Polícia

UMA MORTE A CADA DOIS DIAS

Com 150 assassinatos, fronteira é um dos lugares mais perigosos do País

Guerra de facções por rota de tráfico mata mais que em periferias de megalópoles brasileiras

RAFAEL RIBEIRO

16/10/2019 - 10h41
Continue lendo...

A cada dois dias uma pessoa é assassinada a tiros na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai.

Os quase 150 crimes de homicídio registrados mais precisamente no trecho entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, no lado paraguaio, o mais sangrento na fronteira entre os dois países, fazem do local um dos mais violentos do Brasil.

Os dados apontam que se mata até duas vezes mais na fronteira que nas regiões com as maiores incidências criminais das duas maiores cidades brasileiras: São Paulo e Rio de Janeiro.

Na capital paulista, o trecho na extrema Zona Sul, formado pelos bairros Capão Redondo, Jardim Ângela e Parelheiros já foi tema de filme e até de novela, além de ter sua rotina sangrenta nos anos 1990 cantada por músicos como o grupo de rap Racionais MC's. "Essa p... é um campo mimado, onde vale muito pouco a sua vida", declamava o vocalista Mano Brown na música "Fórmula Mágica da Paz", do álbum "Sobrevivendo no Inferno" de 1997. Na ocasião, os índices do Governo do Estado de São Paulo apontavam para uma verdadeira guerra civil, taxa de 108 homicídios por 100 mil pessoas.

Neste ano, contudo, os índices da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo mostram números, digamos, tímidos: as duas delegacias responsáveis pelos temidos bairros, que somados representam uma área duas vezes maior que Ponta Porã e Pedro Juan juntas, registraram 25 casos de assasinatos até setembro.

No Rio de Janeiro, a temida Baixada Fluminense, região metropolitana da capital, responsável por crimes que permeiam o noticiário nacional, não fica atrás. Dados do governo fluminense apontam a delegacia de plantão de Nova Iguaçu com o maior número de casos de homicídios registrados: 45 até o mês passado. No início dos anos 2000, eram 127, segundo os dados históricos da extinta secretaria da segurança, no mesmo período.

Jardim Ângela, na zona sul de São Paulo, já teve índices de guerra civil. Hoje se mata seis vezes menos lá que na fronteira (Reprodução)

BRUTALIDADE

Os casos se sucedm. E mostram o sadismo dos atiradores.

Na última terça-feira (15), um homem de 31 anos foi morto a tiros na frente do próprio filho, de 10 anos, no início da tarde, em Ponta Porã. Segundo a polícia, após o crime um dos assassinos pediu desculpas à criança pelo crime, por terem errado o alvo.

A informação é confirmada por vizinhos de Aldo Vera Cabrera, que morreu após ser atingido com dois tiros de pistola calibre ponto 9 milímetros na cabeça.

"Era um grupo de cerca de cinco homens, três deles em um carro preto, os dois armados em uma moto. Quando dois deles saíram da casa, gritaram para o resto que tinham errado, que erraram, que não era quem era para morrer", disse um morador da mesma rua por telefone, que pediu para não ser identificado.

De acordo com informações da polícia, os dois assassinos chegaram na moto e invadiram a casa. A vítima estava na sala, brincando com o filho e foi baleada sem tempo sequer de esboçar qualquer reação.

A dupla teria conferido a carteira de Cabrera e, ao constatarem o erro, pediram desculpas ao garoto antes de fugirem.

O caso é investigado, mas como quase sempre acontece, nenhum suspeito do crime foi sequer identificado.

Ao Correio do Estado, vizinho reafirmou a desconfiança da polícia de que o alvo verdadeiro seria o antigo morador da casa. Cabrera comprara o imóvel há cerca de três meses.

"O antigo morador estava há uns cinco anos aí (na casa). Era discreto, não falava com ninguém. Do nada vendeu tudo correndo, a casa, o carro, e foi embora. Pessoal aqui (na rua) sempre via moto e carro estranho passando devagar na porta", disse.

