Cidades

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Reminiscências IV

Reminiscências IV

Redação

23/02/2010 - 03h51
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Prossigo na narrativa da minha experiência na vida pública. No total, são cinco episódios, dos quais dois narrei no artigo anterior. Um belo dia recebi um telefonema de d. Maria Aparecida Pedrossian, que me convidou para ser coordenador-geral de comunicação do governo do Estado. O dr. Pedro Pedrossian havia extinto a Secretaria de Comunicação Social, criando em seu lugar a coordenadoria. Aceitei. Isto aconteceu no período de governo que se encerrou em março de 1983. Algum tempo depois de tomar posse, já na rotina do trabalho, recebi a informação do secretário de Fazenda de que estavam liberando uma determinada importância para pagamento a um órgão da grande imprensa – por utilização de espaço publicitário – cujo valor correspondia, mais ou menos, ao total do que estava empenhado para o pagamento de toda a imprensa do interior – sofrida imprensa –: rádios e jornais, com a mesma finalidade: espaço publicitário. Não tive dúvidas: chamamos rapidamente os diretores dos veículos do interior e pagamos a todos. No dia seguinte aos pagamentos, entrou em minha sala o secretário de Fazenda com os cabelos desalinhados e com expressão de profundo desespero, dizendo que eu havia acabado com a sua vida, pois quando o dr. Pedro soubesse do acontecido iria demiti-lo. E eu perguntei: “Por quê?” E ele disse: “ Você desviou o dinheiro e pagou a imprensa do interior”. Respondi: “Mas quem fez isso fui eu; você não teve nenhuma participação. Você, ao liberar o dinheiro, me disse qual era a sua destinação. Ponto. Você cumpriu com a determinação do governador”. Aí ele deu um profundo suspiro dizendo: “É mesmo. Eu não descumpri a ordem”. E saiu totalmente aliviado. Na tarde daquele mesmo dia, o governador me chamou em seu gabinete e perguntou o que havia acontecido. E eu falei: “O secretário me disse qual era a destinação dessa verba, mas ao ver o valor, vi que com esse dinheiro pagaríamos toda a verba empenhada para a imprensa do interior”. Argumentei que eu estava no governo para auxiliá-lo e que a imprensa do interior, que sempre lhe foi solidária, estava a pão e água há muito tempo. Também disse que eu sabia que pelo poder de fogo do tal grande veículo, logo o governo liberaria uma outra verba para o pagamento. E ele, disse: “Está bem. Mas não faça mais isso.” A imprensa tem um papel importantíssimo na divulgação dos atos e fatos do governo, por isso, pela utilização do espaço destinado a essa finalidade – que é a forma de comercialização do seu produto: espaço – recebe regular e legalmente um pagamento. O quarto episódio: num fim de ano, novamente os donos de jornais e de rádios do interior, estavam aguardando o pagamento prometido e empenhado. Passaram o Natal em Campo Grande, longe de seus familiares, na esperança de receber. Havia uma verba. Falei com o secretário de Fazenda e combinamos que pagaríamos o pessoal do interior, mas não falaríamos nada a ninguém, para não dar margem a reclamações, num dito “acordo de cavalheiros”. E assim foi feito. Antes do fim de ano. No dia 2 de janeiro pela manhã, estava ainda no meu escritório antes de me dirigir ao Parque dos Poderes, quando recebi um telefonema de um grande empresário dizendo saber que eu havia destinado a verba existente para a imprensa do interior e essa verba era do seu veículo. E disse mais, se estivesse no meu lugar, agiria da forma que eu fiz, mas ele não estava no meu lugar e aquele dinheiro era da sua empresa e a partir de agora, quando eu quisesse divulgação do meu “sindicatozinho” (na época eu era presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis), que procurasse a imprensa do interior, e desligou o telefone na minha cara. Moral da história: essa lorota de “acordo de cavalheiros” é uma grande lorota mesmo. Todas as vezes que ouço essa expressão, fico observando: logo, logo alguém vai roer a corda. O quinto episódio: final de governo. Novamente a imprensa do interior queria receber o seu crédito já empenhado e a oportunidade era aquela, porque o governo seguinte não teria compromisso inicial, pois não havia contratado nada ainda. E havia aquele monte de gente esperando. Quando chegou a informação de que não haveria recursos, dirigi-me ao local onde se encontravam, colocando-me no meio deles, dizendo com todas as letras desta vez não haveria pagamento e eu sempre os recebia um a um, mas que não iria fazer dessa forma desta vez, porque a informação era a mesma para todos e eu preferia encará-los juntos. Acabei de falar, despedi-me de um por um, e saí. Assim, dessa forma, encerrei a minha experiência na administração pública. No dia seguinte, tomava posse a nova administração estadual, presidida pelo dr. Wilson Barbosa Martins.

