Essa é uma das perguntas mais frequentes entre os segurados do INSS e, ao mesmo tempo, uma das que mais geram dúvidas, insegurança e desinformação.
Afinal, quem recebe aposentadoria por invalidez pode voltar a trabalhar?
Em regra, a resposta é não.
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Essa é uma das perguntas mais frequentes entre os segurados do INSS e, ao mesmo tempo, uma das que mais geram dúvidas, insegurança e desinformação.
Afinal, quem recebe aposentadoria por invalidez pode voltar a trabalhar?
Em regra, a resposta é não.
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Uma decisão que coloca a saúde do trabalhador em primeiro lugar
14/08/2026 00h03
Juliane Penteado
A rotina de um técnico de enfermagem é marcada por desafios que vão muito além do cuidado com os pacientes. São longas jornadas de trabalho, plantões exaustivos, contato permanente com vírus, bactérias, secreções e materiais contaminados, além do desgaste físico e emocional inerente à profissão.
A pandemia de covid-19 tornou ainda mais evidente aquilo que os profissionais da enfermagem já conheciam há muito tempo: cuidar do outro exige dedicação, preparo técnico e, muitas vezes, um grande sacrifício pessoal. Em inúmeros momentos, esses trabalhadores colocaram a própria saúde em risco para preservar a vida de milhares de pessoas.
Por essa razão, a aposentadoria especial sempre ocupou um lugar importante no sistema previdenciário brasileiro. O benefício foi criado justamente para reduzir o tempo de exposição a agentes capazes de comprometer a saúde e a integridade física do trabalhador.
Entretanto, a Reforma da Previdência, aprovada em 2019, passou a exigir o cumprimento de uma idade mínima para a concessão da aposentadoria especial. Na prática, isso significava que muitos profissionais precisariam permanecer expostos aos riscos ocupacionais durante mais tempo, mesmo depois de preencherem o período mínimo de atividade especial exigido pela legislação.
Em junho de 2026, esse cenário começou a mudar.
Ao julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) n.º 6309, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a inconstitucionalidade da exigência da idade mínima para a concessão da aposentadoria especial.
A decisão trouxe uma reflexão importante: se a finalidade do benefício é proteger a saúde do trabalhador, não parece razoável obrigá-lo a permanecer em atividade apenas para cumprir um requisito etário.
Mais do que uma discussão jurídica, trata-se de uma questão relacionada à dignidade humana, à valorização do trabalho e ao direito fundamental à saúde.
Na prática, a decisão pode beneficiar milhares de profissionais da área da saúde, entre eles os técnicos de enfermagem.
Mas é importante esclarecer um ponto fundamental: a aposentadoria não será concedida automaticamente.
A comprovação da atividade especial continua sendo indispensável. O Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP), os laudos técnicos e outros documentos permanecem essenciais para demonstrar a exposição habitual e permanente aos agentes nocivos.
Também é importante destacar que a decisão não eliminou todas as alterações promovidas pela Reforma da Previdência. O julgamento tratou especificamente da exigência da idade mínima, permanecendo válidas as demais regras relativas ao benefício.
Além disso, a análise do direito não se resume ao preenchimento dos requisitos legais.
Cada trajetória profissional é única. Há técnicos de enfermagem que trabalharam em diferentes hospitais, exerceram atividades concomitantes, mudaram de função ao longo dos anos ou até mesmo deixaram a área da saúde para atuar em outras profissões.
Em muitos casos, esses períodos podem influenciar diretamente o valor da aposentadoria e a estratégia a ser adotada.
Por esse motivo, a análise do histórico contributivo é uma etapa fundamental do planejamento previdenciário.
Não basta apenas verificar se existe direito ao benefício. É igualmente importante avaliar o impacto financeiro da decisão, identificar a regra mais vantajosa e compreender as consequências futuras da escolha realizada.
Essa análise é especialmente relevante porque a aposentadoria constitui uma decisão com efeitos permanentes. Um equívoco cometido no momento do requerimento pode representar perdas financeiras significativas ao longo de muitos anos.
