Cidades

INFRAESTRUTURA

Prefeitura espera tapar 80 mil buracos nos próximos 30 dias em Campo Grande

No primeiro dia de retomada dos serviços, mais de 1,7 mil buracos foram fechados na Capital, segundo secretário da Sisep

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Na mesma semana em que a Prefeitura de Campo Grande quitou parte da dívida com as empresas de tapa-buraco e retomou o serviço de forma integral, o titular da Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Marcelo Miglioli, afirmou que o objetivo do Executivo municipal é tapar cerca de 80 mil buracos até dia 20 de dezembro.

Matéria do Correio do Estado havia mostrado que o secretário tinha reforçado em duas oportunidades que a falta de recursos e o corte de gastos determinado pela prefeitura estavam dificultando o andamento do tapa-buraco, problema que foi evidenciado pelas fortes chuvas que atingiram a Capital neste mês.

Por ser visto como o “maior problema de zeladoria de Campo Grande”, conforme apontou Miglioli em audiência na Câmara Municipal, prefeitura, governo federal, governo do Estado e a Casa de Leis se juntaram para captar recursos para o serviço. Com isso, os esforços resultaram em R$ 25 milhões, que devem durar até o fim deste ano.

Depois que conseguiu o montante, Miglioli se reuniu com as sete empresas que fazem tapa-buracos com contratos com a prefeitura. Nessa reunião, que ocorreu na sexta-feira, foi apresentado o planejamento para os próximos dias por parte da Sisep e a garantia de que o serviço fosse feito e cumprido como o esperado.

“Queríamos o aval deles, porque eu não queria correr o risco de pagar as empresas e não ter o serviço. E as empresas foram muito solícitas e, obviamente, ficaram satisfeitas, porque também é uma condição que resolve o problema deles”, destacou o secretário.

Porém, foi preciso esperar uma trégua do tempo para a retomada das atividades, o que ocorreu na terça-feira. No primeiro dia, segundo levantou a Sisep, foram cerca de 1,7 mil buracos tapados, o que agradou ao Executivo.

“Foi positivo. Nós conseguimos trabalhar em todas as regiões e tivemos avenidas importantes que foram afetadas [pela chuva]. Nós estamos com planejamento de fazer prioritariamente as avenidas principais e as adjacências delas. Quando eu libero para fazer as laterais, avenidas, ruas adjacentes, a empresa potencializa mais o volume de serviço. A gente está trabalhando nessa linha e deu muito resultado”, disse.

Inclusive, o secretário citou a rotatória das Avenidas Rachid Neder e Ernesto Geisel como um dos trechos prioritários nesta retomada, já que as chuvas da semana passada, que chegaram a ultrapassar os 111 milímetros, deixaram a região muito exposta, com a capa asfáltica descolando da via.

“Não vamos aceitar serviço malfeito. Então, a ideia é aumentar a produtividade em cima de aumento de equipe, e não em cima de qualidade de serviço”, declarou Miglioli.

Uma previsão até o fim do ano, segundo Miglioli, é difícil de cravar, mas o secretário estima o fechamento de 70 mil a 80 mil buracos dentro dos próximos 30 dias, mais especificamente, até dia 20 de dezembro. 

“Com isso, a gente já acredita que possa realmente dar uma resposta [para a população]”, acrescentou o secretário.

MAIS DE R$ 500 MILHÕES

Com corte de gastos e necessidade de captar recursos de fora, a Prefeitura de Campo Grande anunciou um pacote de obras no valor de R$ 544 milhões que promete levar drenagem e asfalto para pelo menos 33 bairros ao longo dos próximos anos, investimento oriundo de um empréstimo com a Caixa Econômica Federal, em decorrência da aprovação do Plano de Equilíbrio Fiscal (PEF).

A primeira parte, no valor de R$ 136 milhões, deve ser liberada ainda este ano, como havia confirmado a assessoria da prefeitura na terça-feira, facilitando o lançamento de novas licitações nos próximos dias.

Contudo, Miglioli afirma que esta “primeira parcela” deve ser maior ainda, visto que a bancada federal, mais especificamente, o deputado Luiz Ovando (PP), conseguiu mais R$ 100 milhões para drenagem e pavimentação para o Município.

