Cidades

MEIO AMBIENTE

Pedreira do São Francisco vira caso de Justiça por riscos à saúde e à segurança

Terreno sem uso adequado favorece proliferação de doenças, viola normas urbanísticas e pode ser esconderijo de criminosos

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) ingressou com ação civil pública contra a El Kadri Participações e Investimentos Mobiliários Ltda., por causa do abandono de uma área de 27 mil metros quadrados localizada no Bairro São Francisco, em Campo Grande, também conhecida como Pedreira do São Francisco, Pedreira Nasser ou Buracão.

A promotora de Justiça Andreia Cristina Peres da Silva pede à Justiça que o proprietário da área dê uma destinação ao local, seja comercial, seja residencial, e também algumas destinações imediatas, como, por exemplo, protocolar um Plano de Recuperação de Área Degradada (Prada), requerendo o licenciamento ambiental do local, além do calçamento de todo o entorno do imóvel, execução de rampas de acessibilidade nas calçadas, construção de um muro para cercar todo o terreno e uma medida considerada de extrema urgência: a remoção de todo o lixo existente dentro e ao redor do imóvel, para evitar a proliferação de doenças. O MPMS ainda pede para que o juiz determine a poda da vegetação do local.

A promotora de Justiça narra que o imóvel foi objeto de extração mineral no século passado e que a atividade de lavra cessou na década de 1970. Ela fala em descaso por parte dos proprietários.

“Há cerca de 50 anos o imóvel está em completo abandono”, afirma.

Até este ano, segundo a integrante do MPMS, não foi feita a recuperação da área, que está totalmente degradada.

“Entre os problemas relatados, destaca-se o acúmulo de lixo, que se torna foco de doenças, falta de segurança no entorno, já que a ausência de manutenção por parte do proprietário e o crescimento descontrolado da vegetação favorecem o esconderijo de criminosos, facilitando a ocorrência de furtos e delitos na região”, afirma a promotora de Justiça na ação civil pública.

“Constatou-se, ainda, a proliferação de animais peçonhentos, fauna sinantrópica (ratos, pássaros, entre outros), baratas e mosquitos transmissores da dengue, agravando o risco à saúde pública”, relata Andreia Cristina.

Acidentes 

O MPMS ainda cita acidentes que ocorreram nos últimos anos, alguns deles fatais.

“A cerca do entorno do lote é precária, composta por trechos de alambrado e arame farpado, e em diversos pontos críticos – especialmente nas proximidades do barranco da pedreira, com altura estimada entre 6 metros e 8 metros, localizado na esquina da Rua Amazonas com a Rua Pedro Celestino – não há qualquer forma de isolamento ou proteção, circunstância que já foi responsável por acidentes fatais”, afirma.

“No terreno examinado foram encontrados resíduos sólidos orgânicos e inorgânicos, ao que tudo indica, descartados por transeuntes, os quais servem de atrativo para a fauna sinantrópica, que pode causar danos à saúde humana. As condições em que o terreno se encontra podem ainda colocar em risco de acidente os transeuntes, dada a invasão de vegetação no passeio público e a presença de canteiros de alvenaria com mato na calçada, além dos declives existentes”, informa trecho de perícia feita pelo Instituto de Criminalística em 2023.

“Frisa-se que, em alguns pontos, a calçada se encontra intransitável. O terreno, da forma em que se encontra, pode ainda servir de abrigo para autores de delitos, haja vista a falha no cercamento e obstrução da iluminação pública pela vegetação”, acrescenta o Instituto de Criminalística, em laudo anexado à ação civil pública.

A promotora de Justiça ainda lembra da função social da propriedade, prevista na Constituição e reiterada no Plano Diretor de Campo Grande. Ela inclusive cita trecho de obra do jurista León Duguit: “Se não a cumpre (a função social) ou a cumpre mal, se, por exemplo, não cultiva a terra ou deixa arruinar-se sua casa, a intervenção dos governantes é legítima para obrigá-lo a cumprir sua função social de proprietário, que consiste em assegurar o emprego das riquezas que possui conforme seu destino”.