Ao longo da minha trajetória como professora e advogada previdenciarista, tenho observado que a informação continua sendo um dos instrumentos mais importantes para a concretização dos direitos sociais.
O Direito Previdenciário não trata apenas de cálculos, contribuições e requisitos legais. Ele trata de pessoas, de histórias de vida e do reconhecimento do trabalho desempenhado ao longo de décadas.
Talvez seja justamente essa a principal lição trazida pela decisão do Supremo Tribunal Federal: a proteção previdenciária deve estar alinhada à realidade humana e social de cada trabalhador.
Afinal, por trás de cada processo existe uma história construída com esforço, dedicação e esperança.
E, em se tratando da enfermagem, talvez exista algo ainda mais valioso: o reconhecimento daqueles que escolheram dedicar a própria vida ao cuidado com a vida de tantas outras pessoas.
Juliane Penteado Santana é advogada previdenciarista, professora, palestrante e autora. Há mais de duas décadas atua na defesa dos direitos sociais e na promoção da educação previdenciária.
Arthur Maximilliano
11/08/2026 00h03
COLUNISTA ARTHUR MAXIMILIANO
Muitas empresas investem para atrair oportunidades, mas perdem negócios por demora, falta de acompanhamento e ausência de gestão comercial.
Quando as vendas diminuem, a reação mais comum do empresário é pedir mais divulgação, aumentar o investimento em anúncios ou cobrar mais prospecção da equipe. A conclusão parece lógica: se o faturamento não chegou, faltaram clientes.
Mas nem sempre esse é o verdadeiro problema.
Em muitas empresas, as oportunidades já existem. Os clientes entram em contato, pedem informações, solicitam propostas, participam de reuniões e demonstram interesse. O que falta é uma gestão comercial capaz de acompanhar essas oportunidades até a decisão.
Antes de buscar mais clientes, talvez a empresa precise parar de perder os que já chegaram.
O relatório State of Sales 2026, da Salesforce, mostra que profissionais de vendas gastam mais da metade da jornada em atividades que não representam a venda propriamente dita, como preenchimento de dados, procura de informações e prospecção desorganizada.
O mesmo levantamento revela um cliente mais exigente. Para 69% dos profissionais entrevistados, demonstrar retorno sobre o investimento ganhou importância. Outros 67% afirmam que a personalização se tornou mais relevante, enquanto 57% percebem que os clientes estão levando mais tempo para decidir.
Esses dados ajudam a explicar por que vender apenas com talento individual está ficando cada vez mais difícil.
O cliente pesquisa mais, compara mais, questiona mais e demora mais para tomar uma decisão. Isso exige acompanhamento, informação, consistência e capacidade de demonstrar valor. Sem processo comercial, a oportunidade esfria rapidamente.
O problema é que muitas empresas ainda vendem com base na memória do vendedor.
O cliente entra em contato. Alguém anota em uma conversa do WhatsApp. A reunião acontece. A proposta é enviada. Depois disso, ninguém sabe exatamente quando deve retornar, o que foi combinado ou qual é a principal objeção daquele cliente.
Passam-se alguns dias e a oportunidade desaparece.
Quando o empresário pergunta o que aconteceu, a resposta costuma ser: “O cliente não respondeu”.
Mas será que houve acompanhamento suficiente? A proposta estava conectada ao problema apresentado? O retorno aconteceu no tempo adequado? Alguém registrou os próximos passos? A empresa criou uma sequência de contatos ou apenas enviou o orçamento e ficou esperando?
Enviar proposta não é concluir uma venda. É iniciar uma nova etapa da negociação.
Gestão comercial começa quando vender deixa de depender exclusivamente da disposição individual do vendedor e passa a funcionar com método. Isso significa organizar a entrada das oportunidades, definir critérios de qualificação, registrar informações, criar etapas claras e acompanhar indicadores.