URGÊNCIA

Leitos sobram em hospitais de Campo Grande, mas falta de recurso impede o uso

Superintendente do Ministério da Saúde em MS diz que não "enxergou" recursos empenhados pelo Município no relatório do terceiro quadrimestre de 2025

02/03/2026 17h45

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A "epidemia" de acidentes resulta na falta de leitos para outros pacientes, como idosos e crianças, na Santa Casa de Campo Grande Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A Câmara Municipal promoveu uma audiência pública, na manhã desta segunda-feira (2), para debater a crise na saúde pública de Campo Grande. As responsabilidades, o colapso assistencial e a necessidade de medidas extraordinárias de intervenção estadual ou federal foram os temas debatidos.

À frente do Fórum das Entidades Representativas dos Usuários de Saúde, Sebastião Arinos Junior, trouxe uma reflexão sobre o que causou o atual cenário vivenciado em Campo Grande. “Temos leito sobrando, podendo ser contratualizado”, afirmou, citando o Hospital Universitário onde há 30 leitos vagos, além do Hospital de Câncer, Hospital do Pênfigo, mas por falta de recursos não são utilizados.

As deficiências na atenção primária também foram mencionadas, além da necessidade de maior participação do Estado nos investimentos.

Em relação ao pedido de intervenção, o Conselho Municipal de Saúde (CMS) se posicionou a pedido do Ministério Público Estadual (MPE) e deu um prazo para as melhorias, considerando que o novo secretário de Saúde, Marcelo Vilela, assumiu a pasta em janeiro. Portanto, em maio o assunto voltará ao debate, informou o presidente do Conselho, Jader Vasconcelos.

“Ano passado foi muito difícil, nesses 14 anos em que estou na prefeitura foi o mais difícil, pois está faltando o básico para trabalhar. Falta medicamento, insumo”, detalhou Jader Vasconcelos, informando ainda que o servidor está tendo de arcar com itens básicos, como papel higiênico e material de limpeza para os postos de saúde.

O superintendente do Ministério da Saúde em Mato Grosso do Sul, Ronaldo Costa, apresentou informações sobre o relatório do terceiro quadrimestre de 2025, apresentado na última sexta-feira (27), durante audiência pública na Câmara. 

De acordo com Ronaldo, em relação às despesas liquidadas, a União repassou R$ 763 milhões e o Estado, R$ 278 milhões, mas que não "enxergou" os recursos empenhados pelo Município.

Hospitais

A estruturação da rede hospitalar de Campo Grande foi apresentada na audiência pública, com participação de diretores do Hospital Regional e da Santa Casa.

O Hospital Regional de Campo Grande segue recebendo pacientes de urgência e emergência, conforme esclareceu o diretor Paulo Eduardo Limberger, que trouxe à audiência a importância da regulação, que é uma regra do SUS.

Há dois anos, a Santa Casa de Campo Grande enfrenta dificuldades sem revisão contratual, conforme informou o diretor de negócios e relações institucionais, João Carlos Marchezan. Ele recorda a intervenção que ocorreu no hospital em 2005. À época, a dívida iniciou em R$ 37 milhões e passou para R$ 160 milhões.

“Partindo dessa experiência, digo que intervenção tem que ser muito bem pensada, porque significa supressão de uma instância. Estou aqui pedindo muita responsabilidade nisso”, disse João Carlos Marchezan.

Pacto institucional

“A criação de um pacto institucional para desestrangular a municipalização do SUS e trazer saúde melhor para as pessoas” foi uma das propostas encaminhadas na discussão, apresentada pela vereadora Luiza Ribeiro, presidente e proponente da audiência.

A vereadora citou a necessidade de cooperação para que a saúde de Campo Grande avance. “Tivemos uma série de situações que nos impõe uma reunião como essa. Devemos ter outras, mas no âmbito do interesse da população, que é o que a Câmara representa, há cenário de grave crise estrutural e assistencial, marcado por reiteradas denúncias”, afirmou.

Pacientes também trouxeram seus depoimentos das dificuldades enfrentadas, a exemplo da jornalista Ana Rita Amarilia. Ela é diabética e faz uso contínuo de medicação e insulina.

“Já aconteceram várias vezes de chegar lá no posto e não ter a medicação. Já peguei a medicação sem a seringa também, o que não faz sentido, buscar medicamento injetável e te darem sem o equipamento para tomar”, pontuou.

Gestão 

Ronaldo Costa, do Ministério da Saúde em Mato Grosso do Sul, disse que ainda há R$ 1,3 bilhão do Orçamento da saúde de 2025 para 2026 para serem repassados, referente ao o valor mínimo destinado pelo Estado, União e Município.

“O SUS é tripartite, conta com Estado, União e Município. Nenhum ente isoladamente conseguirá resolver os problemas de saúde”, afirmou o secretário municipal de Saúde de Campo Grande, Marcelo Vilela, que assumiu o comando da pasta em janeiro.

Ele confirmou que houve muitos problemas em 2025, mas acrescentou que o momento é de transição e reorganização administrativa, citando a necessidade de transformar a crise em oportunidade de rediscussão e transparência.

Medicação de maneira funcional e previsível, fluxo de ambulância, regulação de leitos são algumas das necessidades urgentes.

Sobre a proposta de intervenção, o secretário da saúde, Marcelo Vilela, citou que este é um instrumento previsto, mas excepcional. “Antes dela, precisamos fortalecer o plano de ação pactuado”.

