Cidades

Fronteira de MS

PF combate esquema milionário de contrabando de peças de carros de luxo

Grupo é suspeito de trazer do Paraguai, a partir de Ponta Porã, peças de carros importados para serem revendidas em SP

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Uma quadrilha especializada na aquisição e no comércio irregular de autopeças de carros de luxo, com braços nos estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo, foi desmantelada depois de investigação da Polícia Federal (PF) apontar movimentação de R$ 146 milhões em cinco anos, além de lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada.

Ontem, agentes da PF e da Receita Federal deflagraram a Operação Peça-Chave, com cumprimento de nove mandados de busca e apreensão nos municípios de Ponta Porã, São Paulo (SP), Santo André (SP) e São Bernardo do Campo (SP). 

De acordo com o delegado Cléber Campos da Silva, a investigação começou há cinco anos, “a partir da análise de informações financeiras e do cruzamento de dados bancários, fiscais e empresariais, que apontaram movimentações suspeitas e incompatíveis com a capacidade econômica dos envolvidos”.

“O grupo seria responsável pela introdução e a comercialização de peças automotivas de origem estrangeira no País, com indícios da utilização de documentação fiscal fraudulenta para conferir aparência de legalidade às mercadorias. Também são apurados possíveis crimes de lavagem de dinheiro relacionados às atividades investigadas”, disse.

Em imagens feitas pela Receita Federal em um dos galpões da organização criminosa, é possível observar um depósito lotado de autopeças dos mais variados tipos. Por exemplo, destaca-se um acessório automotivo dos modelos Classe A, CLA e GLA, de 2012 a 2018, da Mercedes-Benz.

Segundo a Tabela Fipe (principal índice oficial de preços médios de veículos), esses modelos de carros variam de R$ 68.000 a R$ 153.000, a depender do ano, da motorização (1.6 ou 2.0 turbo) e do estado de conservação, mas o custo da manutenção é similar ao dos veículos novos, avaliados em mais de R$ 500 mil.

No mercado oficial, algumas peças custam mais de R$ 10 mil, mas do outro lado da fronteira peças para veículos desse porte chegam a ser vendidas pela metade do preço, em comparação com uma loja autorizada e legalizada.

Vale destacar que essas autopeças não são proibidas no Brasil, porém, por serem importadas, é preciso que sejam efetuados os pagamentos de impostos ou taxas pela entrada, saída ou utilização dessas mercadorias.

Quanto a isso, a investigação da Polícia Federal indicou que a quadrilha conseguia fraudar os documentos dos produtos, conseguindo introduzi-los no País sem “barreira”.

“Foram identificados indícios de utilização de documentos fiscais emitidos por empresas sem estrutura operacional compatível, além de documentos com informações genéricas ou valores que não correspondiam às características das mercadorias transportadas”, afirmou o delegado responsável pela operação em Ponta Porã.

Parte dos documentos, segundo a investigação, seria emitida por empresas conhecidas como “noteiras”, criadas ou utilizadas principalmente para fornecer documentação fiscal a terceiros.

A análise feita pela Receita Federal apontou que os investigados movimentaram mais de R$ 146 milhões entre 2018 e 2023. Conforme os levantamentos, não foi encontrada documentação contábil e fiscal suficiente que justificasse a origem e o destino de parte desses recursos.

Além de documentos, equipamentos e outros materiais que possam contribuir para a investigação, a decisão da Justiça Federal autorizou a apreensão de bens que eventualmente estejam relacionados aos recursos de origem ilícita.

A medida abrange joias, obras de arte e outros itens de alto valor, além de armas e drogas encontradas. Também foi apreendido dinheiro em espécie, em quantia superior a R$ 5 mil. Os investigados poderão responder por descaminho, lavagem de capitais e associação ou organização criminosa.

Detalhes

De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp), foram registradas 20 ocorrências de descaminho no Estado este ano. O número é significativamente menor do que o registrado no mesmo período de 2025, quando MS já contabilizava 40 crimes do tipo.

Saúde Pública

Câmara aprova internação involuntária de dependentes de drogas em Campo Grande

Proposta passou em primeira discussão mesmo após parecer contrário da CCJ e prevê medida excepcional mediante avaliação médica.

27/08/2026 18h31

Projeto que prevê internação involuntária de dependentes de drogas avançou em primeira discussão na Câmara de Campo Grande.

Projeto que prevê internação involuntária de dependentes de drogas avançou em primeira discussão na Câmara de Campo Grande. Foto: Divulgação Câmara Municipal de Campo Grande.

