Cidades

COOPERAÇÃO

Policial que ajudava traficantes na fronteira Brasil-Bolívia é extraditado para os EUA

Agente que agora está em Nova York foi chefe da Felcn, grupo de elite boliviano destinado à repressão ao narcotráfico no país

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Maximiliano Dávila Pérez, de 60 anos, era o número um da Bolívia no combate ao tráfico de drogas e armas no país, inclusive com atuação na fronteira com Corumbá, em Mato Grosso do Sul.

Ele foi chefe da Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (Felcn) no país vizinho, mas foi corrompido e esteve envolvido em esquema que levava cocaína e armas para os Estados Unidos. 

A força policial especial que ele chefiava tem uma unidade em Puerto Suárez, a menos de 20 km de Mato Grosso do Sul (Corumbá), e é uma das autoridades principais que agem para frear o tráfico internacional de cocaína e evitar a entrada da droga no Brasil.

O ex-policial foi preso no dia 22 de janeiro de 2022, ao tentar escapar para a Argentina. Após um acordo com os Estados Unidos, ele foi extraditado na quinta-feira para responder a crimes no país da América do Norte.

A investigação contra Maximiliano envolve uma apuração conduzida pela DEA, departamento antidrogas dos Estados Unidos, que indicou que ele integrava organização criminosa internacional envolvida com o narcotráfico e que operava na Bolívia, no Peru e na Colômbia. 

Esse seu envolvimento ocorria enquanto ele ocupava o cargo mais alto da polícia especializada para realizar o combate aos crimes pelos quais hoje é acusado.

Na Bolívia, a extradição já vinha sendo abordada desde o dia 12, mas os Estados Unidos oficializaram o caso nesta sexta-feira, com um comunicado que contém o discurso da administradora da DEA, Anne Milgram, sobre a chegada do ex-chefe da Felcn a Nova York. 

O documento, ao qual Correio do Estado teve acesso, destacou o acordo entre os dois países para que ocorresse a extradição e foi emitido pelo Escritório de Fiscalização dos EUA para o Distrito Sul de Nova York.

Na imprensa boliviana, o documento foi largamente divulgado e incluiu falas de Anne Milgram. 

“Que esta extradição sirva como advertência: nenhum funcionário corrupto é intocável, e a DEA não será intimidada diante de nada para levar os criminosos para a Justiça, não importa onde eles se escondam”, ressaltou.

A investigação da DEA apontou que, durante o comando de Maximiliano, ele transformou o verdadeiro trabalho da Felcn. 

“Como chefe da agência antidrogas da Bolívia, converteu as forças da ordem em uma máquina de tráfico de cocaína, que buscava inundam nossas ruas com o entorpecente”, indicou o documento da DEA.

O ex-policial foi indicado para chefiar a Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico em 6 de fevereiro de 2019 e seguiu no cargo até novembro daquele ano. 

Na época, em publicação oficial da força policial em rede social, Maximiliano ressaltou a importância do trabalho em conjunto. 

“Em uso da palavra, a nova autoridade ressaltou a importância de um trabalho conjunto de todos os funcionários operativos e administrativos que formam a Força Antidrogas para garantir resultado satisfatório das metas propostas na luta frontal contra o narcotráfico”.

Conhecido como Macho, o acusado vai responder nos Estados Unidos por conspiração para exportar cocaína para o país da América do Norte, além do tráfico de armas, em especial metralhadoras. 

Na tarde desta sexta-feira, o ex-policial já foi levado para o Distrito Sul em Nova York para audiência com Robyn F. Tarnofksy. A juíza do caso é Denise L. Cote.

“Ele abusou de sua autoridade e posição. Usou a força policial boliviana para resguardar e transportar carregamentos de cocaína”, apontou o advogado-geral nos Estados Unidos que acompanha o caso, Damian Williams. 

Conforme Williams, a DEA tem uma Divisão Especial de Operação para buscar casos de corrupção no mundo envolvendo o tráfico de cocaína.

FRONTEIRA

Macho teve atuação em várias esferas da polícia boliviana. Em 2015, chegou a ser chefe da Felcn em Cochabamba, e sua influência com maior repercussão para a fronteira em Mato Grosso do Sul ocorreu depois de ele assumir o comando geral da corporação, em 2019. 