Não basta saber quanto a empresa faturou no mês. É preciso saber quantas oportunidades entraram, quantas receberam atendimento, quantas avançaram, quantas propostas foram enviadas, quantas foram fechadas e onde as demais foram perdidas.
Sem essas informações, o empresário enxerga apenas o resultado final. Ele sabe que não vendeu, mas não consegue compreender por quê.
Talvez o problema esteja na geração de oportunidades. Talvez esteja na demora do primeiro atendimento. Pode estar na abordagem do vendedor, na qualidade da proposta, no preço, no prazo, no acompanhamento ou na falta de clareza sobre o valor entregue.
Sem gestão, todas essas possibilidades recebem a mesma explicação: “O mercado está ruim”.
É claro que o mercado influencia. Juros, renda, concorrência e comportamento de consumo afetam as decisões. Porém, atribuir todo resultado comercial ao ambiente externo impede a empresa de corrigir o que está sob seu controle.
Uma gestão comercial madura não garante que toda oportunidade será convertida. Ela garante que a empresa consiga aprender com aquilo que não foi convertido.
Esse aprendizado permite melhorar argumentos, revisar ofertas, treinar vendedores, identificar objeções recorrentes e tomar decisões com menos achismo.
Outro equívoco comum é acreditar que o sistema de gestão comercial, por si só, resolverá o problema. Muitas empresas contratam um CRM, mas continuam sem disciplina de atualização, critérios para as etapas ou rotina de acompanhamento.
A ferramenta está implantada, mas o processo continua inexistente.
Tecnologia não substitui gestão. Ela potencializa um método que precisa ser definido por pessoas. Sem clareza, o CRM se transforma apenas em mais um sistema que a equipe considera cansativo preencher.
A reunião comercial também precisa mudar.
Em vez de reunir a equipe apenas para perguntar quanto cada vendedor vendeu, a liderança deveria analisar o caminho até o resultado. Quais oportunidades estão próximas da decisão? Quais estão paradas? Qual é o próximo passo? Quem precisa de apoio? Que objeção está aparecendo com frequência? Qual etapa está acumulando perdas?
Esse tipo de conversa transforma cobrança em gestão.
Vendedores também precisam de orientação. Muitas empresas entregam uma meta, uma lista de contatos e esperam que cada profissional encontre sozinho a melhor maneira de vender. Depois, surpreendem-se quando cada pessoa conduz o cliente de uma forma completamente diferente.
Treinar o comercial não significa criar robôs. Significa dar repertório, processo e segurança para que cada vendedor use sua personalidade sem abandonar o padrão mínimo da empresa.
É preciso treinar perguntas, apresentação de valor, tratamento de objeções, negociação e acompanhamento. Também é necessário avaliar conversas reais, revisar propostas e orientar melhorias com frequência.
Venda não melhora apenas com pressão. Melhora com preparação.
No fim, uma empresa pode investir muito dinheiro atraindo clientes e continuar perdendo oportunidades por falhas básicas. Pode gerar contatos, mas demorar para responder. Pode realizar boas reuniões, mas esquecer o retorno. Pode enviar propostas, mas não demonstrar valor. Pode contratar vendedores, mas não oferecer direção.
Por isso, antes de aumentar o orçamento de marketing ou cobrar mais prospecção, o empresário deveria olhar para dentro do próprio processo comercial.
Quantos clientes entraram em contato e não receberam acompanhamento adequado? Quantas propostas continuam abertas? Quantas oportunidades foram consideradas perdidas sem que ninguém entendesse o motivo? Quantos antigos clientes poderiam voltar a comprar?
Talvez o próximo crescimento não esteja apenas em trazer mais pessoas para o funil.
Talvez esteja em cuidar melhor das oportunidades que a empresa já conquistou.
Buscar clientes custa dinheiro. Perder clientes por falta de gestão custa ainda mais.
Fonte dos dados
Salesforce — State of Sales, sétima edição, relatório publicado em 2026.
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