“Nós vamos abarcar nesse programa também esses R$ 100 milhões. Então, a primeira etapa que a gente estava estimando soltar, de R$ 136 milhões, nós vamos passar ela para R$ 236 milhões. Nós vamos [fazer] avançar esse programa com essa parceria com a Caixa Econômica e com a bancada federal”, detalhou.

Acerca do cronograma, o secretário explicou que o montante deverá ser dividido em três etapas, sem detalhar o valor destinado a cada uma delas. A primeira será neste ano, a segunda em 2026 e a última em 2027, com previsão de conclusão para 2028.

“[Com] a licitação dessa primeira etapa, nós vamos contemplar todos os bairros. Agora, você tem obras que são menores, obras que são maiores. O bairro que for menor, ele vai ser contemplado 100%. O bairro que for maior, ele vai ter uma fração na primeira etapa, uma fração na segunda etapa, uma fração na terceira etapa”, afirmou.

Mesmo com alguns trechos com problemas estruturais, Miglioli confirmou que a Avenida Mascarenhas de Moraes não está contemplada neste projeto e que a região será “administrada” com o serviço de tapa-buracos.

“Assim que a gente conseguir uma emenda ou uma parceria para que a gente possa resolver o problema da Mascarenhas, nós vamos fazer a solução definitiva”, disse.

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CONQUISTA

Pesquisadora da UFMS conquista Prêmio Mulheres e Ciência do CNPq

Professora do Instituto de Biociências, Letícia Couto foi reconhecida na categoria Estímulo por pesquisas voltadas à conservação e restauração do Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica

22/02/2026 12h00

A cerimônia de premiação será realizada no dia 5 de março, na sede do CNPq, em Brasília

A cerimônia de premiação será realizada no dia 5 de março, na sede do CNPq, em Brasília Divulgação

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A professora Letícia Couto, do Instituto de Biociências (Inbio) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), está entre as vencedoras da segunda edição do Prêmio Mulheres e Ciência, promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Ela foi reconhecida na categoria Estímulo, destinada a pesquisadoras que concluíram o doutorado a partir de 2010.

A cerimônia de premiação será realizada no dia 5 de março, na sede do CNPq, em Brasília. Nesta edição, o prêmio recebeu 684 inscrições de todo o país e contemplou iniciativas e trajetórias femininas em quatro categorias: Incentivo, Estímulo, Trajetória e Mérito Institucional.

Fundadora e coordenadora do Laboratório de Ecologia do Inbio, Letícia integra o Programa de Pós-Graduação em Biologia Vegetal da UFMS. Seu trabalho está voltado à restauração, intervenção e conservação dos biomas Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica, áreas estratégicas tanto do ponto de vista ambiental quanto científico.

A categoria Estímulo reconhece as pesquisadoras melhor classificadas em três grandes áreas do conhecimento: Ciências da Vida; Ciências Exatas, da Terra e Engenharias; e Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes. Letícia foi premiada na área de Ciências da Vida.

“Fiquei surpresa e muito feliz. É muito importante receber um prêmio nacional concorrendo com mulheres de várias áreas do país todo, ainda mais sendo um reconhecimento do CNPq. Sinto que represento muitas parceiras de pesquisa e espero que isso também incentive a nova geração de mulheres na ciência que estamos formando”, afirmou a professora.

Além da categoria Estímulo, o prêmio também contempla a categoria Incentivo, voltada a jovens de 15 a 29 anos participantes do Programa Asas para o Futuro, do Ministério das Mulheres; a categoria Trajetória, destinada a pesquisadoras que concluíram o doutorado até 2009; e o Mérito Institucional, que reconhece instituições de ensino superior e centros de pesquisa com ações estratégicas para promoção da igualdade de gênero.

O Prêmio Mulheres e Ciência é uma iniciativa do CNPq, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Ministério das Mulheres, o British Council no Brasil e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe. A proposta é ampliar a participação feminina na Ciência, Tecnologia e Inovação, fortalecer a equidade de gênero, étnica e racial e dar visibilidade às pesquisas desenvolvidas por mulheres em diferentes áreas do conhecimento.