Conforme denúncia da DEA, ele gerava enfraquecimento do combate ao narcotráfico por favorecer a corrupção e enfraquecer o combate ao tráfico nas fronteiras.

Em 2019, quando Macho estava na Felcn, a apreensão de cocaína no Brasil aumentou em mais de 90%, conforme balanço que a Polícia Federal divulgou na época.

PARAGUAI

Enquanto a relação entre o governo boliviano e o governo dos Estados Unidos para a atuação contra facções criminosas continua, na semana passada, o governo do Paraguai anunciou que estava abrindo mão da ajuda direta que há anos vinha recebendo da DEA. Os norte-americanos operavam na região com cerca de 300 agentes.

O anúncio do fim da parceria foi muito criticado tanto no Paraguai quanto nos Estados Unidos.

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Fiscalização

Clínica de depilação a laser é interditada em Campo Grande

Com diversas irregularidades, como a falta de licença sanitária e o não atendimento aos clientes, o espaço que funcionava no bairro Santa Fé foi fechado nesta sexta-feira (4) pelo Procon-MS

04/04/2025 18h13

Crédito: Procon-MS / Arquivo

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Após várias denúncias, o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-MS) interditou uma clínica de depilação a laser nesta sexta-feira (4), no bairro Santa Fé, em Campo Grande.

Além de não possuir licença sanitária e estar com o alvará de localização e funcionamento vencido desde 2023, a empresa não atendia os clientes que contratavam o serviço, alegando não haver datas disponíveis para agendamento do procedimento.

A clínica também firmava contratos com os clientes e os direcionava a um salão de beleza terceirizado para a realização dos procedimentos.

Irregularidades


Durante a fiscalização, os agentes constataram que a empresa descumpria cláusulas contratuais, o que dificultava o acesso dos consumidores aos serviços contratados.

Outro ponto identificado foi a terceirização de um salão de beleza utilizado para realizar os procedimentos de depilação a laser. Conforme apuração da reportagem do Correio do Estado para ter acesso ao espaço - distinto de onde fechou o contrato - o consumidor percorria cerca de 700 metros de carro. 

O Procon também identificou cláusulas consideradas abusivas, como o fato de a sede da empresa estar localizada em São José do Rio Preto (SP), o que gera transtornos aos consumidores no momento de rescindir o contrato ou buscar um acordo.

Além disso, em caso de rescisão contratual, o cliente não poderia solicitar o cancelamento, mesmo que a clínica não realizasse o serviço ou o prestasse com baixa qualidade.

A ação foi realizada em conjunto pelo Procon-MS vinculado à Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos (Sead) e pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo (Decon).

A clínica ficará impedida de oferecer o serviço até que todas as pendências sejam regularizadas. A empresa tem o prazo de 20 dias para apresentar defesa ao Procon-MS.

Fique atento



Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), há uma percepção de aumento dos relatos de eventos adversos graves entre 2024 e o início deste ano, inclusive relatados na mídia, decorrentes de procedimentos de estética e embelezamento.

Além disso, de 2018 a 2023, os serviços de estética e embelezamento figuraram como os mais denunciados junto à Anvisa dentre os “serviços de interesse à saúde”, categoria que inclui também serviços de hotelaria, estúdios de tatuagem e instituições de longa permanência para idosos, por exemplo.

Os dados fazem parte de relatórios anuais disponibilizados pela Agência.

O relatório com dados de 2023 demonstra que 61,3% das denúncias estavam relacionadas a serviços de estética e embelezamento e sinaliza que a grande quantidade de estabelecimentos disponíveis e a diversidade de técnicas e procedimentos estão relacionadas ao número elevado de relatos de irregularidades.

Nesse contexto, é importante desconfiar de promessas milagrosas ou que garantam resultados, bem como de preços praticados muito abaixo do preço médio de mercado.

Vale lembrar que é importante consultar, junto à Vigilância Sanitária da sua cidade, se o estabelecimento possui alvará/licença sanitária válida, bem como conferir nos conselhos profissionais as credenciais dos profissionais que atuam no estabelecimento.

