Mercadorias foram apreendidas e boxes interditados durante investigação de esquema que pode contar com participação de agentes de segurança pública
Durante operação contra contrabando que revelou a participação de agentes de segurança pública do Estado, quatro boxes do Camelódromo e uma sala no piso superior foram interditados.
Nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira (18), a Polícia Federal (PF), em parceria com a Receita Federal, interditou o entorno do Camelódromo e iniciou a retirada de produtos oriundos de descaminho.
Em conversa com a reportagem do Correio do Estado, o presidente da Associação dos Vendedores Ambulantes (Camelódromo), Narciso Soares dos Santos, confirmou a interdição dos locais e a retirada de produtos.
“De um box estão recolhendo todos os produtos; de outros dois levaram apenas a maquininha [de cartão] e celulares de uso dos comerciantes. São quatro boxes. [Os policiais] falaram que foi uma operação pontual, fruto de investigação com mandado de busca e apreensão”, informou o presidente.
Após a apreensão dos produtos e a interdição do espaço alvo da operação, as faixas que impediam a circulação foram retiradas e os lojistas puderam entrar novamente. Segundo Narciso, o funcionamento seguirá normalmente durante o dia.
“A ação foi apenas em quatro boxes. O Camelódromo está abrindo normalmente, vamos trabalhar normalmente”, pontuou o presidente.
Ação
A Operação Judas Iscariotes cumpriu mandados de busca e apreensão em residências, em duas delegacias da Polícia Civil e no Camelódromo de Campo Grande, com o objetivo de desarticular um grupo que facilitava a entrada de mercadorias contrabandeadas.
Durante a investigação, foi identificada a participação de agentes de segurança pública de Mato Grosso do Sul, aposentados e da ativa, que agiam em diversas frentes, aproveitando-se da influência dos cargos tanto para vazar informações sigilosas quanto para auxiliar no transporte das mercadorias.
A ação ocorreu simultaneamente a operações em outras unidades da federação. Um dos principais destinos das mercadorias, após atravessarem a fronteira, era o estado de Minas Gerais (MG).
O grupo utilizava veículos modificados para esconder a carga de produtos contrabandeados, em uma tentativa de ludibriar eventuais fiscalizações.
Os nomes dos alvos da operação não foram divulgados.
Com autorização do Ministério Público Federal, a Justiça Federal expediu as seguintes medidas cautelares:
- 31 mandados de busca e apreensão;
- 4 mandados de prisão preventiva;
- 1 mandado de monitoração eletrônica;
- 2 afastamentos de funções públicas;
- 6 suspensões de porte ou posse de arma de fogo;
- indisponibilidade de bens de 12 pessoas físicas e jurídicas, no valor de R$ 40 milhões, incluindo:
- sequestro de ao menos 10 imóveis;
- sequestro e apreensão de ao menos 12 veículos;
- suspensão das atividades de 6 pessoas jurídicas.
Ao todo, foram cumpridas cerca de 90 ordens judiciais, com a mobilização de mais de 200 policiais, nas cidades de Campo Grande (MS), Dourados (MS), Belo Horizonte (MG), Vespasiano (MG) e Montes Claros (MG).
A operação contou, ainda, com o apoio das corregedorias da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul.
As investigações prosseguem com o objetivo de identificar outros eventuais envolvidos e aprofundar a apuração dos fatos.
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