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A Câmara Municipal de Campo Grande aprovou, em primeira discussão, um projeto de lei que estabelece regras para o tratamento de usuários e dependentes de drogas na rede municipal de saúde e prevê a possibilidade de internação involuntária por até 90 dias em situações consideradas excepcionais.

Nesse tipo de internação, o paciente é submetido ao tratamento sem ter dado consentimento, mediante solicitação de familiar ou responsável legal e avaliação médica.

A proposta recebeu parecer contrário da Comissão de Legislação, Justiça e Redação Final (CCJ), mas o posicionamento foi levado ao plenário após receber o apoio necessário de vereadores. Com isso, o projeto pôde ser submetido à votação e acabou aprovado nesta etapa da tramitação.

O texto estabelece critérios para que a internação sem o consentimento do paciente seja utilizada apenas quando outras alternativas de tratamento forem consideradas insuficientes. A medida deverá ser formalizada por médico responsável, após avaliação das condições do paciente.

Entre os pontos que deverão ser considerados estão o tipo de droga utilizada, o padrão de consumo e a impossibilidade comprovada de utilização de outras alternativas terapêuticas disponíveis na rede de atendimento.

Limite de 90 dias

Pelas regras previstas no projeto, a internação involuntária deverá permanecer somente pelo período considerado necessário para a desintoxicação, respeitando o limite máximo de 90 dias.

O encerramento do tratamento ficará sob responsabilidade do médico que acompanha o paciente. A família ou o representante legal também poderá solicitar a interrupção da internação a qualquer momento.

Apesar da previsão de internação sem consentimento, o projeto determina que o atendimento ambulatorial continue sendo a prioridade. A internação deverá ser utilizada de maneira excepcional, quando os recursos extra-hospitalares forem considerados insuficientes para o tratamento.

A proposta busca estabelecer procedimentos para a atuação da rede municipal diante de casos de dependência química em que o paciente não tenha condições de aderir às demais formas de acompanhamento.

O projeto é de autoria do vereador André Salineiro (PL), que sustenta que a medida tem caráter de tratamento e não pretende permitir o recolhimento indiscriminado de usuários de drogas.

“A proposta não é de recolhimento indiscriminado. É de tratamento. Precisamos dar condições para que quem está dominado pelas drogas tenha acesso à recuperação, especialmente quando as alternativas fora do ambiente hospitalar não forem suficientes”, afirmou.

A possibilidade de internação involuntária coloca no centro da discussão os critérios que deverão ser adotados para conciliar a necessidade de assistência em casos graves de dependência química com a preservação dos direitos e da autonomia dos pacientes.

Como a aprovação ocorreu em primeira discussão, a proposta ainda precisa cumprir as demais etapas de tramitação na Câmara Municipal antes de uma eventual aprovação definitiva e encaminhamento ao Executivo.

Meio Ambiente

Estiagem interrompe fluxo do Rio da Prata sob ponte em Jardim

Trecho mais elevado próximo à Ponte do Curé secou, mas rio volta a correr mais à frente

27/08/2026 17h45

Trecho seco do Rio da Prata

Trecho seco do Rio da Prata Reprodução/ Instituto Amigos do Rio da Prata

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A estiagem fez com que a água do Rio da Prata deixasse de passar sob um trecho da Ponte do Curé, na região de Jardim, a cerca de 230 quilômetros de Campo Grande. Imagens registradas no dia 25 de agosto mostram o nível baixo do rio e pequenas áreas de água nas proximidades.

O Rio da Prata é um dos principais cursos d'água da região da Serra da Bodoquena e afluente do Rio Miranda. Suas áreas de nascentes e banhados têm importância para a manutenção da qualidade e da disponibilidade hídrica, além de abrigarem espécies da fauna e contribuírem para a conexão entre áreas de vegetação nativa.

Além da importância ambiental, o rio é um dos principais símbolos do ecoturismo de Mato Grosso do Sul. O Recanto Ecológico Rio da Prata, em Jardim, recebe visitantes para atividades como flutuação em águas cristalinas, em um trecho conhecido pela presença de diversas espécies de peixes. O atrativo integra o circuito turístico de Bonito e Jardim.

Trecho seco do Rio da Prata

Segundo informações divulgadas no perfil do Instagram do  Instituto Amigos do Rio da Prata, a interrupção do fluxo sob a ponte pode ocorrer durante períodos de estiagem. Apesar do trecho seco, o rio mantém pontos com água e retoma seu curso mais à frente.

Os atrativos turísticos da região seguem funcionando normalmente. A equipe também mantém o monitoramento do rio e poderá realizar ações de manejo caso seja necessário evitar que peixes fiquem isolados em poças durante o período de seca. A recuperação do fluxo depende da volta das chuvas à região.

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