Após circularem pelas redes sociais imagens de circuito interno, mostrando que um dos suspeitos pelo crime de triplo homicídio registrado em Anastácio teria sido executado com um tiro pelas costas, a Polícia Militar do Mato Grosso do Sul determinou o afastamento dos agentes envolvidos.
Esse caso começou após duas pessoas serem encontradas mortas dentro da própria casa, sendo que a própria filha do casal, de 26 anos, foi presa sob a suspeita de que teria encomendado a morte dos pais: Maria Clair Luzni, de 46 anos, e Vilson Fernandes Cabral, de 50 anos.
Wellington dos Santos Vieira, um dos indivíduos que teria sido contratado para executar o crime, foi morto na madrugada da última terça-feira (31) e imagens de câmeras de segurança desmentem a versão inicialmente apresentada pelos policiais.
Conforme consta no boletim de ocorrência, Wellington, conhecido como "Bola", teria atacado um dos policiais com uma faca, que por sua vez teriam efetuado disparos em resposta para preservarem a própria vida.
No entanto, através do vídeo nota-se que "Bola" aparece correndo antes de receber tiros nas costas, caindo imediatamente no chão em seguida. Confira:
Sem divulgar a identidade dos agentes até o momento, a Polícia Militar do Mato Grosso do Sul emitiu uma nota pública à imprensa, destacando que os policiais envolvidos foram afastados, dizendo que "eventuais excessos não refletem o padrão de atuação" da força de segurança nos 79 municípios sul-mato-grossenses.
Com isso, por meio da Corregedoria-Geral e do trabalho do 7° Batalhão de Polícia Militar, os agentes suspeitos pela morte de "Bola" foram afastados das funções, sendo instaurado ainda um procedimento administrativo para apuração e responsabilização das condutas.
Segue abaixo, na íntegra, a nota divulgada através da PMMS:
"A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS) informa que tomou conhecimento de vídeo, na cidade de Anastácio/MS, envolvendo policiais militares em atuação operacional, e enfatiza que eventuais excessos não refletem o padrão de atuação dos nossos homens e mulheres, que trabalham diuturnamente em todos os 79 municípios do estado, buscando sempre garantir a segurança da população sul-mato-grossense.
Ressaltamos que a Instituição não coaduna com desvios de conduta ou procedimentos que extrapolem os limites operacionais estabelecidos em nossas doutrinas e diretrizes.
Assim que tomou conhecimento, a PMMS por intermédio do 7º BPM e de sua Corregedoria-Geral, já identificou os militares envolvidos, que foram prontamente afastados de suas funções, e instaurou o procedimento administrativo cabível para apuração dos fatos e responsabilização das condutas, com posterior aplicação das sanções consideradas cabíveis.
A Polícia Militar permanece à disposição da sociedade, reafirmando que ações individuais não podem refletir no respaldo do trabalho cotidiano realizado pela nossa tropa".
Relembre
Em depoimento à Polícia Civil de Anastácio, Maria de Fátima Luzini, de 26 anos, confessou que foi a mandante do assassinato do casal, porém, afirmou aos agentes que o plano inicial era apenas dar um "susto" na mãe e no pai.
Toda essa situação teria saído do controle, resultando na execução a facadas dos dois, crime que aconteceu ainda na quinta-feira (26 de março), com os corpos localizados apenas após 48 horas.
Logo no dia seguinte, David Vareiro Machado foi encontrado morto, sendo esse um dos principais suspeitos de ter participado da execução do casal.
Conforme repassado pela delegada Tatiana Zyngier, a morte de David estaria diretamente associada a um desacordo comercial entre ele e os mandantes do assassinato, mais especificamente "uma briga por valores em razão de um serviço prestado", o crime contra o casal.
Investigação mais detalhada concluiu que Wendebrson Haly Matos da Silva, companheiro de Maria de Fátima, matou David depois de "desentendimentos comerciais".
Semelhante ao crime que assolou a família von Richthofen, quando Manfred e Marísia foram mortos a pauladas pelas mãos dos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, se confirmadas as acusações contra Maria de Fátima e Wendebrson Haly, eles devem responder por homicídio qualificado e serem penalizados com reclusão de 12 a 30 anos, conforme o Código Penal.
**(Colaborou Felipe Machado)


