O serviço está presente em 28 municípios e ajuda a identificar lesões em estágio inicial, ampliando o atendimento, diagnóstico e tratamento
O telediagnóstico em dermatologia já identificou 357 casos de melanoma e câncer de pele não melanoma em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul desde a implantação do serviço em 2019.
O serviço está presente em 28 municípios do Estado, com 43 pontos de atendimento, aderidos à oferta de telediagnóstico em dermatologia. Os pacientes passam por especialistas à longa distância, que avaliam as lesões de pele sem precisarem, inicialmente, sair do município de origem.
Além de ampliar o acesso, a ferramenta é reconhecida pelo Ministério da Saúde como uma estratégia capaz de aumentar a resolutividade da Atenção Primária à Saúde (APS), podendo solucionar cerca de 70% dos casos sem a necessidade de consulta presencial com um dermatologista. O objetivo principal é melhorar o acesso da população aos serviços de média e alta complexidade em dermatologia.
O sistema integra o Sistema de Telemedicina e Telessaúde (STT) e é ofertada nacionalmente pelo Telessaúde da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em parceria com a Central Estadual de Telemedicina de Santa Catarina, que é referência no País.
O fluxo
O processo de atendimento começa na Unidade Básica de Saúde (USB), onde o médcio identifica uma lesão suspeita e solicita o exame pelo STT, responsável pela triagem e decisão clínica.
Em seguida, é feito o registro fotográfico da lesão, o que é decisivo para a qualidade do diagnóstico, que pode ser feita por um profissional capacitado ou pelo próprio médico.
As imagens são enviadas pela plataforma juntamente com as avaliações clínicas, e são avaliadas por dermatologistas especializados. O laudo, classificação de risco e conduta indicada são enviadas em até 72 horas para a unidade solicitante.
O suspeito atende casos suspeitos de câncer de pele como melanoma e não melanoma e outras dermatoses. Grande parte das situações são resolvidas na própria Atenção Primária, o que evita encaminhamentos desnecessários e efetiva a fila para o atendimento presencial.
“Além de ampliar o acesso ao especialista, o sistema estratifica o risco e prioriza quem realmente precisa de atendimento presencial. É tecnologia aplicada à gestão do cuidado, com impacto direto na eficiência da rede”, pontuou a superintendente de Saúde Digital da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Marcia Tomasi.
Os casos identificados nas macrorregiões do Estado foram:
Melanoma
- Centro: 5 casos (3 municípios)
- Pantanal: 33 casos (2 municípios)
- Cone Sul: 4 casos (2 municípios)
- Costa Leste: 13 casos (7 municípios)
Não melanoma
- Centro: 32 casos (4 municípios)
- Pantanal: 125 casos (2 municípios)
- Cone Sul: 42 casos (7 municípios)
- Costa Leste: 103 casos (7 municípios)
Segundo a SES, os números reforçam a importância da detecção precoce, especialmente no caso do melanoma, que é mais grave. A lesão identificada em estágio inicial juntamente com o encaminhamento rápido para confirmação e tratamento, as chances de cura e controle da doença aumentam significativamente.
Implantação
Para a implantação do serviço, o município deve formalizar a adesão ao Telessaúde e adquirir o Kit de Dermatologia, composto por dermatoscópio, adaptador e equipamento de captura de imagem (smartphone ou câmera digital), seguindo especificações técnicas mínimas de qualidade.
Para a habilitação, é necessário completar o cadastro no sistema, capacitação para a realização do registro fotográfico da lesão e cumprimento dos protocolos de segurança.
Nos casos graves e pacientes sintomáticos, não é necessário aguardar o laudo do sistema. Devem ser encaminhados imediatamente para a rede de urgência e emergência.