Nova Iguaçu já viu rotina de chacinas motivadas pelo tráfico no início dos anos 2000 (Reprodução/Jornal do Brasil)

AÇÕES

Ponta Porã e Pedro Juan, as cidades-gêmeas, sofrem com a guerra travada pelas facções criminosas brasileiras pelo controle da rota de tráfico de armas e drogas. 

O prefeito da cidade vizinha Tacuru, Carlos Alberto Pelegrini, disse que, embora fora da fronteira seca, a situação não é confortável. “A gente não tem fronteira seca com o Paraguai, mas estamos perto de Sete Quedas e Paranhos, que fazem fronteira seca. Queira ou não, tais ações nos trazem preocupação”, disse ele, destacando que a população fica insegura, apesar dos momentos de “paz”. “É assim, às vezes vivemos momentos de violência e, às vezes, está tranquilo”.

Por sua vez, a prefeita Maricleide Marques, de Antônio João, chegou a mudar algumas rotinas para evitar violência. “Eu particularmente não viajo à noite para lá [Ponta Porã], por causa dos crimes”, disse ela, ressaltando que a população também se sente insegura. “Muitos munícipes procuram atendimento de saúde em Ponta Porã e fazem compras lá. São nossos vizinhos, parceiros, mas a gente sabe que a criminalidade traz insegurança”.

Em Aral Moreira, que faz fronteira com a zona rural do Paraguai, o prefeito Alexandrino Garcia disse que, apesar de ser rota do tráfico, a cidade é tranquila. Mesmo assim, há preocupação. “Temos conversado com o governo do Estado, pedindo aparelhamento da Polícia Militar e da Polícia Civil. Também pedimos construção de um novo destacamento militar”, afirmou.

Ele reconhece o trabalho realizado pelas forças de segurança, a exemplo do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), mas garante que o local não está imune. “Somos corredor [do tráfico] e aqui já aconteceram casos graves, como explosão de banco. Houve ataque contra policiais que foram rendidos pelos criminosos”.

No fim de setmbro, o governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), decretou nesta segunda-feira (30), através do Diário Oficial, a criação de um fundo especial para que o Estado tenha acesso às verbas de até R$ 13 milhões vindas de repasse da União por meio do Fundo Nacional da Segurança Pública.

Segundo o texto, fica instituído o Fundo, Conselho e Política Estadual da Segurança Pública, que foi aprovado em regime de urgência na Assembleia Legislativa do Estado na última semana.

O dinheiro, no entanto, é menor do que o Estado previa inicialmente. Dono do segundo maior repasse do País, atrás somente de São Paulo, Mato Grosso do Sul vivia quando do anúncio, em agosto, a expectativa de verbas de até R$ 89 milhões. Mas o montante caiu drasticamente após os cortes provocados pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro.

Segundo fontes da Secretaria de Estado da Justiça e Segurança Pública (Sejusp), o valor pagaria, em tese, apenas o custeio dos cerca de 7 mil presos por crimes federais nas unidades penais do Estado por um mês.

Ainda de acordo com  o texto, foram criados a Política Estadual de Segurança Pública e Defesa Social (PESPDS), o Conselho Estadual de Segurança Pública e Defesa Social (CONESP) e o Fundo Estadual de Segurança Pública (FESP). Cada um deles com orientações, diretrizes e regras a serm cumpridas pelo Governo do Estado.

Seguno o decreto, as três novas autarquias deverão receber os recursos vindos da União, distribuir e avaliar os gastos, além de acompanhar o andamento das diretrizes criadas e propor mais programas, projetos e ações a serm desempnhadas em conjunto com órgãos municipais, estaduais e federais.

