Cidades

Infraestrutura

Tapa-buraco só deve ser regularizado depois de agosto

Contratos se encerram no mês que vem e licitação só deve ser publicada no mesmo período; processo todo deve durar, no mínimo, 30 dias

Continue lendo...

A Prefeitura de Campo Grande programou para julho a publicação de processo licitatório para o serviço de tapa-buracos, porém, os contratos ativos se encerram justamente no mês que vem e, como um certame não leva menos de 30 dias para ser concluído, a situação do serviço só deve ser regularizada a partir de agosto, caso não haja nenhum problema na concorrência.

Conforme o portal da Transparência da prefeitura, os contratos em vigor começam a perder a validade a partir de sexta-feira, nas regiões Bandeira, Prosa, Centro e Imbirussu.

Já no caso das regiões Lagoa e Segredo o contrato se encerra no dia 24 de julho, e no Anhanduizinho a extensão do acordo termina no dia 31 de julho.

Rua Caiçara, no Bairro Piratininga, está cheia de crateras e faz parte da região Anhanduizinho Rua Caiçara, no Bairro Piratininga, está cheia de crateras e faz parte da região Anhanduizinho - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Entretanto, em quatro dessas localidades o serviço já está paralisado. É o caso dos contratos com a Construtora Rial, que foi alvo da Operação Buraco Sem Fim do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). 

De acordo com a prefeitura, quando houve a operação, em 12 de maio, a própria empresa teria solicitado a paralisação dos serviços e, posteriormente, o município também decidiu pela suspensão do contrato.

“A Construtora Rial solicitou a paralisação dos serviços de tapa-buracos após a deflagração da Operação ‘Buraco Sem Fim’. Na mesma ocasião, a Controladoria-Geral do Município (CGM) encaminhou ofício à Sisep recomendando a suspensão dos serviços para fins de auditoria instaurada sobre os contratos, incluindo a suspensão de pagamentos de medições recentes até a conclusão das análises técnicas”, disse a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), em nota. 

“A medida tem caráter cautelar e preventivo, com o objetivo de resguardar o interesse público, assegurar a regularidade dos processos administrativos e garantir a adequada verificação dos procedimentos de execução contratual, conforme diretrizes encaminhadas pela CGM à Sisep”, completou a Pasta.

Segundo a investigação, a empresa faria parte de um esquema que teria sido implantado na secretaria para desviar recursos públicos. Com o apoio de servidores, que após a operação foram exonerados, a empresa receberia recursos por buracos que não teriam sido tapados.

A operação levou sete pessoas à prisão: o ex-secretário de obras e na época diretor-presidente da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul), Rudi Fiorese; o dono da Construtora Rial, Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa; Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa (pai do proprietário); Erick Antônio Valadão Ferreira de Paula (ex-servidor da Sisesp); Edivaldo Aquino Pereira (responsável pela medição do tapa-buraco); Fernando de Souza Oliveira (ex-servidor); Mehdi Talayeh (engenheiro e ex-servidor da Sisep).

NOVOS CONTRATOS

Conforme a Sisep, o contrato a ser publicado em julho não será de emergência, o que significa que seguirá os ritos normais de uma concorrência.

Isso significa que, em caso de pregão eletrônico, o processo deve durar cerca de 40 dias, isso se nenhuma das empresas interessadas no certame apresentar recurso sobre o edital.

Levando em conta o cenário otimista, em agosto esse processo deverá ser finalizado e as empresas poderão iniciar os trabalhos.

Entretanto, como os contratos se encerram em julho, a Capital deve ficar um período sem o serviço em todas as regiões, como adiantou o Correio do Estado na semana passada, já que a prefeitura afirmou que não vai prorrogar o prazo de nenhum dos acordos vigentes.

Ainda de acordo com a prefeitura, a ideia é que, além dos contratos convencionais, a gestão também utilize a fábrica de asfalto alugada pelo Consórcio Central-MS para complementar o serviço na Capital.

A Sisep, porém, não respondeu se, durante esse período entre o processo licitatório e a assinatura dos novos contratos, o serviço será feito com recursos próprios.