Ela ressalta que na região onde está localizada a pedreira, a MZ1, “o proprietário do solo não edificado ou subutilizado, a contar da vigência deste PPDUA (Plano Diretor), deverá cumprir a função social da propriedade urbana, conforme determina o Estatuto das Cidades, com a utilização compatível de usos que promovam o adensamento e a urbanização, sob pena da aplicação das sanções previstas na legislação pelo seu descumprimento”, afirma.

Uma das sanções previstas no Estatuto das Cidades seria até mesmo a desapropriação da área. 
Como a ação civil pública foi distribuída neste fim de semana à 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, ainda não há nenhuma decisão sobre o processo.

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DÍVIDA

Erro transforma quilos em toneladas, gera dívida de R$ 2,6 milhões e União é condenada

Produtor de sorgo de Dourados foi incluído no Cadin após fiscalização calcular de forma equivocada sua receita rural

23/09/2026 17h30

Erro na análise de notas fiscais levou Receita Federal a atribuir receita milionária a produtor de sorgo e resultou em cobrança superior a R$ 2,6 milhões

Erro na análise de notas fiscais levou Receita Federal a atribuir receita milionária a produtor de sorgo e resultou em cobrança superior a R$ 2,6 milhões Divulgação

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Um erro na análise de notas fiscais fez a Receita Federal transformar quilogramas de sorgo em toneladas e atribuir a um produtor rural uma receita milionária que ele não havia obtido. O equívoco resultou na cobrança de mais de R$ 2,6 milhões e na inclusão do nome do contribuinte no cadastro federal de inadimplentes.

O caso foi parar na Justiça e terminou com a União condenada a pagar R$ 10 mil por danos morais ao produtor. A sentença foi proferida pela 1ª Vara Federal de Dourados.

A cobrança teve origem na fiscalização de operações realizadas em 2019. Ao analisar uma nota fiscal referente à comercialização de sorgo, a autoridade fiscal considerou a quantidade do produto em toneladas, embora o valor correto estivesse expresso em quilogramas.

A diferença de unidade de medida provocou uma distorção significativa no cálculo da produção e, consequentemente, da receita bruta atribuída à atividade rural. A partir desses dados, foi constituído crédito tributário superior a R$ 2,6 milhões.

O produtor também passou a responder a processo administrativo por suposta omissão de rendimentos e teve o nome incluído no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin).

Posteriormente, uma revisão realizada pela própria fiscalização identificou problemas no lançamento. Além da unidade de medida utilizada de forma equivocada, a Administração constatou duplicidade no cálculo de operações envolvendo a produção rural.

Segundo o Correio de Corumbá Pantanal, foram contabilizadas simultaneamente notas fiscais utilizadas no transporte dos produtos agrícolas e notas de entrada emitidas pelo comprador, fazendo com que determinadas operações fossem consideradas mais de uma vez.

Após a revisão, o valor apurado caiu drasticamente. A fiscalização concluiu pela existência de R$ 13.523,94 em imposto devido no exercício de 2019 e R$ 28.058,89 em 2020.

Na decisão, o juiz federal João Paulo Lopes Lange destacou que os atos praticados pela Administração Pública possuem presunção de legitimidade e veracidade, mas essa presunção não é absoluta e pode ser afastada diante de provas que demonstrem a existência de erros.

Para o magistrado, o lançamento tributário foi elaborado com base em informações que não correspondiam à realidade das operações do produtor.

“O lançamento original utilizou dados incorretos para apuração da receita bruta da atividade rural, tendo sido constituído sobre premissas fáticas equivocadas”, registrou.

Cobrança

Para solucionar a controvérsia tributária, Lange aplicou entendimento da Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), segundo o qual, quando o valor efetivamente devido pode ser obtido mediante simples cálculo aritmético e exclusão das parcelas incorretas, não é necessário invalidar integralmente o lançamento.

Com isso, a Justiça determinou a anulação parcial da cobrança, mantendo somente o valor considerado efetivamente devido após a correção dos erros.

A situação, entretanto, não ficou restrita à discussão tributária. Antes da revisão, o débito calculado de forma equivocada provocou a inclusão do produtor no Cadin e deu origem a uma execução fiscal para cobrança do montante milionário.