Conforme o decreto, é proibida a utilização dos recursos do Fundo Estadual de Segurança Pública para pagamento de despesas e encargos sociais relacionados com pessoal civil ou militar, ativo, inativo ou pensionista; em unidades de órgãos e entidades destinadas exclusivamente à realização de atividades administrativas. 

Também foi instituído o Seisp (Sistema Estadual de Informações de Segurança Pública, Prisionais e de Drogas), sistema de controle e transparência a ser regulamentado com a finalidade de armazenar, tratar e integrar os dados e informações com o Sistema Nacional, com vistas à formulação, implementação, execução, acompanhamento e avaliação das seguintes políticas públicas: segurança pública e defesa social; sistema prisional, execução penal e assistência socioeducativa; enfrentamento ao tráfico de armas e drogas ilícitas e outros crimes.  

Moro e o secretário Videira durante encontro para acertar o aumento do repasse de fundo de segurança ao MS, em agosto

VERBA

Apesar do decreto prever uma série de reralizações, como acompanhamento médico e até promoção de um sistema habitacional destinado exclusivamente aos profissionais da segurança, o Governo do Estado tem outros planos para o dinheiro.

Ainda em agosto, o então governador em exercício, Murilo Zauith (DEM), afirmou que o dinheiro seria usado na reestruturação do Departamento de Operações de Fronteira (DOF).

O dinheiro federal deverá atender o DOF com aquisição de armas, viaturas, serviço de inteligência e outros mecanismos de reestruturação da unidade. Em nível estadual, a unidade é responsável pela apreensão de grandes volumes de entorpecentes na região de fronteira.

Conforme o governador em exercício, o Departamento de Operações de Fronteira desempenha função relevante de policiamento nas regiões fronteiriças com o Paraguai e a Bolívia. O DOF chegou a ser citado pelo presidente Jair Bolsonaro como referência nacional de polícia especializada na atuação de combate aos crimes transfronteiriços, o que refletiu nas visitas de agentes de segurança pública de vários estados brasileiros para conhecer a realidade das operações policiais na área de fronteira. 

Atualmente, o departamento atua em 51 municípios do Estado, com a presença mais efetiva nos 730,8 quilômetros de fronteira seca, dos mais de 1.500 quilômetros de fronteira com o Paraguai e a Bolívia abrangendo, inclusive, uma extensa área rural.

TARUMÃ, CAMPO GRANDE (MS)

Morador de rua morre atropelado por carreta na BR-262

Motorista boliviano seguia pela rodovia, quando o homem surgiu inesperadamente na frente da carreta e foi atropelado

14/04/2026 08h35

DEPAC Cepol, onde o caso foi registrado - imagem de ilustração

DEPAC Cepol, onde o caso foi registrado - imagem de ilustração Bruno Henrique/ARQUIVO/CORREIO DO ESTADO

Continue Lendo...

Homem, de aparentemente 40 anos, sem identificação, morreu atropelado por uma carreta, na noite desta segunda-feira (13), na BR-262, bairro Tarumã, em Campo Grande.

Ele era morador de rua conhecido pelo apelido de “Donizete”. O motorista da carreta é boliviano e viajava da Bolívia até Rio Claro (SP).

De acordo com o boletim de ocorrência, o motorista seguia pela rodovia, quando o homem surgiu inesperadamente na frente da carreta. Ele tentou frear bruscamente, mas não conseguiu evitar o atropelamento. A vítima caiu no asfalto e o boliviano estacionou o veículo.

Ele permaneceu no local do acidente, prestou socorro à vítima, apresentou seus documentos estrangeiros, deu esclarecimentos à polícia e realizou o teste do bafômetro, que deu negativo.

Além disso, afirmou que a iluminação estava precária no momento do acidente.

A vítima teve lesões na cabeça e faleceu no local do acidente, com óbito constatado às 19h59min pelo Corpo de Bombeiros. Não havia câmeras de monitoramento ou vigilância nas proximidades.