“Está em andamento a reorganização do modelo de execução, com previsão de atuação de duas novas frentes, uma contratada e outra própria da Secretaria. A partir da segunda semana de julho, além da abertura de um novo processo licitatório para solucionar a situação dos contratos, paralelamente, está em fase de estruturação junto ao Consórcio Central o credenciamento de empresas especializadas na recuperação funcional de pavimento”, disse a Sisep em nota.

“A atual gestão da Sisep, em conjunto com o corpo técnico, atua para garantir a regularização dos serviços de tapa-buracos no decorrer do segundo semestre”, completou a Pasta.

* Saiba 

Das sete regiões, a Construtora Rial era responsável por quatro: Anhanduizinho, Imbirussu, Segredo e Bandeira. Esses quatro contratos, somados aos seus aditivos, totalizam R$ 114.608.571,16 pagos à empresa.

Assine o Correio do Estado

Violência

Operação impede tribunal do crime e termina com suspeito morto em MS

Ação conjunta das polícias Civil e Militar frustra suposta execução de duas vítimas, apreende mais de 28 quilos de drogas e mantém buscas por integrantes de facção criminosa

29/06/2026 18h37

Foto: Portal Alerta Água Clara

Continue Lendo...

A atuação integrada das polícias Civil e Militar impediu, na madrugada desta segunda-feira (29), a suposta execução de duas pessoas por integrantes de uma facção criminosa em Água Clara.

A operação terminou com um sargento da Polícia Militar baleado durante um confronto, um suspeito morto, a apreensão de mais de 28 quilos de drogas e um jovem preso em flagrante

A mobilização das forças de segurança começou depois que uma das vítimas procurou a polícia e relatou ter escapado de um sequestro. Conforme o depoimento, homens armados invadiram a residência onde ela estava com um amigo e afirmaram que um dos presentes seria integrante de uma organização criminosa rival.

Os criminosos disseram que ambos estavam "decretados" e seriam levados para o chamado "tribunal do crime", onde seriam executados.

Segundo a investigação, aproveitando um momento de distração dos sequestradores, as vítimas conseguiram fugir e acionaram as autoridades.

Ainda de acordo com o relato, os criminosos pretendiam retornar ao imóvel para levá-las até uma área conhecida como "cantoneira", apontada pela polícia como um possível local utilizado por faccionados para torturas e homicídios.

Com as informações recebidas, equipes das polícias Civil e Militar iniciaram diligências para localizar os suspeitos. O veículo utilizado pelo grupo, um Fiat Uno azul, foi encontrado no cruzamento das ruas Leôncio Ayres de Freitas e João Faustino Ribeiro, no bairro Santos Dumont.

De acordo com a Polícia Civil, os ocupantes do automóvel reagiram à abordagem efetuando disparos contra as equipes, dando início a uma intensa troca de tiros.

Durante o confronto, um sargento da Polícia Militar foi atingido no pescoço e no ombro. Ele recebeu os primeiros atendimentos no Hospital Municipal de Água Clara e, posteriormente, foi transferido para a Santa Casa de Campo Grande por meio do sistema Vaga Zero.

Apesar da gravidade dos ferimentos, o policial permanece consciente, orientado, em estado estável e sem risco de morte.

Após abandonarem o carro, os suspeitos fugiram em direções diferentes. Nas buscas realizadas na região, os policiais localizaram uma das vítimas escondida em uma residência.

Ferido no braço, o homem contou que conseguiu se lançar do veículo em movimento durante o sequestro e acabou baleado enquanto tentava escapar dos criminosos.

As diligências levaram as equipes até a casa de um dos investigados. Conforme a polícia, Klesley Santos Coelho, de 22 anos, conhecido como "Cabuloso", tentou fugir pelos fundos do imóvel armado com um revólver calibre .38 e apontou a arma na direção dos policiais.

Diante da ameaça, os agentes reagiram com disparos. O suspeito foi socorrido, encaminhado inicialmente ao Hospital Municipal de Água Clara e transferido para Campo Grande, mas morreu durante o deslocamento.

Na residência, os policiais apreenderam 31 tabletes de maconha, que totalizaram aproximadamente 26,5 quilos, além de cerca de 2,2 quilos de skunk e 75 gramas de haxixe.

Um jovem de 18 anos que estava no imóvel foi preso em flagrante por associação para o tráfico de drogas.

