Cidades

ALVO

Preço da passagem entre Campo Grande e Corumbá entra na mira do MPE

Instauração de inquérito civil contra empresa de transporte foi publicada nesta quarta-feira (28), no Diário Oficial do órgão fiscalizador

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), via Diário Oficial desta quarta-feira (28), instaurou inquérito civil contra a empresa de transporte Andorinha pelo preço abusivo da passagem de ônibus entre Campo Grande e Corumbá.

Através de denúncias feitas por consumidores, o deputado estadual Paulo Roberto Duarte, que foi prefeito de Corumbá de 2013 a 2016, foi o responsável por dar entrada no processo. 

Como exemplo de superfaturamento na passagem, o parlamentar citou que a empresa cobra por uma passagem entre as capitais de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, que envolve um trecho de 703 km e vários pedágios, cerca de R$ 194,00. Enquanto isso, de Campo Grande a Corumbá fica cerca de R$ 278,84 (leito), diferença de 43%, sendo um trajeto de 427 km.

Por conta disso, em 30 de abril do ano passado, durante sessão na Assembleia Legislativa, o deputado apresentou requerimento para que a Andorinha desse maiores detalhes sobre os preços cobrados e quais os motivos para tal valor na passagem. Porém, a empresa não respondeu.

Diante do “vácuo”, foi instaurado um prazo de 15 dias, contados a partir do final de junho, para a Andorinha responder o ofício, que solicita informações sobre as alegações acima. Desta vez, no dia 17 de julho, a empresa apresentou um retorno, afirmando que a diferença nos preços está ligada aos tipos distintos de viagens.

“O transporte intermunicipal do Estado de Mato Grosso do Sul é regulamentado pela AGEMS - Agência Estadual de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul, como é o caso do trecho Campo Grande/MS x Corumbá/MS.

Dentre as prerrogativas de referida Agência está a de dispor sobre o Sistema de Transporte Rodoviário Intermunicipal de Passageiros de Mato Grosso do Sul, estipulando, inclusive, o valor da tarifa dos serviços de transporte.

[...]

De outro lado, o transporte interestadual (como é o caso de Campo Grande a Cuiabá) de passageiros é regulamentado pela ANTT - Agência Nacional de Transportes Terrestres, conforme Resolução ANTT nº 6.03312023, atualmente vigente, onde a autarquia federal opta pelo modelo de liberdade tarifária, conforme art. 132 da citada Resolução, sendo a empresa livre para praticar o valor que entender pertinente, conforme as características de cada mercado.

Neste sentido, os trechos mencionados na Notícia de Fato em referência são regulamentados por autarquias distintas, sendo que as tarifas intermunicipais, conforme salientado anteriormente, são estipuladas pela AGEMS, que opta pelo modelo de tabelamento de valores”, diz o documento.

Além deste fator, a empresa afirma que também considera as características de transporte de pessoas de Mato Grosso do Sul, do qual seria um estado com baixa densidade populacional, onde as distâncias entre as cidades é consideravelmente maior do que em regiões mais populosas. Ademais, cita também que “a maioria esmagadora das linhas de transporte de passageiros no estado é deficitária”.

Mesmo com as justificativas da denunciada, o Ministério Público resolveu instaurar Procedimento Preparatório, que antecede o inquérito civil e visa apurar informações sobre notícias de irregularidades, especialmente quando os fatos ou a autoria não estão claros. 

Sob necessidade de análise mais minuciosa, o órgão instaurou o IC com, mais uma vez, prazo de 15 dias, contados a partir desta terça-feira (27), para a empresa apresentar respostas mais convincentes acerca das alegações. Caso não haja retorno da Andorinha, outras deliberações podem ocorrer.

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Educação

Pé-de-Meia reduz abandono escolar em 55% em dois anos em MS

Com 64 mil estudantes beneficiados, o programa evitou a evasão escolar e reduziu em 49% as reprovações

02/04/2026 12h54

Crédito: Antonio Cruz / Agência Brasil

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Em 2026, o Programa Pé-de-Meia completa dois anos desde sua criação. Nesse período, colaborou para que a evasão escolar no ensino médio caísse 55% em Mato Grosso do Sul.

No total, 64.393 estudantes sul-mato-grossenses têm sido beneficiados desde a implementação do incentivo, o que corresponde a 45% do total de alunos das redes públicas no Estado.

