Polícia

Estuprador em série

"Saía para predar", delegada diz que estuprador escolhia vítimas pela vulnerabilidade

José Carlos Santana Júnior, de 37 anos, ao ser confrontado com imagens de câmeras de segurança, confirmou que cometeu os estupros

Laura Brasil

04/10/2023 - 19h35

Apontado como predador sexual, José Carlos Santana Júnior, de 37 anos, foi descrito pela delegada Analu Ferraz, como alguém que queria chamar atenção, não tinha um perfil específico de vítimas, e circulava “para predar” pelas ruas da Capital

“Ele escolhia de forma aleatória. Uma que ele observasse que tivesse vulnerabilidade maior que ele conseguisse predar”, pontuou a delegada.

Foi possível levantar durante o interrogatório que José Carlos escolhia às vítimas aleatoriamente. Ele não tinha um perfil específico ou padrão.

 
Pela manhã, desta quarta-feira (4) uma vítima de estupro na forma tentada, que não teve a idade divulgada, registrou a ocorrência. No dia 21 de setembro ela seguia pela Eduardo Elias Zahran quando foi perseguida pelo predador sexual, mas conseguiu correr e se esconder em um comércio da região. 

Além disso, uma adolescente de apenas 14 anos, registrou ocorrência na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA). 

Levantamento

Mais três vítimas devem comparecer a DEAM, na quinta-feira (5) para realizar o reconhecimento. Nesta fase, conforme explicou a delegada, o enfoque são os casos de estupros de data anterior, em que ele trabalhou como motorista de aplicativo.

“Às vítimas que estamos identificando estamos pedindo para vir até a delegacia. Então, acredito que até o final de semana a gente já tenha um levantamento maior de vítimas que a gente conseguiu”, explicou a delegada.

Quando terminarem de cruzar ocorrências nesta primeira fase irão partir para os crimes que José Carlos cometeu enquanto exerceu a função como motorista de aplicativo. “Ele está solto tem um tempo e em um intervalo curto fez essas vítimas. Acredito que vai ser um pouco mais difícil a gente fechar [a quantidade de vítimas]”, observou a Delegada.

Ao ser questionada pelo Correio do Estado se acredita na possibilidade do predador sofrer de algum distúrbio, foi enfática em negar. A Delegada explicou que ele tem plena consciência dos crime que cometeu.

“Ele está sobre plena consciência das faculdades mentais dele. Durante o interrogatório exerceu o direito de permanecer em silêncio. Disse que só falaria em juízo, mas quando eu questionei que tinha vídeos que ele estava inclusive com a camisa que ele estava usando [no momento do crime] mostrei os vídeos e ele disse que era ele nos dois vídeos”, apontou a delegada.


Enquanto passava pelo interrogatório, José Carlos não fez uso de algemas, o comportamento foi de tranquilidade beirando a frieza enquanto era inquirido acerca dos casos.

“Ele não esboça nenhum tipo de agressividade, não é agressivo. Eu questionei sobre uma das vítimas que fez o reconhecimento se ele chegava a agredir às vítimas e ele falou ‘não senhora, não bato em ninguém, só tenho minhas fraquezas’”, contou a delegada.

Desespero durante o reconhecimento

A delegada relatou que durante o reconhecimento do estuprador o momento foi de grande choque para todas as vítimas. O bandido fica posicionado em uma sala e a mulher o observa por um vidro em que apenas elas podem vê-lo. 

Sala de Reconhecimento / DEAM

“O momento do reconhecimento das vítimas foi um momento bem marcante. Porque todas às vítimas se emocionaram muito. No momento em que elas entraram na sala de reconhecimento e elas viram ele do outro lado, todas ficaram emotivas, chorando demais, teve uma senhora que estava incontrolável”, relatou a delegada.

Cerco

A denúncia da vítima de 20 anos, estuprada no de 22 de setembro de 2023, na Avenida Afonso Pena, foi cabal para elucidar o caso. Após o registro de ocorrência imediatamente agentes da DEAM traçaram o percurso por meio de ajuda da vítima para definir possíveis rotas que o estuprador usou quando foi embora. 

“Quando teve ocorrência do dia 22 no sábado mesmo, a gente foi a campo para pegar algumas imagens. Só que a maioria [dos locais] é monitorado por empresas de segurança de monitoramento. Então, a gente só teve acesso na segunda-feira. Na segunda, eu e a investigadora a gente foi até a região central e refizemos todo o trajeto. Verificamos o local onde a menina viu. Pegamos todos os pontos de câmera, fizemos um mapa do trajeto e a gente foi atrás de câmera. A gente conseguiu uma câmera que pegava um homem de blusa preta colocando a menina exatamente dentro do veículo”, detalhou a delegada.

A partir de então a delegada e a investigadora começaram a “montar o quebra cabeça” conseguindo levantar ruas que ele seguiu para chegar até o local onde atacou a jovem. Com ajuda da Guarda Municipal conseguiram a imagem da placa do veículo que é do carro usado como motorista como aplicativo.


Ele queria ser notado

Para a delegada Analu, o estuprador pode ser definido como “serial” e que claramente demonstrava prazer em ser reconhecido ou notado.

“Ele estava até sendo coaching, estava vendo nas redes sociais, que ele estava trabalhando como coaching motivacional. Acredito que sim [ele queria ser notado]”, apontou a Delegada Analu.

O que chamou atenção para outros casos de possíveis vítimas veio por meio de relatos, como a camiseta na cor preta que se repete em diversos casos, indicando possivelmente que ele usasse a mesma roupa durante a prática dos estupros. Detalhes como a cor do veículo, forma de agir. Padrões, na prática da violência sexual em que duas mulheres relataram que foram obrigadas a praticar atos libidinosos. 

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