A falta de medicamentos na rede municipal de saúde de Campo Grande é hoje o principal desafio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), que espera estancar o problema nos próximos meses.
A "promessa" da Prefeitura é regularizar o abastecimento de diversos itens até abril, conforme afirmou o secretário Marcelo Vilela durante audiência pública de prestação de contas realizada nesta sexta-feira (27), na Câmara Municipal.
Segundo o secretário, a escassez nas unidades básicas é “a pauta que mais aflige os usuários do SUS”. Ele destacou que o maior problema, atualmente, está concentrado nos medicamentos psiquiátricos da rede psicossocial.
“O que ainda não está totalmente regularizado são os medicamentos da rede psicossocial. Acreditamos que, no mais tardar até abril, esses também estarão normalizados e disponíveis para a população”, disse.
Vilela explicou que a meta da gestão é atingir entre 85% e 90% de regularização no abastecimento. Ele atribuiu os atrasos a entraves burocráticos e contratuais comuns na administração pública.
“Trabalhamos para atingir entre 85% e 90% de regularização. Na gestão pública há licitações, empresas que vencem com preço baixo e depois pedem reequilíbrio contratual. Isso gera processos jurídicos que podem levar de 60 a 90 dias. Depois há empenho, pedido e entrega. Por isso ocorrem atrasos”, justificou.
Durante a audiência, também foram apresentados dados do terceiro quadrimestre de 2025, referente aos meses de setembro a dezembro. No período, a Atenção Primária à Saúde registrou 1.082.481 visitas domiciliares realizadas por agentes comunitários de saúde e 541.644 atendimentos individuais, entre consultas, visitas e atendimentos por profissionais de nível superior.
Também foram realizados 895.824 procedimentos por profissionais de níveis médio e superior, exceto cirurgiões-dentistas, além de 73.320 atendimentos odontológicos. Ao todo, a produção da Atenção Primária somou 2.593.269 procedimentos.
Na rede hospitalar, foram contabilizados 28.348 procedimentos, com valor aprovado de R$ 74.424.676,97, indicando concentração significativa de recursos em serviços de alta complexidade.
Já na Atenção Especializada Ambulatorial foram registrados 1.531.982 procedimentos, com R$ 48.889.821,77 em valores aprovados.
Em 2025, o investimento municipal no Componente Básico da Assistência Farmacêutica totalizou R$ 22.602.893,91. Os recursos foram destinados à compra de medicamentos padronizados, manutenção do abastecimento da rede, qualificação da logística e fortalecimento das ações assistenciais farmacêuticas no âmbito da Rede Municipal de Saúde (Remus).
Em dezembro, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Mato Grosso do Sul (CRM/MS) emitiu nota pública criticando a situação da saúde pública na Capital. No documento, o conselho destacou a falta de medicamentos e insumos básicos nas Unidades de Pronto Atendimento e nos Centros Regionais de Saúde administrados pela Prefeitura de Campo Grande, reforçando a pressão para que o município solucione o problema do abastecimento.
Em janeiro, a senadora Tereza Cristina (PP) destacou que o município deve receber R$ 20 milhões, verba destinada à saúde. O valor foi foi anunciado durante evento de posse de Marcelo Vilela como secretário municipal da Pasta.