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CRIME

Mulher é vítima de feminicídio em Coxim e caso pode ser o 3º do ano em MS

Vítima foi encontrada sem vida na sala da casa e apresentava uma única perfuração no abdômen, segundo a perícia

22/02/2026 11h30

Nilza tinha 50 anos e filho é um dos principais suspeitos

Nilza tinha 50 anos e filho é um dos principais suspeitos Coxim Agora/ Pedro Depetriz

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Identificada como Nilza de Almeida Lima, de 50 anos, a mulher encontrada morta na madrugada deste domingo (22) dentro da própria residência, no bairro Senhor Divino, em Coxim, foi vítima de um golpe de faca na região do abdômen. O caso foi registrado como feminicídio em contexto de violência doméstica e familiar e pode se tornar o terceiro do tipo em Mato Grosso do Sul em 2026.

Equipes da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e perícia técnica foram acionadas para atender a ocorrência na Rua Walmor Rocha Soares. Ao chegarem ao imóvel, os policiais encontraram a vítima caída sobre um colchão na sala da casa, aparentemente já sem sinais vitais. O óbito foi confirmado ainda no local.

De acordo com a perícia, Nilza apresentava uma única perfuração provocada por arma branca. O ferimento, localizado no abdômen, foi considerado suficiente para causar a morte.

Versões contraditórias

Segundo informações do portal Coxim Agora, o companheiro da vítima, de 46 anos, apresentou relatos divergentes aos policiais. Inicialmente, informou que teria saído da residência por cerca de 40 minutos para buscar gelo na casa de uma filha e que, ao retornar por volta das 4h30, encontrou a mulher ferida, pedindo socorro.

Posteriormente, alterou a versão e passou a afirmar que o fato teria ocorrido por volta das 20h do dia anterior. Conforme registrado no boletim de ocorrência, ele apresentou comportamento agressivo durante o atendimento da equipe policial, sendo necessário o uso de algemas para garantir a segurança dos envolvidos. O homem foi encaminhado à delegacia para prestar esclarecimentos.

Filho é apontado como suspeito

Ainda segundo o registro policial, o filho do casal, de 22 anos, é apontado como suspeito de ter desferido o golpe que atingiu a vítima. O pai relatou que mãe e filho permaneceram na residência após uma discussão verbal e que os conflitos entre ambos seriam frequentes.

Quando o homem retornou ao imóvel, o jovem já não estava mais no local. Equipes policiais realizaram diligências na tentativa de localizá-lo, mas, até o momento, ele não havia sido encontrado.

No interior da residência, os policiais identificaram sinais de luta, o que reforça a hipótese de confronto antes do crime. A dinâmica exata dos fatos, assim como a motivação, ainda será apurada no decorrer do inquérito policial.

O corpo de Nilza foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde passará por exame necroscópico que deve confirmar oficialmente a causa da morte e auxiliar na reconstituição do crime. A investigação é conduzida pela Primeira Delegacia de Polícia Civil de Coxim, que segue em diligências para localizar o suspeito e esclarecer completamente o caso.

Terceiro caso no Estado

O boletim de ocorrência classifica o caso como feminicídio, tipificação aplicada quando o homicídio é cometido contra a mulher em razão da condição de sexo feminino, especialmente em contexto de violência doméstica ou familiar.

Se confirmado ao fim das investigações, este será o terceiro feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul neste ano.

O primeiro caso de feminicídio ocorreu em 16 de janeiro de 2026. Josefa dos Santos, de 44 anos, foi morta pelo companheiro, Fernando Veiga, com um tiro de espingarda nas proximidades da Capela Santo Antônio, na zona rural de Bela Vista. Após o crime, Veiga tirou a própria vida.

O segundo caso ocorreu em 24 de janeiro, quando Rosana Candia, de 62 anos, foi morta a pauladas pelo ex-companheiro, Antônio Lima Ohara, de 73 anos, no bairro Guarani, em Corumbá.

Perfil das vítimas e comparação com 2025

Dados do painel estatístico da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) indicam que, em janeiro de 2025, não houve registro de feminicídio em Mato Grosso do Sul. Os casos começaram a ser contabilizados a partir de fevereiro.

Neste ano, no entanto, as mortes tiveram início ainda em janeiro. Se o caso de Coxim for confirmado como feminicídio, o Estado chegará à terceira vítima em menos de dois meses.

Entre os dois registros anteriores de 2026, uma das vítimas tinha 44 anos e a outra 73. Já em 2025, o perfil das mulheres assassinadas incluiu três idosas, 24 adultas, uma criança e 11 jovens, evidenciando que a violência atingiu diferentes faixas etárias.

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