A política de investimento do Governo Federal tem auxiliado jovens a permanecer na escola.

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Educação, em 2022, a taxa de abandono escolar era de 5,1%. Em 2024, caiu para 2,3%.

Outro resultado importante foi o recuo na taxa de reprovação em 49% no mesmo período. Já o atraso escolar (distorção idade-série) apresentou queda de 25% entre 2022 e 2025.

Investimento

O programa contemplou 5,6 milhões de estudantes em todo o país, com investimento de R$ 18,6 bilhões, resultando na diminuição da taxa de abandono escolar em quase metade (43%).

Como incentivo para continuar na escola, estudantes do ensino médio recebem R$ 200 por mês, desde que mantenham a frequência escolar, além de R$ 1 mil por ano concluído com aprovação.

Cabe ressaltar que as parcelas mensais podem ser utilizadas imediatamente, contribuindo para despesas dos estudantes. Já o valor anual de R$ 1 mil é depositado em uma conta poupança e só pode ser sacado após a conclusão do ensino médio.

Além disso, o participante que realiza o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) recebe uma parcela extra no ano de conclusão.

Quem pode participar?

O programa é voltado a estudantes de famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), com renda de até meio salário mínimo por pessoa.

Do total de beneficiários em Mato Grosso do Sul, desde o início do programa, 52,7% são meninas e 58,7% são negros (pretos e pardos).

Nos dois anos, 4.658 estudantes indígenas receberam o incentivo no Estado.
 

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SISTEMA PRISIONAL

Greve nacional pode afetar presídios federais e restringir visitas a partir de segunda

Com estado de greve aprovado, policiais penais federais ameaçam paralisar atividades e reduzir serviços essenciais em todo o país

02/04/2026 12h30

A medida é considerada um indicativo de paralisação iminente e pode resultar na interrupção de atividades em unidades prisionais de todo o país

A medida é considerada um indicativo de paralisação iminente e pode resultar na interrupção de atividades em unidades prisionais de todo o país Gerson Oliveira

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O sistema penitenciário federal pode sofrer impactos diretos já a partir da próxima segunda-feira (6), com a possibilidade de paralisação nacional dos policiais penais federais. A categoria aprovou, por unanimidade, o estado de greve durante assembleia geral realizada nesta semana, elevando o nível de pressão sobre o Governo Federal.

A medida é considerada um indicativo de paralisação iminente e pode resultar na interrupção de atividades em unidades prisionais de todo o país, especialmente diante da falta de avanços nas negociações com o Ministério da Justiça.

De acordo com a deliberação, a mobilização prevê a paralisação total dos setores considerados não essenciais e a suspensão de até 50% das atividades essenciais. Com isso, a rotina dentro dos presídios federais deve sofrer alterações significativas.

Segundo informações iniciais, entre as mudanças previstas está a redução pela metade do tempo de banho de sol dos internos. As visitas familiares e os atendimentos por advogados também devem ser limitados, com restrição a apenas um agendamento por horário. Já os serviços de saúde, como atendimentos médicos e odontológicos, serão mantidos apenas em casos de urgência e emergência.

O movimento ocorre em meio à insatisfação da categoria com a condução do Governo Federal em relação à criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC). Considerado estratégico pelos servidores, o fundo é visto como essencial para garantir investimentos em estrutura, capacitação e valorização profissional.

A crise se intensificou após a exclusão inicial da Polícia Penal Federal das discussões sobre o fundo, o que gerou forte reação interna. Mesmo após uma reunião realizada nesta quarta-feira (1º) no Ministério da Justiça, com participação de representantes da categoria e de outras forças de segurança, não houve avanço nas tratativas.

Segundo lideranças sindicais, o estado de greve funciona como um “alerta máximo” e pode evoluir para uma paralisação mais ampla caso o governo não apresente propostas concretas nos próximos dias.

“O governo só abriu diálogo após pressão intensa, mas segue sem solução. Não aceitaremos tratamento desigual. O estado de greve é um recado claro: ou há ação imediata, ou o sistema pode parar”, afirmou Renan Fonseca, presidente do SINPPF-MS.

A equipe do Correio do Estado entrou em contato com a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) mas não obteve resposta. O espaço segue aberto para pronunciamento. 

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