho. É ela quem executa, planeja e organiza a fiscalização do trabalho. Nada mais coerente do que ser ela quem divulga a lista suja”, argumentou Silva.

PAPÉIS BEM DEFINIDOS

Silva destaca também que, além de deixar essa tarefa a cargo da secretaria, a nova portaria deixa claro o papel que tanto a assessoria de comunicação quanto outros órgãos do ministério terão no sentido de garantir que a Secretaria de Inspeção do Trabalho consiga promover a divulgação.

“Ela coloca esses órgãos para garantir a divulgação, algo absolutamente diferente e indo na contramão do que o ministério tentou fazer com a portaria anterior, que era de politizar a divulgação da lista suja”.

Um outro ponto elogiado pelo auditor fiscal é a obrigação da administração central e das superintendências regionais para garantir recursos para as fiscalizações. Ele explica que antes não havia citação expressa sobre a obrigação de destinação de recursos e de condições.

“A fiscalização móvel é coordenada pela administração central. No entanto, em quase todas superintendências há grupos móveis regionais. Essas unidades móveis são mantidas também com recursos das superintendências. Agora, inclusive, vamos fazer uso desse artigo para cobrar essa obrigação não só da administração central, mas também para as superintendências nos estados”, informou o auditor do trabalho.

A nova portaria foi a última medida anunciada pelo ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, à frente do cargo. Segundo Carlos Silva, esta é uma prova das pressões que o ministro recebeu para publicar a primeira portaria.

“Certamente o ministro deixou para fazer isso no último momento para se ver livre das pressões que são feitas por todos interessados em praticar trabalho escravo no país. Ele sofreria muita pressão se continuasse no cargo. Particularmente, acho no mínimo louvável ele ter compreendido a necessidade de rever a portaria anterior, tendo em vista os efeitos nefastos dela”.

estragos

Governo federal reconhece emergência em cidade de MS atingida por chuva de granizo

Forte chuva de granizo causou diversos estragos em residências, plantações e estruturas públicas e deixou famílias desalojadas

10/06/2026 15h02

Telhado e forro do Cras cedeu durante o temporal

Telhado e forro do Cras cedeu durante o temporal Foto: Divulgação / Prefeitura de Deodápolis

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O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Defesa Civil Nacional, reconheceu, nesta quarta-feira (10), situação de emergência no município de Deodápolis, afetados por forte chuva de granizo que causou diversos estragos no mês de maio.

Portaria que reconhece a emergência foi publicada no Diário Oficial da União.

A Prefeitura de Deodápolis decretou situação de emergência no dia 18 de maio deste ano, após a chuva de granizo causar diversos danos em residências, veículos, plantações e estruturas públicas do município.

Várias famílias ficaram desalojadas devido à danos em seus imóveis. Cerca de 200 casas foram danificadas e, na ocasião, escolas do município viraram abrigos para receber essas famílias afetadas.

O prédio onde funciona o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) teve a estrutura comprometida, com o telhado danificado e parte do forro de gesso cendendo, deixando o local sem condições de uso.

 prédio do Conselho Tutelar também sofreu danos devido ao temporal.

O trabalho de recuperação foi realizado em conjunto com a Defesa Civil Municipal e Estadual e equipes da Assistência Social, Administração, Planejamento, Finanças e Obras.

Com o reconhecimento da emergência pela União, o município poderá ter acesso a recusos federais para socorro, assistência humanitária, restabelecimento e recuperação de pequenas ou médias obras de infraestrutura.

Emergência

A situação de emergência ocorre quando um desastre compromete parcialmente a capacidade de resposta do poder público local.

De acordo com o MIDR, isso significa que o município ainda consegue atuar, mas precisa de apoio externo para enfrentar os danos e restabelecer serviços essenciais.

Para oficializar qualquer a emergência, o governo municipal ou estadual deve emitir um decreto e registrá-lo no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD). A solicitação é analisada pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) do MIDR, que avalia a necessidade do reconhecimento federal.

Caso aprovado, o município pode acessar recursos federais para a recuperação de áreas atingidas.

