A Prefeitura Municipal de Campo Grande afirmou que realizou, nos últimos dias, uma grande compra de medicamentos que promete recompor os estoques de remédios nas unidades de saúde da Capital. A medida era uma das determinações impostas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) para evitar que houvesse um pedido judicial de intervenção na saúde pública da cidade.
Ao Correio do Estado, a Prefeitura informou que adquiriu, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), “cerca de 32 milhões de unidades –entre comprimidos, ampolas e frascos – com chegada prevista para os próximos dias, garantindo o atendimento da Rede Municipal de Saúde”.
“No que se refere ao abastecimento de insumos e medicamentos, a Secretaria Municipal de Saúde esclarece que a regularização está em fase final. As entregas por parte dos fornecedores já estão em curso, com programação para atingir cerca de 90% de cobertura. Nos últimos dias, após a conclusão de etapas administrativas, licitatórias, orçamentárias e financeiras, foram emitidos aproximadamente 60 empenhos de medicamentos”, disse a prefeitura, em nota.
“O acompanhamento dos estoques é permanente, com medidas contínuas para evitar desabastecimentos, como aceleração de processos licitatórios, reprogramação de itens que não obtiveram êxito em certames anteriores e fiscalização rigorosa dos prazos de entrega”, completou a Prefeitura.
A resposta veio após uma reportagem do Correio do Estado mostrar que o Ministério Público não descartava a possibilidade de entrar na justiça para pedir a intervenção do Estado na saúde pública do município em razão das constantes faltas de medicamentos, falta de vagas e demora em atendimentos em geral.
“A Prefeitura informa que a saúde pública do município segue em processo contínuo de reorganização e fortalecimento, com ações estruturantes já em execução e resultados concretos em andamento”, disse ainda a nota.
No dia 19 de dezembro de 2025 o Procurador-Geral de Justiça do MPMS, Romão Avila Milhan Júnior, afirmou, durante encontro com a imprensa, que o órgão poderia recorrer a essa medida extrema caso a prefeitura não conseguisse resolver problemas apontados pelas promotorias ligadas à saúde pública.
Segundo Milhan Júnior, a princípio, a esperança era de que esses problemas fossem resolvidos em consenso entre o MPMS, a Prefeitura de Campo Grande e o governo do Estado. No entanto, caso isso não seja possível, o órgão pode entrar com pedido na Justiça para ações mais drásticas.
“Nós recebemos e já vinha uma linha de representações para eventual intervenção do Estado na Saúde do Município de Campo Grande. Isso está sendo colocada à mesa, o próprio Município busca fazer um trabalho para que não chegue a essa medida, que compete ao procurador-geral, lógico, depois de uma decisão do Tribunal de Justiça. Mas a busca é por soluções consensuais, porque não adianta nada jogar os problemas no colo do Poder Judiciário”, declarou procurador-geral de Justiça.
“Mas o problema está na mesa, é de conhecimento do Ministério Público, é de cobrança diária e permanente dos colegas que atuam na Saúde, com um trabalho muito próximo com o secretário de Saúde do Estado. Tem no âmbito do Município o comitê gestor, que esteve hoje presente aqui e também por uma necessidade de ter um gestor único”, completou Milhan Júnior, lembrando que, até aquele momento, a Saúde de Campo Grande era regida não pela figura de um secretário, mas de um comitê.
Segundo investigação do Ministério Público de MS, até Dipirona estava em falta em unidades de saúde - Foto: Gerson Oliveira/Correio do EstadoNOVO SECRETÁRIO
Outro ponto que foi atendido pela Prefeitura após a divulgação da reportagem foi o anúncio de um secretário de saúde.
Na terça-feira, a prefeita Adriane Lopes (PP) anunciou em suas redes sociais, ato oficializado horas depois em edição extra do Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande), a nomeação de Marcelo Luiz Brandão Vilela para o cargo de secretário de Saúde.
Desde o início de setembro do ano passado, a Pasta vinha sendo administrada por um comitê gestor, criado após a exoneração de Rosana Leite do cargo. À época, a mudança ocorreu em meio a uma série de reclamações da população sobre a prestação dos serviços de saúde na Capital.
O comitê passou a ser coordenado por Ivoni Kanaan Nabhan Pelegrinelli, ex-secretária de Saúde de Iguatemi, e tinha como missão diagnosticar falhas do sistema e promover uma reestruturação emergencial da Pasta. O grupo, formado ainda por outros cinco gestores, assumiu com previsão inicial de seis meses de duração.
Quando a Pasta da Saúde ainda era comandada pelo Comitê, a prefeitura informou que o grupo havia promovido “ajustes importantes na gestão, incluindo revisão de contratos, reorganização de fluxos e equipes, visitas técnicas às unidades e implantação de sistemas modernos, como o e-SUS Farmácia, que amplia a eficiência e a transparência da assistência farmacêutica”.
Apesar de novo na gestão de Adriane, não é a primeira vez que Marcelo Vilela assume a Sesau. Ele já foi secretário municipal de Saúde de Campo Grande entre janeiro de 2017 e março de 2019, além de ter atuado em cargos de direção clínica hospitalar e coordenação de programas de residência médica.
*Saiba
Além dos problemas de falta de medicamentos e demora em atendimentos, outro problema apontado pelo MPMS era a situação da Santa Casa de Campo Grande, que também teve um desfecho após acordo milionário.