Ao analisar o pedido de indenização, o juiz entendeu que as consequências do erro administrativo foram além de um simples transtorno.

“Esse conjunto de circunstâncias ultrapassa o mero dissabor e caracteriza dano moral indenizável”, afirmou Lange.

A decisão também cita o entendimento de que o Estado responde objetivamente pelos danos provocados pela atuação de seus agentes, independentemente da demonstração de culpa ou dolo.

A sentença ainda menciona jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) segundo a qual a inscrição indevida em cadastro restritivo, incluindo o Cadin, pode configurar dano moral presumido, chamado juridicamente de in re ipsa.

A indenização foi fixada em R$ 10 mil, valor definido com base em precedentes do TRF3. A quantia deverá ser corrigida monetariamente a partir da sentença, enquanto os juros de mora serão calculados desde o evento que provocou o dano.

 

     

Operação Rota Norte

PF mira 23 investigados por tráfico e lavagem em operação que chega a MS

Operação Rota Norte cumpre 10 mandados de prisão e 22 de busca e apreensão em três estados; em MS, ação da Polícia Federal chegou a Corumbá.

23/09/2026 17h01

Viaturas da Polícia Federal durante operação; ação contra tráfico de drogas e lavagem de dinheiro também cumpriu mandados em Corumbá (MS).

Viaturas da Polícia Federal durante operação; ação contra tráfico de drogas e lavagem de dinheiro também cumpriu mandados em Corumbá (MS). Foto: Divulgação.

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A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (23) uma operação contra uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Em Mato Grosso do Sul, a ofensiva chegou a Corumbá, município localizado na fronteira com a Bolívia.

Batizada de Operação Rota Norte, a ação é realizada em conjunto com as Polícias Militares do Espírito Santo e de Minas Gerais e prevê o cumprimento de 22 mandatos de busca e apreensão e dez mandados de prisão nos três estados.

Ao todo, 23 pessoas são investigadas. Segundo a Polícia Federal, o grupo estaria dividido em diferentes núcleos, responsáveis pelo fornecimento de drogas, financiamento das atividades, movimentação financeira e ocultação de patrimônio.

As medidas judiciais têm como objetivo reunir novas provas, identificar outros possíveis envolvidos, interromper as atividades investigadas e atingir financeiramente a organização.

Em Corumbá, a PF também cumpriu ordens judiciais relacionadas à operação. O material divulgado inicialmente, porém, não informa quantos dos 22 mandados de busca e dos dez de prisão foram destinados ao município sul-mato-grossense.

Armas, droga e dinheiro apreendidos

Durante o cumprimento das ordens judiciais nos estados alcançados pela operação, houve também prisões em flagrante por posse irregular de arma de fogo e tráfico de drogas.

As equipes apreenderam armas de fogo e um tablete de substância com características semelhantes às da maconha. A Polícia Federal não informou inicialmente em qual dos estados ocorreram essas apreensões.

Também foram encontrados valores em dinheiro e veículos que, conforme a investigação, apresentam indícios de terem sido adquiridos com recursos provenientes das atividades criminosas apuradas.

A frente financeira é um dos pontos investigados pela PF. Os policiais buscam esclarecer como os recursos supostamente obtidos com o tráfico eram movimentados e de que maneira bens e patrimônio teriam sido utilizados para ocultar a origem do dinheiro.

Investigação mira diferentes núcleos

De acordo com a Polícia Federal, os 23 investigados teriam funções distintas dentro da estrutura apurada. Enquanto parte estaria relacionada ao fornecimento de entorpecentes, outros integrantes seriam responsáveis pelo financiamento, movimentação financeira e ocultação patrimonial.

Com as buscas realizadas nesta quarta-feira, os investigadores pretendem obter documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos capazes de auxiliar na identificação da atuação de cada integrante e de eventuais novos envolvidos.

A Operação Rota Norte ocorre simultaneamente no Espírito Santo, em Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Em território sul-mato-grossense, as diligências se concentram em Corumbá.

Até o momento, não foi divulgado um balanço detalhado sobre quantos mandados foram cumpridos e se houve prisões especificamente em Corumbá.

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