Cidades

"FORASTEIROS"

Novos promotores do MPMS são todos de fora do Estado

Aprovados se destacaram entre 2.181 inscritos que disputaram os altos salários, de R$ 27 mil iniciais, em cargo que pode render entre R$ 45.271,33 e R$ 105,244,07

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Mato Grosso do Sul possui oito novas pessoas como Promotores de Justiça Substitutos no Ministério Público Estadual (MPMS), todos vindos de outras Unidades Federativas e encontrando na Comarca sul-mato-grossense um local para dedicarem suas carreiras. 

Empossados há cerca de dez dias, a cerimônia em 13 de setembro, definitivamente, marcou o fim desse longo processo que envolveu 2.181 inscritos em busca dos altos e atrativos salários que o cargo pode oferecer. 

Ainda que no edital esteja prevista uma remuneração inicial de exatos R$ 27.363,98, os rendimentos líquidos de apenas um mês podem variar entre quarenta e cinco e R$ 105 mil, como já abordado pelo Correio do Estado à época da retomada do concurso. 

Justamente pelos salários atrativos, as poucas vagas que surgem com o concurso público tendem a ser muito disputadas e atrair interessados de todo o território nacional, a exemplo dos novos promotores que são todos "forasteiros" em Mato Grosso do Sul. 

Novos membros do MPMS

Vindos das mais variadas regiões, há quem se deslocou de municípios paranaenses; da "terra da garoa", bem como novos promotores cariocas e até mesmo "cria" da fronteira entre Mato Grosso do Sul e o interior do Estado paulista. 

É o caso do novo promotor João Augusto Arfeli Panucci, nascido em Presidente Venceslau (SP), município paulista que fica perto da divisa sul-mato-grossense. 

Pós-graduado em Direito Penal e Direito Processual Penal, atuou como analista do Ministério Público de São Paulo, sempre com o sonho de ser Promotor de Justiça, realizado agora em Mato Grosso do Sul. 

Além dele, a "terra da garoa" também trouxe para Mato Grosso do Sul a Promotora de Justiça, Laura Assagra Rodrigues Barbosa Pimenta, que nasceu em Ribeirão Preto (SP). 

Graduada em Direito e com passagens pelo MP paulista, como estagiária, e pelo Tribunal Regional Eleitoral, como servidora, possui especializações em: 

  • Direito Administrativo, 
  • Ciências Criminais e em 
  • Direitos Difusos e Coletivos

Entre os oito aprovados há também dois "fluminenses", Gabriela Rabelo Vasconcelos e Felipe Rocha Vasconcellos de Freitas Pinheiro, que se destacaram do Rio de Janeiro até desembarcarem em território sul-mato-grossense. 

Natural de Bicas, uma pequena cidade no interior de Minas Gerais, Laura Alves Lagrota também atuou como estagiária no MP, bem como teve passagem nos tribunais de Justiça e Regional Eleitoral de Minas gerais. 

Além de ter residido como advogada na Procuradoria Geral do Rio de Janeiro, ela se posiciona como pronta para "servir a sociedade". 

"... Da melhor maneira possível. Os cidadãos precisam do Ministério Público, e o Ministério Público não existiria não fossem os anseios da sociedade", complementa. 

Completam a lista de novos promotores: 

  • Guilermo Timm Rocha | Natural de Cuiabá–MT 
  • Vitoria de Fatima Herechuk | Natural de Campo Mourão–PR,
  • Felipe Blos Orsi | Natural de Campo Bom–RS,


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Meio Ambiente

Estudo sugere melhorias para alertas de desastres no Brasil

Menos de 2% das mensagens tinham comunicação eficaz entre 2018 e 2023

10/10/2026 20h00

FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Apenas 1,83% dos alertas de desastres disparados por SMS no país entre 2018 e 2023 continham todos os elementos considerados essenciais para uma comunicação eficaz, aponta o estudo Mensagens de alerta de desastres: desafios e oportunidades com base na experiência do Brasil.

Realizado pelos pesquisadores Murilo Noli da Fonseca e Luciene Pimentel da Silva, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), o estudo analisou 73.701 mensagens enviadas por órgãos de proteção e defesa civil do país, sobre o aspecto de eficiência das informações distribuídas.

O resultado apontou a ausência de vários elementos necessários à uma comunicação eficiente nas mensagens.

“Ao receber uma mensagem, a pessoa precisa conseguir identificar se está em risco, entender o que está acontecendo, saber onde o evento pode ocorrer, o que deve fazer e por quanto tempo precisa permanecer em alerta”, explica Luciene.

Foram analisadas as mensagens de SMS de até 160 caracteres cadastradas no sistema da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) entre 2018 e 2023.  Os pesquisadores classificaram o total de mensagens por fonte, perigo, localização, orientações e tempo e analisaram esses elementos conforme os padrões do Classificação e Codificação de Desastres (Cobrade).

Um exemplo do que é esperado pelo padrão é a explicação dos danos potenciais do perigo, que apareceram em apenas 7,7% das mensagens analisadas. A localidade precisa, também só foi identificada em 5,9% das mensagens e os horários do termino do perigo só constava em 9% dos textos.