"buracos sem fim"

Mesmo preso, empreiteiro disputa contrato de R$ 196 milhões

Proprietário da Construtora Rial está detido desde o dia 12 de maio e nesta semana sua construtora entrou em duas licitações de tapa-buracos da Agesul

10/06/2026 14h20

Rua do Conjunto Rouxinóis tomada por buracos está sob responsabilidade de empreiteira cujo dono está na prisão

Rua do Conjunto Rouxinóis tomada por buracos está sob responsabilidade de empreiteira cujo dono está na prisão Gerson Oliveira

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Mesmo preso desde o dia 12 de maio por envolvimento em um suposto esquema de corrupção no serviço de tapa-buracos em Campo Grande, o empreiteiro Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa inscreveu sua empresa, a Construtora Rial, em duas licitações que juntas superam os R$ 196 milhões para o serviços de manutenção de rodovias com e sem asalto nas regionais de Camapuã e Ribas do Rio Pardo. 

A construtora Rial já tem contratos com a administração estadual para serviços de tapa-buracos nas regiões de Costa Rica e Três Lagoas. Agora, o Governo do Estado abriu licitações que prevêm investimento de até R$ 1,9 bilhão em 18 lotes diferentes de licitações em praticamente todas as regiões do Estado e o empreiteiro tenta manter parte do espaço  que já tinha.

Na segunda-feira (8) e nesta quarta-feira (10) ocorreu a entrega oficial de propostas de empreiteiras interessadas em participar da licitação de sete destes lote. Por conta dos altos valores, em torno de 40 empreiteiras chegaram a demonstrar interesse e pelo menos 30 estão efetivamente inscritas na disputa dos sete lotes cujas propostas foram recebidas até agora. 

Nesta quarta-feira (10), a Construtora Rial entrou na disputa com outras 22 empreeiteiras para fazer os serviços de tapa-buracos na rigião de Camapuão, onde já atua. A Agesul está disposta a pagar até R$ 97,5 milhões pelos serviços de tapa-buracos ao longo dos próximos três anos. O edital prevê que este contro pode ser prorrogado por até mais dez anos. 

Conforme publicação do diário oficial do Governo do Estado, no dia 12 de fevereiro  o empreiteiro renovou, por R$ 9,9 milhões, contrato para fazer a manutenção de 417 quilômetros de estradas com e sem asfalto nesta mesma região. No edital de agora, porém, a área sob responsabilidade de quem vencer o lote 06 vai aumenar para 786 quilômetros de rodovias

Nesta semana ocorreu somente o primeiro passo da licitação. Agora os pregoeiros vão analisar a documentação e depois será feita a fase da proposta de preços. 

"Neste momento, para análise minuciosa dos documentos de habilitação apresentados pelas empresas participantes, suspendo a presente sessão. Posteriormente, será comunicado a data da nova sessão para prosseguimento do certame através da publicação no Diário Oficial do Estado. Reitera-se a importância da presença de todos na próxima sessão para o acompanhamento dos trâmites licitatórios", escreveu 

O passo inicial dos outros 11 lotes do pacote de R$ 1,9 bilhão está previsto para os dias 12 e 15 deste mês. Os sete lotes abertos até agora prevêem o pagamento de até R$ 748,7 milhões ao longo de três anos. 
Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa foi preso com outras seis pessoas a pedido do Ministério Público Estadual durante a operação "Buracos Sem Fim". De acorco com o MPMS, entre 2018 e 2025 a empresa alvo da operação assinou contratos e aditivos que ultrapassam os R$ 113 milhões. 

to são, em tese, exatamente para colocar um fim nos serviços de tapa-buracos, os quais foram o principal alvo da operação do Ministério Público desta terça-feira. 

No dia da operação também oi preso o , o pecuarista Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, pai do empreitero. Mas, ao contrário do filho, ele conseguiu liberdade e está sendo monitorado por tornozeleira eletrônica. 

Outro detido e que segue na cadeia é o engenheiro Rudi Fiorese, que comandou a secretaria municipal de obras e que no dia da prisão comandava a Agesul, órgão estadual que agora está à frente do pacote de licitações. 

Na casa de Fiorese foram encontrados R$ 186 mil supostamente provenientes do pagamento de propinta. No mesmo dia também foi detido o engenheiro Edivaldo Pereira Aquino, coordenador do serviço de tapa-buracos de Campo Grande.  Em sua casa foram apreendidos R$ 233 mil em cédulas de Real e moeda estrangeira.

A empreitera Rial é reponsável pela pelos serviços de tapa-buracos de quatro das sete regiões de Campo Grande. Ele responde pelas regiões Bandeira, Imbirussu, Segredo e Anhanduizinho. A suspeita dos promotores é de que servidores da secretaria municipal de obras recebiam propina para fazer vistas grossas ao serviço que não é executado, o que explica a buraqueira em boa parte das vias da Capital. 
 

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