Outra dica é sempre perguntar quais produtos estão sendo aplicados e, com os dados em mãos, conferir a regularidade dos produtos em https://consultas.anvisa.gov.br/#/.

O consumidor pode consultar também o site Reclame Aqui por meio do link https://www.reclameaqui.com.br/, basta inserir o nome da empresa que deseja obter informações e verificar se existem reclamações registradas por outros usuários referentes aos serviços prestados pelo estabelecimento.

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Violência Doméstica

Agressor que quebrou nariz de jornalista é solto com tornozeleira eletrônica

O músico Philipe Eugenio Calazans de Sales conseguiu, na semana passada, uma liminar e foi solto com tornozeleira eletrônica.

04/04/2025 17h42

Philipe conseguiu liminar e foi solto com tornozeleira eletrônica

Philipe conseguiu liminar e foi solto com tornozeleira eletrônica Arquivo pessoal

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Acusado de violência doméstica e preso desde o dia 17 de março, o músico Philipe Eugenio Calazans de Sales conseguiu, na semana passada, uma liminar e foi solto com tornozeleira eletrônica. 

Ele foi denunciado pela então namorada, a jornalista Nathália Barros Corrêa, ao ter o nariz quebrado e aparecer em vídeo sangrando e com a filha no colo no dia 3 de março. 

Phillipe chegou a ser preso em flagrante, recorrendo à Justiça e conseguindo liberdade provisória, mas teve o mandado de prisão preventiva expedido pela 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) e optou por entregar-se na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) no último mês. 

A decisão de conceder parcialmente a liminar e substituir a prisão preventiva de Phillipe foi assinada pelo desembargador Fernando Paes de Campos e publicada no Diário Oficial da Justiça no dia 28 de março

Segundo o texto do processo, além do uso de tornozeleira eletrônica por 180 dias, o músico não pode aproximar-se a menos de 300 metros da vítima, de qualquer familiar dela e de qualquer testemunha da ação penal e deve, obrigatoriamente, comparecer à comarca sem autorização prévia do juízo e de todos os atos do inquérito e da ação penal. Caso não cumpra as medidas cautelares, poderá ser preso novamente. Logo a seguir, foi expedido o alvará de soltura do rapaz. A determinação atende o habeas corpus requerido pela defesa.

Philipe deve manter a tornozeleira funcionando a todo momento, bem como atentar-se à bateria, aos sinais sonoros e luminosos do equipamento e não poderá aproximar-se do endereço de Nathália. 

O processo segue em sigilo. 

Relembre outros casos de feminicídios no estado

O primeiro caso de 2025 foi a morte de Karina Corin, de 29 anos, nos primeiros dias de fevereiro,  baleada na cabeça pelo ex-companheiro, Renan Dantas Valenzuela, de 31 anos. 

Já o segundo feminicídio de 2025 em Mato Grosso do Sul foi justmente a morte de Vanessa Ricarte, esfaqueada aos 42 anos, por Caio Nascimento, criminoso com passagens por roubo, tentativa de suicídio, ameaça, além de outros casos de violência doméstica contra a mãe, irmã e outras namoradas.

O último caso registrado foi o de Giseli Cristina Oliskowiski, morta aos 40 anos, encontrada carbonizada em um poço no bairro Aero Rancho, em Campo Grande.

Os outros feminicídios de 2025 vitimaram: 

Lei do feminicídio

Em 2015, entrava em vigor no país a Lei 13.104/15, a Lei do Feminicídio, onde era considerado feminicídio quando o assassinato envolve violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher da vítima. Esta lei completou 10 anos no último mês. 

Em outubro de 2024, foi implementada a Lei 14.994/2024 que tornou o feminicídio um crime autônomo e estabeleceu outras medidas para prevenir e coibir a violência contra mulher. Ela eleva a pena para o crime contra a mulher para até 40 anos de reclusão.

Segundo dados do Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (Raseam) 2025, lançado pelo Ministério das Mulheres em março, apontam que, em 2024, foram registrados 1.450 feminicídios e 2.485 homicídios dolosos (com a intenção de matar) de mulheres e lesões corporais seguidas de morte.
 

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