A própria identificação da categoria da mensagem, se era um aviso, uma comunicação, um alerta ou uma advertência não aparecia em 76,2% das mensagens distribuídas. A palavra alerta estava presente em apenas 19% das mensagens, enquanto a palavra aviso apareceu em 2,2% e atenção em 1,8% dos textos disparados.

Na avaliação dos pesquisadores, a ausência desses elementos revela a ineficiência na comunicação do desastre.

“Quanto mais clara e específica for a mensagem, maiores são as condições para que ela seja compreendida e utilizada na tomada de decisão”, acrescenta a pesquisadora da PUCPR.

Limitações

O limite padrão de 160 caracteres, incluindo espaços e pontuações, determinado pela ferramenta de envio de SMS também foi apontado pelos pesquisadores como um dos desafios para a inclusão de informações mais completas e específicas nos alertas.

A diversificação com o uso complementar de diferentes canais de comunicação como Cell Broadcast, aplicativos de mensagens e sistemas locais de comunicação, conforme vem sendo adotado no Brasil mais recentemente resulta em uma estratégia capaz de aumentar a eficiência na comunicação, destaca o estudo.

Para o pesquisador Murilo Fonseca, não existe necessariamente um único canal capaz de atender a todas as situações.

“Um sistema multicanal precisa considerar as características da população, incluindo diferentes níveis de alfabetização e acesso à informação, a presença de pessoas idosas, pessoas com deficiência e outros grupos que podem enfrentar barreiras de comunicação; as características do território; os meios de comunicação disponíveis e acessíveis; e a dinâmica do fenômeno”, afirma.

Dados

De forma geral, a maior parte das mensagens analisadas, 73,6%, tinham o objetivo de alertar sobre chuvas intensas. O segundo tipo de comunicação mais frequente foi a de baixa umidade do ar, representando 8,5% das mensagens, e, em seguida, aparece a mensagem de alerta para granizo, que representou 4,2% das mensagens analisadas.

As estações da primavera e do verão, que ocorrem entre os meses de setembro e março no Hemisfério Sul, foram os períodos do ano que concentraram 75% dos disparos de mensagens a cada ano.  Essas mensagens foram distribuídas principalmente nos meses de janeiro, 15,9%, e dezembro, 13,4%.

Em termos de regionalidade, o sudeste do Brasil apresentou o maior número de disparos de mensagens à população, com 75,2% dos textos enviados. A Região Sul foi responsável por 18,6%, o Centro-Oeste 3,7%, Nordeste, 1,5% e Norte, 0,98% das mensagens.

Saúde

Malária: Anvisa autoriza teste em humanos de vacina 100% brasileira

Imunizante será testado em 48 voluntários sem infecção prévia

10/10/2026 19h00

Alex Pazuello/Secom

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início de testes em humanos da primeira vacina do mundo contra a malária causada pelo Plasmodium vivax, parasita responsável pela maioria dos casos da doença no país. O imunizante é feito com tecnologia 100% nacional.

Em nota, o Ministério da Saúde detalhou que a dose, chamada Vivaxin, é fruto de pesquisas conduzidas pelo Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A tecnologia tem incentivo previsto de R$ 12 milhões da pasta para ensaios clínicos de fases I, II e III.

De acordo com o ministério, o estudo clínico de fase I vai avaliar a segurança da vacina, possíveis reações à aplicação e a capacidade de estimular uma resposta imunológica em um total de 48 participantes sem infecção prévia, com idades entre 18 e 59 anos. O acompanhamento clínico será feito por 360 dias.

“O avanço na pesquisa da tecnologia representa um marco e abre a possibilidade de uma nova forma de prevenção contra a doença que, em 2025, registrou 118.037 casos no território nacional”, avaliou a pasta no comunicado.

As duas vacinas contra malária atualmente recomendadas por autoridades sanitárias foram desenvolvidas para outra espécie de parasita causador da doença, o Plasmodium falciparum, predominante na África, não contra o Plasmodium vivax, que predomina nas Américas e na Ásia.

A doença

A malária é uma doença infecciosa causada por um parasita do gênero Plasmodium, transmitido para humanos pela picada de fêmeas infectadas dos mosquitos Anopheles (mosquito-prego), mais abundantes nos horários crepusculares, ao entardecer e ao amanhecer.

“Não é uma doença contagiosa, ou seja, uma pessoa doente não é capaz de transmitir malária diretamente a outra pessoa”, reforçou o ministério.

Também conhecida como impaludismo, paludismo, febre palustre, febre intermitente, febre terçã benigna, febre terçã maligna, a malária recebe ainda nomes populares como maleita, sezão, tremedeira, batedeira ou febre.

“Toda pessoa pode contrair a malária. Indivíduos que tiveram vários episódios de malária podem atingir um estado de imunidade parcial, apresentando poucos ou mesmo nenhum sintoma. Porém, uma imunidade esterilizante, que confere total proteção clínica, até hoje não foi observada”, destacou a pasta.

O ministério alerta ainda que, caso não seja tratado adequadamente, o paciente com malária pode ser fonte de infecção por meses ou mesmo anos, de acordo com a espécie parasitária em questão.

No Brasil, a maioria dos casos da doença se concentram na região amazônica, composta pelos seguintes estados: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

“Na região extra-amazônica, composta pelas demais unidades federativas, apesar das poucas notificações, a doença não pode ser negligenciada, pois a letalidade nesta região é maior que na região amazônica”, concluiu a pasta.

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