Corpo de Bombeiros Militar (CBMMS), Polícia Civil (PCMS), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Científica e funerária estiveram no local para socorrer a vítima, recolher os indícios do acidente, isolar a área, realizar a perícia e retirar o corpo, respectivamente.

O caso foi registrado como “sinistro de trânsito com vítima fatal provocado pela própria vítima” na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Especializado de Polícia Integrada (DEPAC-CEPOL).

ACIDENTES FATAIS

Acidente de trânsito é uma das principais causas de morte em todo o mundo.

Acidente de carro, moto, bicicleta ou atropelamento, nas cidades ou em rodovias, são tragédias que acontecem toda semana em Mato Grosso do Sul.

As principais causas são excesso de velocidade, falha em ceder a passagem, dirigir sob efeito de álcool, distrações, sonolência e condições climáticas adversas, como chuva forte.

Dados divulgados pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) apontam que 9 pessoas morreram no trânsito, entre janeiro e março de 2026, em Campo Grande. Desse número, 7 são motociclistas e 2 são condutores.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) traz algumas orientações ao condutor no trânsito. Confira:

  • Não dirija caso consuma bebida alcoólica
  • Não dirija cansado ou com sono
  • Use cinto de segurança
  • Respeite a sinalização
  • Respeite o limite de velocidade da via
  • Porte documentos oficiais com fotos, os quais devem estar quitados
  • Realize revisão do carro: pneus, limpadores de para-brisa, freios, nível de óleo, bateria, lâmpadas, lanterna e extintor

Santa Rita do Pardo (MS)

Caminhão tomba e derruba 467 kg de cocaína na MS-040

Droga estava armazenada em tabletes e escondida em meio a uma carga de ureia

13/04/2026 12h30

Entorpecentes em meio a carga de ureia

Entorpecentes em meio a carga de ureia Foto: divulgação/BPMRv

Continue Lendo...

Caminhão tombou e derrubou 431 kg de pasta base de cocaína, 36 kg de cocaína e 10 kg de haxixe, na manhã deste domingo (12), após um acidente de trânsito, na MS-040, em Santa Rita do Pardo, município localizado a 242 quilômetros de Campo Grande.

A droga estava armazenada em tabletes e escondida em meio a uma carga de ureia. Os entorpecentes foram avaliados em aproximadamente R$ 13,5 milhões.

Conforme apurado pela reportagem, policiais militares do Batalhão de Polícia Militar Rodoviária (BPMRv) foram acionados para atender um sinistro de trânsito na MS-040, quando chegou ao local e viu um conjunto veicular tombado.

Eles flagraram os entorpecentes em meio a carga de ureia. O motorista teve lesões leves, foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e encaminhado ao hospital.

Após receber alta médica, recebeu voz de prisão em flagrante por tráfico de drogas e foi levado para a Delegacia de Polícia Civil.

A rodovia foi temporariamente interditada para retirada do veículo e limpeza da pista, sendo liberada posteriomente.

TRÁFICO DE DROGAS

O tráfico de drogas é um problema crescente no Brasil.

Comércio, transporte e armazenamento de cocaína, maconha, crack, LSD e haxixe são proibidos no território brasileiro, de acordo com a Lei nº 11.343/2006.

Mas, mesmo proibidos, ainda ocorrem em larga escala em Mato Grosso do Sul. O Estado é conhecido como um vasto corredor no Brasil, devido à sua extensa fronteira com outros países. Com isso, é uma das principais rotas utilizadas para a entrada de substâncias ilícitas no país. 

O tráfico resulta em diversos crimes direta e indiretamente, como furto, roubo, receptação e homicídios.

Dados divulgados pela Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) apontam que 2.688,6 kg de cocaína e 108.419,9 kg de maconha foram apreendidos, entre 1º de janeiro e 13 de abril de 2026, em Mato Grosso do Sul

Em 2025, 14.651 quilos de cocaína, 538.750 quilos de maconha e 378 quilos de outras drogas foram apreendidos.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).