Acrescentou, ainda, que a equipe está alinhada para esse desafio de fazer gestão para todos. “Não existe solução simples, mas caminho possível. Proponho um pacto institucional, nossa proposição é melhorar”, afirmou

A Audiência foi motivada diante do colapso assistencial que atinge a Capital, marcado por superlotação nas UPAs, escassez de medicamentos e insumos, paralisação de serviços na atenção primária, fragilização da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e falhas graves no sistema de regulação de leitos.

Relatórios do CMS apontam irregularidades estruturais e comprometimento da segurança de usuários e trabalhadores.

O MPE também instaurou procedimentos e ações judiciais para apurar falhas na prestação dos serviços, tanto na rede municipal quanto hospitalar conveniada.

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caiu em fevereiro

Exército aguarda aval do governo para instalar ponte de guerra em Rio Negro

Agesul disse que pedido para a ponte provisória está sendo avaliado "com urgência" e que estrutura metálica não comprometerá obras da ponte de concreto

02/03/2026 17h30

Ponte caiu durante travessia de carreta em 22 de fevereiro

Ponte caiu durante travessia de carreta em 22 de fevereiro Foto: Idest

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A instalação de uma ponte provisória na MS-080, em Rio Negro, depende de autorização da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul), que informou que já recebeu o pedido e que ele está sendo processado "com urgência".

A ponte sobre o Rio do Peixe caiu no dia 22 de fevereiro devido ao grande volume de chuva na cidade, provocando a queda de um caminhão que fazia a travessia. O governo atribuiu o acidente ao caminhão que estava com excesso de peso.

De acordo com o General de Brigada de Exército, Marcelo Zanon Harnisch, já foi feito um reconhecimento especializado no local, junto ao Batalhão de Engenharia e Combate de Aquidauana, e o Exército aguarda o aval do governo para iniciar a montagem da estrutura.

"Levantamos algumas possibilidades para serem feitas para possibilitar o restabelecimento do acesso das pessoas e estamos conversando com o governo do Estado para saber qual decisão vai ser feita, estamos prontos para apoiar tanto o governo do Estado quanto o município de Rio Negro. O reconhecimento foi feito, estamos só aguardando o posicionamento oficial", disse o general.

Conforme noticiou o Correio do Estado, no dia 26 de fevereiro, o Exército Brasileiro esteve em Rio Negro, juntamente com equipe da Agesul, para avaliar a situação da ponte e elaborar um relatório para a montagem de uma estrutura metálica, geralmente utilizada em calamidades públicas, reconstruções e operações militares, conhecida como “ponte de guerra”. 

Em nota, a Agesul informou, nesta segunda-feira, que o pedido formal da instalação da ponte já foi feito e está em fase de processamento.

"Na última sexta-feira (27), equipe técnica realizou vistoria no local, confirmando a viabilidade da instalação sem interferência na futura obra de reconstrução da ponte", diz a nota.

"A inspeção também permitiu definir os parâmetros técnicos para o anteprojeto da nova estrutura e para a remoção da ponte colapsada. A contratação para reconstrução está sendo tratada em caráter emergencial e deve ser formalizada nos próximos dias", acrescentou a Agesul.

Ainda segundo a agência, as especificações técnicas da ponte provisória serão fornecidas pelo Exército, responsável pelo dispositivo e sua instalação.

Já a Agesul, coube apenas a definição do ponto de instalação, garantindo que a estrutura provisória não comprometa a execução da nova ponte.

O Correio do Estado questionou o valor da obra e pediu mais detalhes sobre qual a estrutura temporária será usada, se flutuante ou fixa, se será de mão dupla, quanto peso suporta, entre outros, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.

Atualmente, a travessia de pedestres está sendo feita por barcos no rio, com apoio do Exército na cidade.

A via está interditada e motoristas devem pegar outras rodovias, como a BR-163 (indo por São Gabriel do Oeste) e BR-419 (indo para Corumbá).

Por enquanto, foram abertas duas rotas alternativas para carros pequenos, impedindo a passagem de caminhões. As alternativas são o Corredor do Girotto, passando pela ponte de concreto, sentido Córrego do Café. E a outra pela estrada do Laticínio, sentido Fazenda Finado Álvaro Rigonatto e com saída em frente à Fazenda Rancho Grande, na MS-419.

Ponte de guerra

O modelo de ponte LSB (Ponte de Acesso Logístico) é uma estrutura desenvolvida durante a segunda guerra mundial. Ela é usada essencialmente em rotas de abastecimento, modernizada para tráfegos pesados, substituição de pontes civis estragadas e pontes provisórias. 

Além do Brasil, seu projeto tem sido utilizado em diversos países do mundo, como a Alemanha, África do Sul, Irlanda, Filipinas, Camarões, Paquistão, Escócia, Reino Unido, Nova Guiné, Madagascar, País de Gales, Trinidad e Tobago e República do Congo. 

Por ser feita com materiais leves e modernos, sua montagem pode ser feita à mão ou com o uso de equipamentos leves, podendo ser desmontada e guardada. Ela tem suporte para aguentar a passagem de tanques de guerras e é facilmente transportada.

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