A área passou por perícia e o caso segue sendo investigado pela Polícia Civil. As forças de segurança continuam as buscas para identificar e localizar os demais integrantes da organização criminosa que conseguiram fugir.

Segundo a investigação, a operação evitou que as duas vítimas fossem levadas ao chamado "tribunal do crime", prática utilizada por facções para promover julgamentos clandestinos, frequentemente seguidos de tortura e execução.

CAMPO GRANDE

Justiça nega liberdade a médica veterinária que ateou fogo no marido

Defesa pleiteava a revogação da prisão ou substituição por domiciliar, mas juiz considerou gravidade do crime e indeferiu o pedido

29/06/2026 18h30

Revogação da prisão foi indeferida pelo juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande

Revogação da prisão foi indeferida pelo juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Continue Lendo...

O juiz Aluizio Pereira dos Santos, da 1ª Vara do Tribunal de Júri de Campo Grande, negou o pedido de liberdade provisória e manteve a prisão preventiva de uma médica veterinária, de 42 anos, acusada de atear fogo no marido, um servidor público federal de 41 anos.

O crime aconteceu no dia 22 de junho e a vítima teve cerca de 80% do corpo queimado, estando internado em estado considerável grave. A mulher foi presa em flagrante, sendo a prisão convertida em preventiva no dia seguinte, em audiência de custódia.

A defesa entrou com pedido de revogação de prisão preventiva e, subsidiariamente, a sua substituição por domiciliar cumulada com outras medidas alternativas, alegando que ela teria residência fixa, trabalho lícito e um filho menor sob sua guarda.

Ao analisar o caso, o juiz afirmou que a fundamentação utilizada na audiência de custódia permanece inalterada, utilizando trechos onde o magistrado que converteu a prisão em preventiva ressalta a gravidade do estado de saúde da vítima, que permanece internada, e afirma que "a gravidade concreta do delito, somada às severas consequências produzidas à vítima, evidencia risco à ordem pública, especialmente diante da expressiva repercussão social de crimes praticados nestas circunstâncias".

Aluizio Pereira dos Santos ressalta ainda que apenas a residência fixa e a ocupação lícita não são suficientes para a concessão da liberdade, assim como ter filho menor de idade, já que ela tem outra filha, de 22 anos, que está responsável pela criança, não sendo comprovada a imprescindibilidade da mãe nos cuidados.

"Assim, sopesadas as demais circunstâncias que determinaram a preventiva, reputo não ser cabível a substituição pretendida. Ressalto, ainda, que em razão da gravidade concreta do delito, aliás crime com violência extremada, tem previsão da impossibilidade da pretensão nesses casos, razão pela qual a aplicação de outras cautelares neste momento não se mostram suficientes e, sobretudo, não sendo medida socialmente recomendada; prudência que sempre deve atinar o julgador. Desse modo, mantenho a prisão", disse o juiz, na decisão

Relembre o caso

Conforme reportagem do Correio do Estado, o servidor público federal deu entrada no Hospital Proncor com queimaduras em praticamente 80% do corpo na última quarta-feira (22). 

No momento em que chegou ao hospital, ele estava consciente e informou a equipe de atendimento que sua esposa teria ateado fogo nele.

Pouco depois, a veterinária chegou ao local pedindo para vê-lo, mas não foi autorizada por funcionários da unidade, que a informaram que não estava em horário de visita. Temendo que a mulher retornasse, eles acionaram a Polícia Militar (PM).

Quando os policias chegaram ao  local, foram informados pelo médico responsável pelo atendimento que a vítima apresentava queimaduras extensas e estado saúde grave. Ainda segundo o médico, em razão da gravidade das lesões, o diretor administrativo se encontra internado, em coma e sob cuidados intensivos.

Os policiais apuraram junto ao médico, com base em informações repassadas pela vítima antes de entrar em coma, que o casal teria iniciado uma discussão e a esposa teria atirado álcool 70% nele, ateando fogo em seguida. Não há informações sobre o motivo da discussão inicial.

A mulher ainda estava no local e foi presa em flagrante, tendo a prisão convertida para preventiva em audiência de custódia, realizada no dia 23 de junho.

O caso foi registrado como lesão corporal dolosa e está sob investigação da Polícia Civil.

  

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).